2026.06.04 – “…like tears in the rain”

  • Depressão sazonal é uma realidade, mesmo no Rio de Janeiro. O dia está escuro como alta madrugada antes das 6 da tarde; nas ruas, quase vazias, uns andam vestidos prontos para um frio londrino, ao lado de outros que, como eu, encaram as temperaturas nada desafiadoras de shorts, camiseta e chinelos; enquanto isso, na minha cabeça, repito continuamente os versos de Antônio Cícero e Adriana Calcanhotto: “O inverno no Leblon é quase glacial”. Não, não caminho ao longo do canal, mas peregrino pela deprimente rua do Catete em busca de um cópia pocket de Moby Dick em inglês, que não encontro. O calor do Rio é infernal, mas o frio é pior. Sem a emergência de morte do sol abrasador, fica claro que não há motivo para viver que não seja sobre-viver. Não há clima acolhedor no Rio, só uma escolha impossível entre o deserto físico ou metafísico. Alguma preferência?
  • Tenho uma impressão que todos os textos que se declaram como humor na New Yorker nos últimos anos sempre parecem paródia de Copywriting. Não é ruim, mas cansa.
  • Feriado sem estar colado em fim de semana não serve (mais) pra (quase) nada. Só deu pra lavar roupa, louça, cozinhar e ir à academia. The works.
  • Fim de dia assistindo Blade Runner. É um filme que é melhor (pra sua saúde mental) quando você não o entende. Depois de entendê-lo, ele fica, sim, muito melhor como experiência estética, mas consideravelmente pior pra sua saúde mental. Engraçado que estou tendo o mesmo sentimento com a releitura de The Big Sleep. Chandler e Blade Runner são primo-irmãos.

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