(Não) Bata na Toupeira

Pode ser o estado de graça, aquele momento pós luto, ocasionado pela pandemia falando, então dê um desconto.

Assisti ao debate do Biden com o Trump, por conta de um amigo que ficou me provocando com discussão política no whatsapp, e confesso que fiquei feliz. Tive a impressão que o movimento fascista comandado pelos intelectualmente deficientes está chegando ao fim. Óbvio que tem bastante de desejo nessa observação, mas a impressão é que as consequências da ignorância e da incompetência na resolução dos problemas econômicos, políticos e da crise pandêmica mostrou à população, ou pelo menos a parte dela, que não é bem por aí.

Fiquei pensando se não há nada de positivo nesse hiato, nessa apnéia cognitiva que estamos vivendo. Um ponto que identifiquei foi que esses espasmos ditatoriais tiram da toca as toupeiras que se mantêm caladas nos tempos de prosperidade. Como no jogo Bate na Toupeira, o Wack-a-Mole, é só um ditador wanna be começar a ter destaque que elas põe a cabeça pra fora pra apoiar e fazer coro com as ideias com as quais sempre concordaram, mas mantiveram escondidas pois estavam com dinheiro pra ir pra Disney.

Ao contrário do que acontece no jogo, depois de expulsarmos esses ditadorzinhos, a gente deveria utilizar essa oportunidade para dialogar com eles e introduzi-los no debate democrático ao invés de tentar marretar as suas cabeças. Talvez seja esse o nosso erro. Ao invés de ouvir suas necessidades e reclamações e compor um espaço de diálogo para tratarmos essa sua compulsão com a violência e com a necessidade de proteção, a.k.a. medo,  a gente os isola. Sempre que esses períodos ditatoriais passam a gente esconde tudo embaixo do tapete e os deixa calados no canto da festa. E isso, já vimos, não melhora ninguém.

Precisamos de um processo de reparação onde a gente discuta, sim, os seus erros, mas construa em conjunto estratégias que os protejam do autoritarismo quando fusíveis, como o preço do dólar, representatividade social, e afins, ativarem seus gatilhos. Como já disse muitas vezes, o problema do Brasil não se resolve com polícia, nem com política, mas com psicanálise.

Eu sei. Talvez eu esteja sendo otimista e indulgente demais, mas, como disse antes, dê um desconto, pode ser a pandemia falando. Mas, por enquanto, me deixe aproveitar um pouquinho essa sensação de que as coisas podem melhorar.

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