2026.06.05 – “Putos no faltan, lo que faltan son financistas”

  • Assistindo à aula aberta da Marie DeClercq sobre como criar uma prática de escrever, me bateu o quanto a escrita se tornou para a população em geral, sabe-se lá como, uma atividade com perspectiva de ganhos financeiros e de fama. Apesar de fantasiosa, essa expectativa faz até sentido. Dentre aquelas atividades que não “parecem” trabalho mas são, escrever ainda é a que tem menos restrições de entrada, especialmente para os tímidos. Afinal artes plásticas, música, dança, e atuação ou dependem do desenvolvimento de habilidades por um longo período para sair do zero ao um ou são setores com muitas barreiras para novatos. Escrever, sem julgamento de qualidade, todo mundo escreve, ou quase. Custa muito pouco ser um escritor (mal ou bem sucedido). O problema é achar que dá retorno. Aí já é ficção. Científica ou Fantasia?
  • A discussão sobre IA no mercado editorial passa um pouco por aí também.  Ninguém questiona que ler e escrever são ferramentas de conexão que só deveriam rolar entre humanos. A escrita de IA pode até ser competente, mas é fria e sem propósito, uma espécie de bife de soja sabor bacon. Porém o medo é que se os demandantes de textos, entre esses os próprios leitores, se satisfazerem, por economia, com o que é escrito pela máquina, ninguém mais pagará a um humano para escrever. Ou seja, é mais um discussão sobre a captura dos já minguados recursos vindos do mercado editorial do que uma questão de escrita e leitura. Só me pergunto se desde o Syd Field e das corruptelas da pesquisa do Campbell, escrever já não virou um atividade mecânica, porém ainda feita por humanos. O problema, então, não é a fábrica, isso o povo aceita; o problema é, sim, a automação. Só me lembra Nove Rainhas. O que fazer quando num mercado já lotado de profissionais, em atividade ou buscando vagas, robôs também se apresentam pra roubar seus empregos e “financiadores”?
  • Não é à toa que os filmes estão tão meh!
  • Acabei de assistir a Backrooms e taí um filme que perdeu uma boa oportunidade de não ser meh. O conceito é intrigante, os atores, bons, os personagens e a introdução prometem, mas ele peca exatamente quando tenta explicar o que ele mesmo não quer explicar. Por que essa necessidade de dar ao público algum tipo de closura? Jesus, não podemos deixar as pessoas viverem com um pouco de ambiguidade, especialmente vinda de um filme onde se diz que nada tem explicação? Se não tem explicação, simples, não explica nem tenta explicar.
  • Desde semana passada estou recebendo um bando de newsletter de figuras corporativas nas quais não me inscrevi. É só comigo? Isso é um sinal do fim das newsletters como uma ferramenta de divulgação para artistas? A conferir.
  • Enquanto a IA continua escrevendo coisas vazias pra gente sem sensibilidade, sempre tem um poema pra nos surpreender, mesmo que seja inspirado por uma laranja. Até a capa é linda. Daqui

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