Quando eu ainda estava envolvido no mercado de RPG, sempre me espantava com as inclinações regionais dos criadores e empresas. No Rio sempre me parecia que o pessoal buscava investir em alguma criação que chamasse atenção pelo seu capital cultural e possibilitasse retorno financeiro por editais ou na forma de status. Já em São Paulo, o que parecia pesar mais era o capital econômico e a orientação do público. Pra onde o vento soprasse mais forte, com muita eficiência e velocidade, o pessoal conseguia produzir material que atendesse às expectativas ou desejos mais pontuais, e, às vezes, efêmeros, da massa de consumidores. Mas em Minas o lance era diferente. Em Minas toda vez que eu conversava com os criadores sobre suas expectativas de retorno sobre o investimento (financeiro, de tempo e emocional) envolvido nas suas criações, a resposta que normalmente recebia era: “ah, véio, fizemos isso pois é muito doido”.
Quando vejo pra onde o mercado editorial (do qual o RPG também faz parte) se move com a IA, me pergunto se não estamos chegando num ponto de inflexão em que a maximização dos resultados se torne impossível pela pasteurização dos outputs das máquinas baseados em dados gerados pelos próprios algoritmos que os criam.
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Será realmente lindo quando pudermos abraçar essa “doideira” mineira como a verdadeira forma de sucesso. Um sucesso que todos podem fazer, pois, mesmo que sejamos todos doidos, seremos sempre doidos às nossas próprias maneiras.