O Caminho sem Volta de São Pedro

Hoje se comemora o dia de São Pedro, o homem das chaves do céu. E também o homem das chaves do catolicismo. Como primeiro bispo de Roma, a.k.a. o PAPA, ele foi a pedra (Pedro, pedra) onde a Igreja como instituição foi erguida.

Pouca gente lembra como ele morreu. Foi, como diversos mártires, crucificado, mas de cabeça pra baixo. Dizem que por pedido dele mesmo que não se sentia no direito de ser crucificado em pé como Cristo. Um possível sinal de humildade, ou, quem sabe, da culpa de ter negado Cristo 3 vezes.

Tem umas teorias que o identificam na carta do Enforcado do Tarot, por estar ele de cabeça pra baixo preso a uma árvore. Na mesma carta tem gente que vê Odin, dependurado também de cabeça pra baixo em Yggdrasil por 9 dias e 9 noites para aprender sobre os outros mundos e sobre as runas. Conta a lenda que Yggdrasil, meio como a árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, tem a resposta para todas as perguntas humanas e suas folhas podem ressuscitar os mortos.

A carta do Enforcado é a carta de número 12. É a carta que está no meio do Tarot. Por representar o sacríficio humilde e voluntário em busca de iluminação, dentro do ciclo do herói representado pela progressão dos Arcanos Maiores, é o que se chama na teoria narrativa de Point of no Return, o Caminho sem Volta. É o momento da história onde o herói perdeu o contato com passado, não tem nada a perder no futuro e, sem escapatória, só lhe resta completar sua aventura. Para o bem ou para o mal.

São Pedro e suas chaves são esse Caminho sem Volta. Eles não representam o fim, mas o meio da história. Você viveu na Terra e agora suas ações vão te levar a uma nova aventura, agora espiritual, customizada pelo que sua história material representou.

Esse 29 de junho, entre o solstício (de verão ou inverno, dependendo do seu hemisfério) e o dia 2 de julho (o meio do ano), é um ponto de impasse e reflexão. No meio da Pandemia, oprimidos psicológica, política e economicamente, não temos volta, pois o mundo de onde saímos não existe mais. Por isso somos obrigados a completar a nossa aventura. Se a conduziremos pelo céu ou pelo inferno apenas o nosso comportamento prévio irá dizer. E Pedro não nos julgará. Ele apenas fará com que colhamos o karma que plantamos no primeiro e segundo atos de nossas vidas.

As chaves do Céu, e do Inferno, quem diria?, sempre estiveram em nossas mãos. Abre a porta, Pedro.

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