É estranho respirar. A falta de sensação desastre eminente, essa aparente tranquilidade repentina, apesar de balsâmicas, carregam em si a possibilidade de uma benção ou de uma maldição. Estamos finalmente salvos? Ou estamos baixando a nossa guarda cedo demais? Como reagir a essa dualidade? Na real, não sei, mas, por enquanto, por pelo menos esse fim de semana, eu vou me dar o direito de aproveitar. Eu mereço, não?
Ao mesmo tempo, ou por causa disso, uma espécie de vácuo se formou: mudanças positivas no trabalho, fim das aulas na pós, sem compromissos a cumprir. Fiquei com um sábado livre como há muito eu não tinha. O que eu fiz? Li RPGs e quadrinhos, assisti filmes catástrofe, joguei Magic Arena. Simplesmente me deixei curtir. É estranho ter tanto tempo e não saber o que fazer com ele, mas é bom, surpreendentemente bom.
Agora estou com uma impressão que dá pra fazer quase tudo. É só querer. E não esperar demais disso.
É estranho. Já disse isso, não?
Bateu uma saudade do início da Internet em que parecia que tínhamos o mundo a nossa disposição e não sabíamos o que perguntar. Hoje temos tantas dúvidas e tudo o que a IA nos oferece é uma resposta única, e, pior, falsa. Talvez o que nos falte é aprender a conviver com a dúvida. Antigamente pra essas minhas perguntas inconsciente, a resposta normalmente era Tori Amos. Será que ainda é?