À espera de um milagre

As maiores tragédias dos nossos tempos não são as guerras, não são as ditaduras, não é a violência enraizada nas nossas relações formais e informais: é a falta de sensação de pertencimento. Essa impossibilidade de olhar para o outro e saber como ser generoso e receber a sua generosidade é o que causa todos esses males. Em vez de terminar com as guerras com mais violência ou reagir com igual vilania às atrocidades que nos submetem, deveríamos reforçar as nossas relações mais próximas, criando uma rede de apoio que sufoque todo esse ódio, e o medo que o alimenta, para, enfim, tornar a humanidade, de fato, uma comunidade. Quando esse dia chegar, como Kevin Kelly bem nos lembra, estaremos prontos a aceitar os milagres que todos merecemos receber.

Mas, confesso, é muito difícil manter essa fé quando as bombas da ignorância e da ganância explodem ao nosso redor. A cada estrondo, a cada mentira, a cada último suspiro dado por um inocente pego no fogo cruzado desses narcisistas amedrontados, a pergunta ecoa nas nossas mentes: quando (e se) nos emendaremos?  Será que um dia teremos a coragem de abandonar o medo e caminhar a estrada não trilhada?

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

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