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Todas as previsões, como a do assunto dessa newsletter, são apenas palpites sobre o futuro que só mostram seu valor quando viram passado, ou seja, quando não têm mais valor algum. Pelo menos para nós, consulentes iludidos desses profetas de ocasião.
Como o Exu jogando pedras hoje que atingirão os pássaros de ontem, esses tais oráculos (esotéricos, tecnológicos ou políticos) estão sempre mirando em mudar nossa compreensão da vida que já vivemos com as palavras que lançam agora fingindo mirar no futuro.
Afinal, qualquer coisa que eu venha a lhe dizer hoje sobre algo que irá(?) acontecer no amanhã, só será analisado como verdadeiro se o futuro já for passado. Então, com base nesses chutes, embasados, ou não, em dados, fantasias, desejos ou acontecimentos anteriores, a expectativa é que eu, você, o mundo, tomados por medo e ansiedade, modifiquemos os nossos próprios comportamentos, cognição e atitudes para nos adequar a um futuro que ainda não aconteceu.
Porém, toda vez que me preparo para o que disseram que será (mas ainda não é), não estarei preparando o terreno para aumentar as chances de que a profecia (que poderia ser mentira) se torne uma verdade? Posso crer, então, que toda profecia se tornará, em maior ou menor grau, uma espécie de destino inescapável?
Enquanto continuamos angustiados com esse futuro que não conseguimos prever, entregamos as nossas expectativas de futuro na mão de máquinas que já começaram a decidir quem vive e quem morre nas filas dos hospitais de Minas Gerais. A impressão que tenho é que não somos mais os agentes dos nossos próprios futuros, mas objetos de abjetos algoritmos que, imbuídos da chancela de uma cruel meritocracia de dados, decidem por nós as profecias do futuro que eles mesmos farão acontecer.
Quem poderia prever que a profecia autorrealizável da Skynet feita por James Cameron em O Exterminador do Futuro seria cumprida por Romeu Zema? Eu não. Infelizmente isso não a torna menos real. Infelizmente isso só a torna mais absurda e mais dolorosa. |
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[arma.zen] é uma newsletter bissexta com informes, pensamentos e devaneios da minha mente para alimentar, desvirtuar ou iluminar a sua. |
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Os pensamentos intrusivos, mas indispensáveis, descritos acima são um "oferecimento" do AI Survival Club, da especialista em Ética para IA Catharina Doria. Nesse grupo todo mês discutimos um livro diferente sobre os perigos da Inteligência Artificial. A leitura de junho é Prophecy de Carissa Véliz, que nos mostra como as previsões sobre o futuro não passam de ferramentas usadas por governos, elites e alguns bons trambiqueiros para exercer o poder sobre nós, ingênuos (des)crentes, e como entregar o processo de formulação dessas profecias burocráticas à IA nos alienará ainda mais, tornando o caso de Minas apenas o primeiro entre milhões.

Nesse TED Talk com a autora você já pode ter um gostinho da sua argumentação. Se quiser participar do clube do livro, que esse mês contará com a participação da autora, ainda dá tempo! |
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Agora dando um alívio da IA e nos voltando para atividades (por enquanto) bem humanas, na próxima quinta-feira, dia 18 de junho, a partir das 18:30, participarei da Oficina de RPG na Game of Boards. Nesse encontro darei uma mini palestra sobre Role-playing Games como ferramenta de Design de Experiências. A ideia é discutir os limites entre provocação, dinâmica, narrativa e jogo na construção de experiências lúdicas colaborativas. Doido, né?

Para se inscrever só é preciso entrar nesse grupo de whatsapp e dar um alô!
Ah, pra ter aquela experiência gostosa da praça São Salvador, mesmo sem morar nas redondezas, não deixe de conferir minhas colunas no jornal alternativo República. República é uma publicação independente liderada e editada por Ricardo Linck, jornalista e proprietário do Maya Café na General Glicério, onde faço às vezes de "correspondente internacional". Uma das últimas foi sobre a feijoada de São Jorge que rolou aqui na Praça.

Não sou IA, mas minha bola de cristal tá me dizendo que vou te encontrar na Game of Boards e ser lido por você. Ou não. Sei lá. Pra quem não é guiado por algoritmos o futuro parece tão incerto... Graças a Deus! |
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- No plano analógico da existência, tive a felicidade de ir bastante ao cinema nos últimos dois meses, graças a uma promoção do Clube da Pipoca. Assisti dos mais doidos e independentes filmes envolvendo Charli XCX, Jim Jarmusch e Kristen Stewart, até uma discussão de ficção científica sobre uma terceira via para a masculinidade tóxica, passando pela sequência mais safada, porém honesta, de um blockbuster que não(?) merecia uma continuação.
- Estou terminando a minha pós em Gestão Editorial e nas últimas aulas refleti muito sobre a ansiada Comoditização do Livro no Marketing Editorial e sobre a falácia das Comunidades de Leitores.
- Pra quem quer se sentir velho, um aviso de aniversário: a quebra da quarta parede de Ferris Buelller fez 40 anos essa semana.
- Semana passada,fui na Feirinha Literária de Santa Rita e, apesar de toda a minha fobia social, adorei.
- Comecei a (re)rever Curb your Enthusiasm e percebi que, além de um profeta, Larry David é surpreendentemente um grande estereótipo do Rei de Espadas.
- Sim, infelizmente, e sem surpresa alguma, a raça humana continua uma desg-raça.
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A única profecia autorrealizável que me proponho a fazer sem medo de errar é que a próxima edição dessa Newsletter irá aparecer nas suas caixas de correio eletrônico, sim, mas provavelmente bem depois do esperado e certamente num formato diferente deste aqui. Afinal, se tenho uma certeza é que eu, mesmo mudando, já não mudo mais e estou cada vez mais igual. Lamento pela minha inconstância e organicidade anticorporativa, mas como já dizia o Cuarteto de Nos, "Ya no sé qué hacer conmigo".
Já sobre a bazófia da newsletter se tornar a mais lida do mundo e me obrigar a escrever outra mais rápido do que esperava, na boa, não colocaria minhas fichas nisso, não. Porém, como toda profecia, ela só depende de você (e de mim, óbvio) pra se realizar. Será que vai rolar? Você pode fazer um esforço e mandar ela pra alguém. Vai que...
Mas, melhor não pensar nisso. Vamos manter a calma, a paz de espírito e aceitar o que vier, sem expectativas ou ansiedades. Sim, eu sei, é difícil ter todo esse desprendimento, mas, pode crer, vale a pena tentar.
Por falar nisso, eu estou aqui com a sensação mística que você, nos próximos dias, vai tentar relaxar, e deixar as coisas fluírem sem grandes ambições, certo? Ou será que até essa previsão eu também vou errar?
Acertando ou errando, receba meu abraço e te espero na próxima comunicação do [arma.zen] (seja ela quando for).
Inté! |
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Lisandro Gaertner
Caixa Postal 16260 Rio de Janeiro – RJ 22221-971
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