Ir ao conteúdo

Poesia precisa de prefácio?

Esse texto foi escrito para abrir o livro Passione Poética: & Poemas Entrecortados de Marcos Khan, já disponível na Amazon. Vou dizer pra vocês, nada mais difícil que escrever um prefácio. Sempre sai errado. Vejam aqui o quanto errei.

Hoje, flagrar alguém escrevendo poesia é como pegar um familiar num ato de perversidade sexual:

“Mas logo você? Por quê? POR QUÊ?”

Nessa época em que todos nos tornamos gera-dores de conteúdo para encher os vazios imencionáveis da nossa existência pós-pós-pós, a poesia foi a única forma de manifestação humana que não mereceu uma rede social exclusiva para se aproveitar do nosso trabalho digital escravo. Por quê? Eu tenho minhas suspeitas.

Poesia requer tempo. Tanto do autor como do leitor. Uma vez, numa oficina de contos na saudosa estação das letras, ouvi o grande Paulo Scott declarar:

“Ler poesia requer disponibilidade para embarcar na viagem do outro”

Fato. E num mundo cheio de espelhos, a quem importa tentar vivenciar e embarcar na subjetividade alheia?

Poesia não quer nada. E quer tudo. Por isso não tem objetividade, nem funciona como o tão desejado “call to action” das agências de publicidade (ainda existe isso?).

Ao terminar de ler um poema, você não sente vontade de consumir nada. Quando muito de dar um longo suspiro e pensar na pessoa amada.

E por último, poesia é… poesia… enfim, poesia é poesia.

E, por mais que nos Instagrams da vida, vez ou outra, surja um poeta de pé quebrado, rimando mulher com colher, e esperando ser convidado para declamar em festas de 15 anos de futuras socialites prafrentex, poesia deixou de ser um esporte popular. Tanto para assistir, como para praticar.

Então, ao descobrir Marcos Khan como poeta, me fiz a mesma pergunta que o mundo faz a qualquer poeta: “pra quê?”

Pra que escrever sobre o cotidiano de casais apaixonados?
Pra que expor seus encontros de civitate andante com as mazelas da cidade?
Para que nos lembrar que é possível sentir falta dos outros e degustar o sabor da saudade?
Pra que usar rima, métrica e redondilhas, nos fazendo fazer acrobacias verbais e orais em aliterações, numa linguagem de emoções que não cabe em 280 ou 140 caracteres?
Pra que exacerbar o sentimento e capturar os momentos do amanhecer e do anoitecer na espera do corpo da sua paixão?
Pra quê?
Pra quê?
Pra quê?

Eu lhe digo pra quê.

Marcos Khan, seguindo o conselho do melhor pior professor do mundo, Mr. Keating, faz o uso da linguagem pura, para o que ela foi inventada: cortejar as mulheres, e, por tabela, o mundo que nos cerca.

Há missão mais nobre que essa? Não precisa responder, leia seus poemas e veja o que ele tem a nos dizer sobre isso.

Então, saia de suas redes sociais, desligue seu celular e demais eletrônicos, e se permita viajar pela sua subjetividade, tomando o seu papel, ou o papel da sua musa, Cristiane, e o encontre andando sobre os versos que cobrem seu caminho pelas ruas de um Rio de Janeiro que não existe mais, mas deveria.

Pra quê? Você quer mesmo que eu repita?

Publicado emArtigos

Seja o primeiro a comentar

Fala aí

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.