Arquivo da categoria: Ensaios

#occupytheoffice

8:16

Roberto chega ao escritório vazio esperando imprimir na surdina uns capítulos do livro da pós antes que o chefe chegue. Liga o computador, que demora 15 minutos para passar todas as diretivas de segurança, abre o arquivo em seu pen-drive e o envia para impressão.

Erro: Impressora não encontrada

Roberto se levanta e vai até o canto onde a impressora fica, ou, melhor, ficava. No lugar há apenas um cartaz:

Devido à redução de custos e em prol da sustentabilidade, essa impressora foi retirada. Para imprimir algo, favor enviar o arquivo e as páginas que devem ser impressas para a recepcionista do 14o. andar.

8:55

Cláudio chega ao escritório reclamando do trânsito gerado por mais uma manifestação que o fez se atrasar 50 minutos. Sem resposta, procura por Roberto e o encontra fulo da vida tentando ler apressadamente o livro da pós na tela do computador.

– Um absurdo, um absurdo- ele repete. Continue lendo

Os livros que me fizeram mal na infância

Um dos rituais que mais me agrada no início do ano é a limpeza das estantes. Confiando na velha máxima “comprar mais livros do que consigo ler é crer na imortalidade”, abarroto, todo ano, a minha pequena biblioteca com mais do que ela pode comportar. Com aquele livro que comprei pra falar mal, e nem li; com a biografia daquele sujeito com o qual fiquei obcecado por exatamente 34 horas; ou com os jogos e quadrinhos que readquiri numa tentativa infrutífera de reviver tempos que não passam mais. Acreditem, no final contas, somando aos livros que mereciam ser comprados, não é pouca coisa. Chega uma hora que todo esse suporte emocional de papel começa a causar um peso excessivo nas minhas finanças e na estrutura física da minha casa. Por isso, preventivamente, tiro das minhas estantes tudo aquilo que farei circular pelo mercado de usados. É quase como um cateterismo em que as obstruções das minhas veias de leitor vão parar na lanchonete da esquina para o prazer alheio.

O engraçado é que tem livros já lidos que sempre sobrevivem a essa limpeza. A maioria por utilidade de consulta, desejo de releitura ou simples valor afetivo. Alguns, especialmente alguns infantis, escapam há anos desse ritual por serem, além de tudo, simplesmente meus livros de formação. Ou melhor, má-formação. Continue lendo

Não vou Blogar mais

Todo final de ano é a mesma coisa. Pelos blogs sobreviventes e até pelos mortos vivos, os amigos avisam uns aos outros: “Em dois mil e (insira o ano) irei blogar mais”. O desejo é compreensível. Afinal, de 2001 a 2005, antes das redes sociais e afins, aquele foi um espaço de discussão muito bom. Um post por dia. Uma dúzia de pessoas para ler. Um viral por semana, e só. Uma vida mais calma e tranquila. Curtida mesmo. Quase cidade do interior de poema do Drummond. Continue lendo

Um feliz fim do mundo pra você

Enfim, o fim do mundo chegou. Já estava mais do que na hora. Desde os meus 5 anos, nos estertores da guerra fria, quando a situação esquentava com a invasão do Afeganistão e tal, eu esperava por esse momento. Minha mãe, do alto do seu treinamento paz e amor nas praias do Arembepe, me instruía:

– Meu filho, se tiver uma luz muito forte, não olhe para ela. Esconda-se atrás de algo de metal, de preferência, e, assim que o clarão acabar, tente juntar o máximo de comida enlatada e água engarrafada que conseguir. Ah, e não esqueça das pilhas, né? Como é que a gente vai viver depois do fim do mundo sem pilhas, não é mesmo? Continue lendo

Cinema? Porque sim!

Não sei exatamente há quanto tempo o filme foi lançado mas até agora não vi Os Vingadores. Acredito que alguns que me conhecem estejam muito espantados com essa afirmação, logo eu, mó fã de quadrinhos, ainda não vi os Vingadores? É, verdade, e, pra aumentar ainda mais a sua surpresa, confesso: não estou lá muito animado a assistí-lo. O problema, acredito, não está com os heróis mais poderosos da Terra, mas com o cinema como um todo. Não sei como vocês tem lidado com o cinema atualmente mas eu tenho me sentido cada vez menos inclinado a ir. Continue lendo