Fiz um compromisso comigo mesmo de escrever pelo menos 250 palavras por dia. Em alguns dias isso é fácil. As 250 palavras rapidamente se tornam 1000 sem esforço ou cansaço. Em outros, 250 palavras é quase uma maratona, como hoje. Justificativas para não escrevê-las eu tenho. Muitas. Inclusive posso emprestar algumas para aqueles que quiserem desistir de uma empreitada similar. O trabalho, a filha pra nascer, o cansaço, a falta de inspiração e assim por diante. Mas, como dizia um velho amigo meu, para não fazer algo existem mil razões, para fazer, apenas uma: querer. Continue lendo
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Alta e Ansiedade
Não sei se foi a primeira, mas, se não foi, me marcou como tal. Eu tinha entre 15 e 16 anos, estava em casa, de noite, sentado à mesa de jantar assistindo TV. De repente, comecei a me sentir mal. Minto, não exatamente mal, mas, por mais idiota que isso pareça, estava ansioso. Tinha a clara e indiscutível sensação de que algo (ruim) ia acontecer. Tentei me acalmar e me concentrar na TV. Impossível. Tanto pela qualidade do que assistia quanto pelo que estava sentindo. Se ficasse alí, parado, como estava, eu sabia que algo de ruim ia acontecer. Por isso, decidi (?) que precisava sair. Continue lendo
Não tenho nada a ver com isso
Ontem, no caminho do cinema, caminhando lentamente com a minha mulher grávida, fui surpreendido por uma pedestre. Estávamos subindo um pequeno pedaço de ladeira quando ela veio por trás de nós batendo os pés:
– Sai da frente que eu estou com pressa. Continue lendo
Gravidez, esporte coletivo
Tudo começa com a suspeita. Atrasou? Atrasou. Quanto? O suficiente. Vocês vão comprar o exame. Na farmácia. Qual eu escolho? Todos são tão parecidos. Sei lá. Qualquer um. Compra um nem muito caro, nem muito barato. OK. OK. Qualquer um. Aí surge o primeiro participante. O farmacêutico. Parabéns. Parabéns pelo o quê? Você sabe. Ainda não sabemos. Eu sei. Parabéns. Continue lendo
Acumular? Desculpe, não estou interessado
A gente tem uma mania esquisita de ver as coisas como processos acumulativos. Eu ia escrever evolutivos, mas não era exatamente o que eu estava pensando. No processo evolutivo as coisas mudam e, eventualmente, o passado é abandonado em prol da nova estrutura. No acumulativo, há uma sensação de mudança mas estamos apenas construíndo por cima algo que aparentemente substitui o anterior, mas em nada modifica o seu conceito original. É uma versão pretensamente aprimorada da anterior, mas nunca nos deixa esquecer de onde o conceito original veio. Temos carros mas continuamos nos referindo à sua potência em cavalos de força. Temos os e-books e ficamos eternamente os comparando aos de papel. É uma espécie de nostalgia obrigatória que nos impede de realmente dar saltos revolucionários. Continue lendo
O Ganhador
No dia seguinte à grande vitória, Ernesto acordou de cabeça cheia. Não era pra menos. Tinha de tudo alí: as infinitas cervejas do dia anterior; a ansiedade e a expectativa pelo resultado; a excitação da competição; a rivalidade aberta contra seus inimigos; e, óbvio, a grande consagração, sua e daqueles por quem torcia. Levantou devagar tentando equilibrar a cabeça mas a ressaca era forte. Mesmo com muita dor foi correndo tomar banho. Precisava gritar ao mundo que era um vencedor. Continue lendo