Os benefícios de se arriscar

Parte do problema, pode crer, é do público. Somos mimados. Queremos que as coisas aconteçam como esperamos e, hoje em dia, quando avaliamos se gostamos ou não de algo, inevitavelmente complementamos com opiniões bestas sobre como tudo deveria ter sido. Porém, esquecemos o quanto o se deixar levar, a aceitação da ficção como realidade e a surpresa livre de análise racional marcam nossas memórias e nos fazem dar mais valor ao viver.

Por isso fico bem feliz de estar vendo filmes quebrando as nossas expectativas e nos (ou me) deixando com aquele gosto apurado de “what the fuck!”. Foi assim em O Agente Secreto, Bugonia e Morra, Amor.

Óbvio que tem gente reclamando de tudo. Sempre tem. Reclamam que os filmes não atendem a esse ou aquele padrão, que falta estrutura, ou que deixam pontas soltas. Sim, deixam; sim, falta; sim, não atendem. E daí? Quem disse que o cinema tem regras? Ah, sei, vários, mas o Syd Field foi um dos que começou com essa onda.

O pior é que o pessoal tá levando essa predisposição de achar que tudo precisa sair conforme suas expectativas, que tudo faça algum sentido ou que atenda a alguma regra escrita por sabe-se lá quem também para a vida real. Não, não atende; não, não faz; não, não sai.

Por isso estou começando a achar que não são os filmes que estão mudando, mas eu que estou mais livre para aceitar o que vier. Das telas, ou da vida. É frustrante? Sim, às vezes, mas, creia, essa pode ser uma maneira bem mais interessante de se viver.

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