2026.06.21 – “You can’t always get what you want”

  • Comecei a assistir a “The Studio” e estou mesmerizado. A estratégia de transformar a forma em tema dá o troco no meio ser a mensagem, e transforma a mensagem em meio. Apesar dessa estratégia esperta, há uma clara tentativa em não ser “inteligente demais”. O roteiro acaba sendo humilde e verdadeiramente devotado ao cinema e às brechas em que se consegue fazer arte numa atividade (quase que) totalmente dominada pelo propósito comercial. Os estúdios e seus executivos são ao mesmo tempo vilões e vítimas do próprio poder que parecem ter. E, sabemos: quanto menos poder parecemos ter, mais possibilidades podemos nos permitir. Como viver com tantas restrições, sejam elas de recursos ou dos acordos que nos concederam os recursos dos quais precisávamos? É aí que criatividade aflora. Seth Rogen sabe do riscado: é no que nos negamos a fazer que estabelecemos o que iremos criar.
  • Outra escolha acertada é se voltar ao modelo episódico clássico e há muito abandonado, se recusando a usar o arco longo como uma camisa de força que se tornou padrão nos últimos anos. Enfim, tudo que era clichê um dia volta como inovação. O valor da obra não está nos momentos de ruptura conceitual, mas em saber escolher o funciona para ela.
  • Engraçado que ao contrário do cinema, a literatura ainda tem esse espaço de experimentação. Porém , mesmo com os baixos custos de produção, o espaço de experimentação da literatura está diminuindo pelo viés cada vez mais comercial e pela competição pela atenção dos leitores, tanto entre títulos como com outras mídias. Como encontrar um meio de caminho onde a sustentabilidade financeira encontre a arte, sem se oferecer como holocausto à ganância?
  • “There is only one opportunity to write in complete darkness: when you are at the beginning. Use it. Use it well.”Dani Shapiro
  • O exercício do desapegar e nada esperar é que te permite criar sem restrições. Afinal, a arte não é uma solução para um problema, mas um problema insolúvel. O valor está em tentar, sem a ambição de conseguir resolver aquilo que não tem jeito. Em resumo: Zen Mind, Beginner’s Mind.
  • Acabei de ler o conto(?) Eupompus Gave Splendour To Art By Numbers de Aldous Huxley que só comprova a minha opinião acima: criar como equação é como receber um abraço frio depois de um banho quente. Seja com motivos comerciais ou acadêmicos.
  • Quando começa a nova temporada de The Studio?
  • Can’t we get no satisfaction? No. No. No.

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