Tempo

Fugimos do tempo de várias formas. Ou melhor, tentamos fugir de várias formas. Tentamos dormir, ou nos embriagamos para tal, esperando ele passar. Nos ocupamos com tarefas triviais ou rezamos, torcendo que o que fazemos com ele nos leve até onde queremos ir. E, às vezes, contrariando toda a lógica, corremos dele, fisicamente, como se pudéssemos escapar de quem sempre nos acompanha.

Mas não funciona.

O tempo sempre está lá, até talvez porque não esteja. Talvez a expectativa do antes e a memória do depois sejam ilusões proporcionadas por transformações físicas num cenário que só existe no agora.

Carregamos nossas memórias, expectativas e sensações como um lembrete, uma esperança, uma prova de que estivemos, estaremos e estamos aqui. Mas talvez não estejamos.

Talvez sejamos apenas um detalhe desse cenário aparentemente mutante que pode seguir caminhos inesperados e contraditórios. Para o tempo existir ele deveria fazer algo que não faz: sentido.

Por isso, enquanto espero que o cenário seja outro, sem saber se ele de fato chegará lá ou se realmente estou aqui, finjo assistir a mudança das estações num vídeo que simplesmente repete a oração que todos fazemos agora: tudo vai passar.

JUTLAND II | Breath of the Seasons from Jonas Høholt on Vimeo.

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