Ir ao conteúdo

Mês: março 2021

A alcunha

O menino chega em casa novamente triste e a mãe nem nota. Ele é sempre assim. Não tem amigos, porque, cá entre nós, é chato e desinteressante; e a sua mania de machinho afasta todos os que tem bom coração. E isso é um problema. Afinal, quando somos crianças, todos temos bom coração. Ele vai pro seu quarto, pega a caixa cheia dos brinquedos que ele próprio quebrou e a leva pro quintal pra descontar…

Recomeços

Todo recomeço precisa de um marco. Desde uma mudança de estado ou país, até um pão doce comido num fim de noitada. Só a intenção não basta. Todo recomeço precisa de um fundo de poço. Um momento tão dolorido ou, inversamente, anestesiado, que você se sente compelido a se mover. O excesso ou a ausência de sensação e sentimento lhe mostram que do que jeito que está não dá mais pra ficar. Todo recomeço precisa…

Escrevendo o tal do Tao

Algo se quebrou ou se consertou em mim durante a pandemia. Depois de anos de um longo e aparentemente interminável- perdão pelo plágio, Fran Lebowitz- embargo de escritor, simplesmente acordo e escrevo. Não me importa mais se vai ficar bom ou ruim. Simplesmente escrevo, pois é isso que faço. Todos os dias. Parece fácil, mas levei uns bons 25 anos pra retomar esse ímpeto. Lembro que fazia isso dos meus 12 aos meus 21 anos.…

A noite em que (quase) transgredi a quarentena

Tô sendo bem estrito nessa quarentena. Passo quase todo tempo dentro de casa e só saio pro essencial: levar a menina na escola, um supermercado ocasional e dar uma caminhada às 5:30 da matina. Sempre de máscara e com um banho de dar inveja a Silkwood na volta. Mesmo assim me sinto culpado. Deveria estar mais isolado. Todos que podem deveriam. Já cheguei a desfazer amizades com gente que insistia em fazer pouco da pandemia.…

Nós, os gatos

Acordamos no meio da madrugada com fome e vagamos esperando que nos alimentem. Algumas vezes vamos importunar alguém para que nos dê comida. Miados, cheiradas e até mordidas. Às vezes funciona. Às vezes, não. Comemos o que há. Queríamos comida molhada, mas não tem. Lembramos daqueles snacks deliciosos. Hum, eram de quê mesmo? Não lembramos. Tudo parece tão igual. Então, por que não comer aqueles fios apetitosos saindo do sofá? Chegamos à nossa caixa de…