Uma Duas compridas semanas cumpridas. Não importa o resultado se chegamos no final. Isso já é resultado o suficiente. A ansiedade do início das férias está me fazendo me fez adiar todos os meus planejamentos e acelerar todas as tarefas de trabalho. O meu fica pra depois, o dos outros é pra ontem. Como sempre. Vamos ver se consigo chegar numa iluminação que faça essa balança se equilibrar melhor.
Como as edições mostram, não consegui. Não consegui nem terminar e postar esse texto iniciado 10 dias atrás. Pelo menos retomei. Pelo menos?
Sim, pelo menos, Pelo menos as férias começaram, como o tradicional especial do Cervantes Parada de Copa indica.
Mesmo assim nada se move. Tento abandonar, com muito esforço e pouco sucesso, pequenos comportamentos que hoje não fazem mais sentido. Ao mesmo tempo me surpreende e não me espanta que seja tão difícil. Me tornei um poço de excessos. Quando as coisas fizerem sentido não perderei o meu?
Por falar em comportamentos que deveria abandonar, comecei estou fazendo o curso da Marie DeClercq e tenho rateado nos desafios. Alguns não me interessam, outros são pessoais demais e não me parecem escrita; estão mais pra confissão. Tem gente que acha que confissão é uma espécie de escrita. Tá, até pode ser, mas a parte do verdadeiro artesanato é criar o distanciamento que gera identificação. Não é só desabafo. Ou será que é? Você me diz.
Uma discussão interessante sobre a importância do ecossistema do livro na construção do conhecimento. Um dos poucos pontos positivos da IA é nos fazer perceber (ou lembrar) que ler não se justifica apenas pela informação que se adquire na leitura mas pelo processo de reflexão durante a leitura. O mais importante não é o que nos dizem, mas o que descobrimos sobre nós mesmos (e o mundo) no contato com o texto. O mesmo se aplica ao processo de escrever. Não escrevemos para mostrar o que sabemos, mas para descobrir o que sabemos (e quem somos). O texto final, incensado produto da indústria editorial, é apenas um apanhado de restos mortais da experiência de escrever que será ressuscitado pelo leitor.
Fui obrigado por compromissos paternais a assistir no cinema a uma comédia brasileira atual. Uma parte muito significativa dessa safra pós retomada dá saudades da época em que diziam que filme brasileiro só tinha palavrão e putaria. Hoje, além da falta de estrutura, proposital ou não, derivada da inescapável cultura de sketches bobos que vem do rádio, passa pela TV e chega até à internet, ainda precisamos aguentar a didimocozice do sentimentalismo barato de um Renato Aragão tentando imitar Chaplin num filme sobre doentes terminais. Pode pensar em qualquer comédia: a sensação é sempre a mesma. Depois de um bando de cenas quase engraçadas, os personagens desfiam rosários de lugares comuns para reforçar a importância de deus, pátria, família e todos os outros conceitos reacionários que cabem em uma hora e meia de cinema(?). Sabe o que realmente seria radical: trazer a nudez e os palavrões de volta pras telas. Ah, esqueci! A geração atual acha cenas de sexo desnecessárias… Valha-me, Deus. A humanidade realmente tá merecendo o que recebe.
Ou talvez nos falte saber quem somos. Isso nem as comédias, nem a IA vão conseguir responder por nós.