A Patrulha da Desgraça

Sempre dou graças a Deus pelas invasões inglesas aos Estados Unidos. No Rock, os Beatles mudaram tudo, mesmo com aquele visual careta que depois ficou doidão. No cinema, os publicitários ingleses ensinaram a Hollywood uma nova estética que foi a única coisa de interessante que restou nas telas dos anos 80, depois que o blockbusters comeram vivo o cinema autoral dos 70. Nos quadrinhos… Moore, Pat Mills, Gaiman, Morrison. Morrison.

Pra mim, tudo começou com uma edição americana de Animal Man achada na Siciliano do Rio Sul. Era uma das histórias que fazia parte do ciclo da Invasão, mas não parecia com nada do que eu tinha lido. Um super herói suburbano, com mulher e dois filhos, vestindo uma jaqueta de couro que nada combinava com o seu colant, tentando voltar pra casa, esbarrava com uma invasão de robôs desastrados liderada por um vilão com cancer que queria se suicidar. Sim. Era isso. Só isso. E tudo isso.

Acompanhei todo o arco de Animal Man até o momento em que Morrison aparece na história para explicar o segredo do universo: todos somos ficção. Eu acreditei e acredito até hoje. Óbvio que ia ler e seguir a sua fase na Patrulha do Destino. O seu ciclo na Patrulha terminou como em Homem Animal, com uma história fora do padrão onde tudo não passava de uma ficção na mente de Crazy Jane. Ou não. Uma ficção mais forte que a realidade, como são todas.

Um pequeno aparte. Uma coisa que sempre me incomodou foi essa tradução de Doom em português para Destino. Sim, faz sentido, por exemplo, no caso do Dr. Doom, mas é pomposo e vago, com o propósito de gerar a sensação de terror por algo iminente.. Para a Patrulha nunca ficou bom. Devido às suas origens e ao (desculpe) seu destino, faria muito sentido chamá-la de Patrulha da Desgraça. Fim do aparte.

Quando fiquei sabendo da série de TV, fiquei ressabiado. Será que iam conseguir ou querer seguir os seus passos? Cheguei numa idade em que tenho boas justificativas para não querer me frustrar mais com as ficções nas quais vou fazer investimento libidinal. Depois de consultar amigos de bom gosto, me enchi de coragem e vi o primeiro episódio. Sinceramente, dentro dos limites da Warner, acho que foram muito além do que eu esperava. Vamos torcer que a esquisitice continue. Sempre.

 

“Bona to Vada”, Patrulha do Destino. Saudades.

 

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