O Editor Invisível

[oei#11] A prejudicial mítica do livro à experiência do leitor

Como há a reunião que poderia ser um e-mail, há o livro que poderia ser um post num blog. E isso não é de forma alguma um julgamento (negativo) de valor. É apenas a constatação que certos conteúdos, temas, e estruturas seriam melhor trabalhados e teriam maior impacto, cognitivo, estético ou emocional, em formatos diferentes. Porém não podemos escapar do fato que o formato do livro carrega um valor simbólico de status. Afinal quem escreve…

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O Editor Invisível

[oei#10] Um elogio à rabugice dos livreiros ficcionais e reais

Não sei se é de propósito, mas, em todas as obras cujo cenário principal é uma livraria ou um comércio de produtos culturais, as protagonistas invariavelmente são pessoas intratáveis e “fracassadas”. Não estou exagerando. Desde os moderninhos de Alta Fidelidade e Black Books, passando pelos inofensivos livreiros de Notting Hill e Mensagem para você, até o soporífero A. J. Fikry do livro e do filme de mesmo nome, todos são pessoas com vidas interiores razoavelmente…

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O Editor Invisível

[oei#09] Os (des)enobrecimentos gráficos que tornam o livro (m)eu

Na minha infância, quando pintava uma grana extra em casa, comprávamos livros. Enciclopédias, coleções, livros grandes em capa dura com letras douradas e fitilhos. A coisa era tão séria que, mesmo não sendo religiosos, tínhamos uma enorme bíblia, de capa dura imitando couro, com douração trilateral, sobre um suporte de leitura no meio da sala. Minha mãe, ateia convicta, se explicava: – É pelas ilustrações do Doré. E fazia suas críticas: – Se bem que…

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O Editor Invisível

[oei#08] A viralidade gráfica dos livros e sentimentos reproduzíveis

Dezembro de 1990. Surge, no dia da entrega das provas finais do curso de inglês, a assustadora e sedutora possibilidade de compartilhar com o alvo de meu afeto as odes de amor que lhe dediquei. Mas como fazer isso? Como compartilhar as páginas soltas e caóticas de prosa poética, que, movido pela paixão, escrevi sobre ela? Sim, esse era o problema: eu escrevi sobre ela e não para ela. Nunca me passou pela cabeça que…

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O Editor Invisível

[oei#07] A revolução permanente de impermanência da leitura

É estranho como esquecemos o quão inatural é ler. Olhar para símbolos num papel, ou em qualquer outra superfície, entender que existem, entre eles, relações e ordem, e, daí, extrair deles um significado não é de maneira nenhuma algo natural. É algo ensinável, facilitado por características fisiológicas, mas não é inato. Mesmo assim, depois de aprendido, é algo que consideramos dado e sem questionamento. O mesmo acontece com os receptáculos dessa escrita. Os livros são…

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[oei#06] Na casa de espelhos das capas distorcidas

Even the greatest stars Discover themselves in the looking glass Hall of Mirrors – Kraftwerk Você vai à Livraria sem saber o que procura. Você vai à Livraria como quem precisa se encontrar. Na vitrine, um funcionário, bem intencionado, mas esperto demais para o seu próprio bem, montou uma seleção de livros amarelos. Sim, apenas livros com capas amarelas, totalmente amarelas. Naquele deserto de nada, você tenta identificar quais são os títulos que queriam destacar,…

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