O discurso final

Agora que a janela de filiação partidária fechou e os quadros eleitorais estão quase fechados, vamos focar no que interessa: o discurso de fechamento dos debates eleitorais. Com a perspectiva de que os principais candidatos fujam deles, ainda resta a esperança de que, aos moldes de Leonel Brizola, alguém faça um discurso histórico para fechar esse terrível período da nossa história. Afinal, até os fãs do Iron Maiden sabem, discursos históricos são eternos e nos fazem ganhar guerras. Assim, como contribuição, segue a minha sugestão de discurso para qualquer candidato que queira tirar a besta fera do poder:

Povo do meu Brasil,

Agora encerramos mais uma etapa do processo eleitoral e vamos às urnas para decidir o destino da nossa coletividade, daquilo que chamamos Brasil.

Nos últimos quatro anos vivemos sob o terror de um governo que proclamava “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. E o que menos vimos foi a defesa da nossa nação ou o respeito a um poder superior.

Vimos:

A transformação do Brasil num pária mundial, um país de milicianos, desmatadores e grileiros
O desrespeito aos seres humanos, de todas as etnias, credos e orientações
O aumento do desemprego, da precarização do trabalho; a volta da fome e da inflação
E a exaltação da violência armada contra as minorias e as populações mais vulneráveis

O que esse discurso populista e falso escondia é que ele queria um Brasil de criminosos armados acima de tudo, um Deus do ódio acima de todos, e Bolsonaro, e seus familiares e asseclas, acima de Deus.

Afinal, nos últimos 4 anos, nessa tirania fascista tivemos um desgoverno que zombou da pandemia mundial, da morte e da dor de doentes e enlutados; que virou às costas a nossos irmãos da América Latina e do mundo, pra promover a destruição da natureza e dos povos indígenas e ignorar as mudanças climáticas; que atacou a democracia e promoveu a mentira e a desinformação; que trocou favores, em detrimento da saúde e da educação, com as piores pessoas desse país, em troca da sua manutenção no poder, de favores pessoais, de dinheiro e até de ouro, usando o nome de Deus em vão.

Nessa tirania fascista e corrupta, fomos vítimas da vaidade e da incompetência de um homem fraco e desequilibrado que nos afastou da comunidade global e dos valores que ele fingia apregoar. Nos últimos quatro anos fomos um Brasil abaixo de todos e esquecido por Deus.

Mas você pode mudar isso. Nessa eleição, a sua escolha pode nos tornar melhores. Não um país acima de tudo, mas um país irmão em uma comunidade mundial; um país com respeito a todas as pessoas e a todos os credos; um país onde ninguém esteja acima dos outros e em que o presidente seja alguém escolhido para atender à sua população, ao invés de seus interesses escusos.

Por isso, no seu próximo voto, escolha a paz, escolha o respeito, escolha o amor. Vote num Brasil, não acima de tudo, mas um Brasil formado por nós. Pois o Brasil somos nós.

Muito obrigado e bom voto. O Brasil somos nós.

Enfim, não importa em quem você queira votar, vamos dizer o não abafado de nosso peito contra tudo que está aí.  Como dizia Belchior, ainda não é hora de levar flores à cova do inimigo. É hora de lutar.

Começou.

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