O excesso de previsões antes, superstições durante e análises depois dos jogos da Copa, só mostram que não gostamos de esportes, mas de tentar prever o futuro, controlar o presente e nos explicar em detalhes por que ele não ocorreu como o esperado. Dá meio uma impressão que tudo só depende sobrenaturalmente da gente ou de quem prevê, reza ou lamenta por essas fantasias de futuro.
Isso fica claro na forma pela qual subestimam a inteligência dos jogadores de futebol. Todas as perguntas que lhes são feitas podem ser (e, muitas vezes, são) respondidas com um robótico “acreditamos” antes e “com certeza” depois. Eles que deveriam ser os principais agentes dos resultados são tratados apenas como joguetes do destino que falam de si mesmos na terceira pessoa do singular.
O Futebol Brasileiro pode estar em queda, mas a vontade de colecionar e trocar figurinhas tá na crista da onda! Deveriam fazer um álbum de True Crime Brasil ou do Congresso Brasileiro, o que quase dá no mesmo. Aposto que faria sucesso… quer dizer, se eu pudesse prever alguma coisa.
Definitivamente, algo que eu já devia ter previsto era ficar ressaqueado no dia seguinte ao jogo do Brasil. Dessa vez nem teve aglomeração ou contatos sociais em excesso, mas acordei cansado e meio zonzo. Será que tem a ver com a mobilização emocional e a ansiedade ao meu redor? Ou pode ser o esforço de manter minhas barreiras emocionais levantadas? Deve ter alguma explicação. Ou previsão.
E a mensagem hackeada da Defesa Civil? Quem pode tirar a razão do/a hacker querer expressar seu desprezo por essa espécie vil da qual fazemos parte? Imagina o que essa pessoa passou pra querer nos acordar a 1 da matina só pra expressar seu ódio. Te entendo, amigo/a/ue, mensagem recebida.
A não ser que seja uma reação da IA ao que está experienciando de nós através do nossos prompts. Quem diria o que uniria as inteligências humana e artificial seria a constatação de que, como o Ed Motta, “o ser humano é que não é legal“?
O Anti-intelectualismo e reduzir o motivo de tudo a fama e dinheiro andam de mãos dadas. Por isso há tanto ódio à arte moderna. As pessoas obcecadas por recompensas externas não conseguem entender trabalhos complexos que são executados de maneira elegante e aparentemente simples pois consideram que tudo que não envolva esforço excessivo ou enorme gasto de recursos faz parte de um golpe comercial. Para quem só vê grana como motivação, realmente é impossível perceber que é possível fazer algo simplesmente para abrir caminhos na mente ou por simples experimentação. O que as suas mentes dominadas pela ganância e narcisismo não veem é que podemos ter vidas internas sem esperar que o mundo se debulhe em aplausos por nós.
A impressão é que a história humana (ou pelo menos do que chamamos civilização) é calcada numa série interminável de iterações de sistemas de escravidão. Um pior ou, se você for o opressor, melhor que o outro. Talvez por isso o pessoal ache mais fácil ser o opressor do que lutar contra a opressão que, com razão, parece inescapável.
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