Arquivo do Autor: Lisandro Gaertner

Sobre Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

2026.06.16 – “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”

  • As melhores boas notícias são as inesperadas. O mais interessante é que assim que as recebemos, temos completa impressão de já as termos previsto, o que em nada diminui a surpresa e a satisfação de recebê-las.
  • Infelizmente, o pessimista em mim não deixa de lembrar que não é seguro levar “flores para a cova do inimigo”. Mas posso curtir um pouquinho, não?
  • Fui almoçar na Leiteria Mineira pra comemorar, meu garçom preferido voltou e quando fui pagar, pulou da minha carteira uma mensagem de um biscoito da sorte. Um prazer viver sob esses auspícios. Pelo menos um pouquinho.
  • Por outro lado, é um pouquinho triste que precisemos gastar nossos grandes sonhos com respeito e paz de espírito. Isso deveria ser o default, mas, infelizmente, não é.
  • O que ocorre mesmo depois da morte de César? Preciso reler a peça.
  • Há 32 anos Celine e Jesse se encontraram em um trem. Espero que estejam bem.. Eu estou. Hoje.

2026.06.14 -“Fighting dragons in my mind, (in my mind) just for kicks”

I Live to Write & Write to Live — Eddie Munson ~ The Adventurer and the Dungeon...

  • O Brasil não ganhou, nem perdeu; nem quem jogou com (contra?) o Brasil (Marrocos, certo?) perdeu, ou ganhou; mas, de alguma forma, d’après Dilma,  ninguém ganhou e todo mundo perdeu (ou vai perder).
  • Tem anos que não bebo e hoje acordei numa bruta ressaca sóbria. Deve ter sido a excitação e o excesso de contato social concentrado. Não fui feito pra esportes de interesse de massa.
  • Artigo da pós escrito. Uma viagem emocional sobre ser livreiro. Ao mesmo tempo recomendo e não recomendo. É ótimo, mas causa danos indeléveis na alma.
  • Voltando pra minha zona de conforto e preparando a sessão de RPG da quinzena. Impossível não lembrar da palestra sobre RPG como Design de Experiência que vou dar essa semana. É tão fácil a gente contradizer os nossos posicionamentos com a prática, mas não deveríamos.
  • Sessão terminada. Pouco a dizer. A não ser:

Meme com a ilustração em azul de um menino e uma menina com roupas escolares antigas segurando uma flor gigante, onde podemos ler "Jogar RPG gostoso demais"

2026.06.12 – “Hey, Lord, you know I am tired”

Hey, Lord, you know I’m tired Hey, Lord, you know I’m tired of tears Hey, Lord, just cut me loose Hey, Lord, you know I’m fighting I’m sure this world is done with me Hey, Lord, you know it’s true Now the tide is rolling in, I don’t wanna win Let it take me, let it take me I’ll be on my way, how long can I stay In a place that can’t contain me? Hey, Lord, you know I’m tired Please, don’t say you need me Release me, believe me One day, you will see me 

  • Como Euphoria tinha tantas coisas boas e conseguiu ao mesmo tempo ser tão ruim? Não sei como responder isso. Vai ver até sei, mas, cá entre nós, estou cansado. Deu pra perceber?

2026.06.11 – “You’re still here? It’s over. Go home.”

