Depois de 3 dias de chuva inclemente, tá bom, chata, saímos desconfiados às ruas como se emergindo de uma caverna escura e úmida onde ficamos presos por anos. Eu sei, o carioca é um bicho dramático pacas, mas não é má pessoa. Quer dizer, nem todos. Ou melhor, alguns.
É muito estranho (existir) o centro da cidade do Rio. Uma cidade com vocação tão malandra, não deveria ter espaços devotados ao trabalho. Não podemos terceirizar isso pra SP?
Ontem rolou a oficina de RPG e foi bem legal. Pra variar fui lá ofender a comunidade da qual faço parte, mas com razão: não tem bicho mais chato do que RPGista. Eu sei, eu sou um deles. Imagino que deve ter sido a mesma coisa com a galera que viveu o início do Teatro ou do Romance. Por sermos testemunhas vivas e ativas do nascimento de um novo tipo de mídia, nos consideramos os sumo especialistas e sacerdotes desse culto. Coitada da gente. Não é por acaso que confundiram o RPG com culto satânico no final dos 1970s e início dos 1980s. A gente deu uma certa razão.
Fiquei pensando bastante sobre a quantidade de identidades secretas que eu tenho: escritor, gerente de gestão do conhecimento, rpgista, pai, filho, marido, dentre outras. Só resta me perguntar, aos moldes do Super-Homem, qual delas é a verdadeira ou são todas falsas (ou verdadeiras)?
Li um artigo (quase um conto) incrível, escrito por, pasmem(?), Emily Ratajkowski. Depois de atravessar e me libertar do preconceito automático e besta de “Meu Deus, supermodelos podem escrever bem”, fiquei me perguntando quantas excelentes escritoras e escritores podem estar escondidas em profissões que consideramos, por puro estereótipo, vazias e devotadas a pessoas com uma vida interior pobre. O preconceito realmente corta pra todos os lados. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Um emocionante misto de Bret Easton Ellis e Sylvia Plath. Eu recomendo.
Será que o sol conseguirá deixar à mostra as nossas verdadeiras faces por trás de todas essas máscaras? Pelo menos, a gente podia usar esse solão pra deixar elas secarem depois de passarem pela máquina de levar.
Infelizmente ainda tenho aquela velha expectativa de ter uma vida integral ou, como na velha piada do cachorro quente do Dalai Lama, só quero que algo make me one with everything. Mas infelizmente, não importa o quanto você pague, nunca tem troco, afinal change comes from within.