Imagine Sísifo feliz, quer dizer, triste, quer dizer, feliz…

Um mês sem nada a reportar que possa ser reportado nem publicado publicamente sem atrair a atenção de repórteres que irão distorcer as minhas palavras tanto quanto minha alma foi distorcida nesse período. Enfim, mais um tempo de Sísifo, nesse caso, infeliz. E não o são todos?

Porém continuo sempre com a esperança vã, tal qual um Ivan qualquer de um sombrio romance russo, de que tudo vai mudar; mas, óbvio, não muda. Se nem em Tchekhov, o mais otimista dos russos, as coisas mudam, imagina só se, nesse drama cósmico, trágico e absurdo escrito numa mesa de roteiristas composta por Dostoievsky,  Gogol e Tóstoi, alguma coisa vai mudar. Não vai e não muda.

Mas o que pode mudar é a nossa disposição. Hoje, assombrado pelas minhas catástrofes ainda não acontecidas e pelos stresses sempre realizados, parei numa loja pra comprar um refri e não resisti a tentação de testar a minha sorte com um biscoito da mesma. Esperando as tétricas mensagens que normalmente recebo, fui presenteado com uma bela reflexão:

É, parece haver vida além dos medos. É só estimularmos a imaginação para o que desejamos e não para o que queremos evitar. Vamos ver se consigo implementar essa mudança em mim. Aí não importará a pedra que eu estarei empurrando, tudo mudará e Sísifo, confere Camus?, ficará feliz. Vamos torcer, mas, enquanto isso, deixa eu ir ali empurrar uma pedra que sexta ainda não acabou.

Bom fim de semana a todos nós, Sísifos e Sísifas na cruel lida do século XXI.

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