  • A quebra da quarta parede é um alívio. Não só para o público, que descobre contar com um cúmplice na sua percepção da vida (ou da ficção) como uma farsa, como para os personagens que conseguem quebrá-la, por não se sentirem sozinhos num mundo cheio de atores interpretando inconscientemente papéis que não escreveram. Às vezes, sinto falta dessa válvula de escape. Amizades verdadeiras são construídas por e nessas quebras. As pessoas nas quais confiamos de fato são aquelas para as quais podemos olhar durante a exibição do teatro da vida e sussurar “isso não pode ser real”.
  • E, não, não é.
  • Tive um longo sonho sobre isso. Eu voava (odeio voar) num DC-10 e ele tinha que fazer um pouso de emergência na quina do telhado de uma vila italiana numa encosta num morro do bairro da Urca. A Samanta Alves, pra não dizer que nunca sonhei com influencer, me ligava de vídeo pra me zoar do meu medo de voar e eu retrucava: “Se ferrou você que eu estava certo. Ninguém morreu, mas o avião caiu”. Bom, talvez não seja exatamente sobre isso, mas tem a ver com quebras de quarta parede. Quebrar a quarta parede é entender que no final, mesmo que todos morram, todos se salvam, e nada é realmente importante, não? Se for, todo sonho é uma quebra gratuita de quarta parede no nosso dia a dia.
  • Talvez seja esse a razão do sucesso da IA como companheiro de conversa. Ela serve de destinatária da piscadela que a gente não confia dar pra mais ninguém. Tá bom, isso até explica, mas, na boa, é triste pacas.
  • Saudades da piscadela do Ferris. Hoje faz 40 anos. Ao mesmo tempo parece que foi e que tem séculos que pudemos tirar essa folga com ele.

  • E você? Tá indo pra onde? Ah, não vai, não. Fica. Vai ter bolo. Ou, talvez, vamos levar um. Não sei o que é melhor.

2026.06.10 – “The Human Race is becoming a DisgRace”

  • O ser humano é o único animal que por suas características neurofisiológicas é suscetível a ficar assombrado pelo passado e obcecado pelo futuro. E/ou vice-versa. E, pra piorar, ainda acha que viver na gangorra da depressão e da ansiedade é “evolução”. Fala sério!
  • Muito me espanta que, nessa época em que, se a gente se organizasse direitinho, dava pra toda a humanidade viver com paz e conforto, a gente continua se matando por aí por medo e ganância. É uma pena termos tão poucos virginianos no mundo pra cuidar dessa tarefa.
  • Tá bom, não vamos estereotipar. Também tem um bando de virginianos terríveis e cruéis.
  • O pessoal fala que estamos muito próximos da Idiocracy, sim, estamos, mas, na minha opinião, a proximidade é no retrovisor, pois já passamos dessa época. Estamos nos aproximando mesmo é do mundo de A Máquina do Tempo. O problema é que nessa briga em Elois e Morlocks (existe diferença, afinal?), sorry, acabo torcendo pra briga.
  • Pós-pós-apocalypse, vivemos num constante desintegrar do pior em direção a um “vocês não vão acreditam, mas piorou”. Nesse cenário, não sei se o Afrika Baambata ter se mostrado uma desgraça tira ou aumenta o mérito de World Destruction como peça profética. O John Lyndon, a gente sempre soube que não prestava.
  • Enfim, não há mais salvação. Ou há. Vai saber? Tudo depende do próximo fim de semana.

2026.06.09 – “Hot Topic is the way that we rhyme”

  • Quem curtia reclamar das produções usando Stock Photo e Video está mordendo a língua depois de ver tanto AI Slop por aí. O que incomoda não é a qualidade das imagens, que, sim, está melhorando, mas como essas ferramentas denotam não só uma falta de criatividade, mas especialmente uma completa falta de paixão pelas coisas. É como receber um cartão genérico no dia dos namorados, meias no dia dos pais ou flores da banquinha da esquina no dia das mães. Pouco esforço pra um resultado pífio que não interessa a ninguém. Proforma às vezes pode ser pior que o esquecimento inconsciente ou a inação deliberada.  No erro existe ainda um resquício de humanidade. Agir de forma protocolar é simples automação sentimental.
  • Talvez a pior parte da IA é que ela não só se tornou o único tópico como tudo o que vemos desconfiamos (pelo menos, eu desconfio) ser produção de IA. São Tomé, nos proteja.
  • Outro problema é que não somos só nós que estamos treinando a IA, mas ela que também está nos treinando. Ô Cride, fala pra mãe que a IA, quer dizer, a televisão me deixou burro, muito burro demais.
  • We are the robots?  We wish.