Arquivo do Autor: Lisandro Gaertner

Sobre Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

A vilania vulcana

Picard vem comprovando a tendência que começou em The Undiscovered Country de colocar os Vulcanos como os grandes ideólogos e manipuladores da Federação. O mundo lógico e ético que se prometia nos anos 60, através de Spock, o meio humano, meio vulcano bastardo, se tornou uma ditadura secreta do pragmatismo e do objetivismo.

Spock, como cria de dois mundos, era um utilitarista, democrata, a lá John Stuart Mills. Os Vulcanos frios, porém aparentemente bem intencionados, talvez sempre tenham sido os objetivistas, seguidores de Ayn Rand, que vemos claramente agora nas novas séries.

No fim, é apenas um reflexo das eras. Nos anos 60 queríamos um mundo ético e lógico, meio hippie, mas funcional. Hoje sofremos na mão de uma proto lógica inescapável que se justifica por esse pastiche de meritocracia tecnológica e eficiente, mas não eficaz. Claramente estamos no limiar entre a tecnocracia e o tecnopólio.

Mas pra falar a verdade, o que realmente me incomoda nisso tudo é que Star Trek deixou de olhar para frente para focar no agora.

Talvez essa seja a diferença entre as distopias e as utopias. Nas utopias somos hipermetropes e olhamos para o distante em detrimento do que há agora e dos custos para se chegar ao futuro. Nas distopias somos míopes, impossibilitados de ver o que está a um palmo, focamos nos detalhes na frente do nosso nariz.

O conflito entre Prometeu e Epimeteu continua, agora com vantagem pra Epimeteu.

Perdidos no Espaço Familiar

Nessa entressafra de séries, ainda na ressaca do fim de The Good Place, acabei retomando a segunda temporada de Lost in Space. Na época da primeira, um amigo, fã hardcore de FC, reclamou a beça do modelo familiar torto que os Robinsons tinham adquirido nesse remake. O engraçado é que foi exatamente isso que me atraiu na série. As falhas dos pais, rigidez emocional paterna e manipulação materna, eram os espelhos dos exemplos negativos que Will Robinson ia buscar: o robô frio mas protetor e a mãe enganadora mas carinhosa representada pela nova dra. Smith. Tudo e todos rodavam em torno da resolução das carências de Will. Exatamente como na série anterior, somente mais explícito e psicanalisado.

Nome e Sobrenome

Oi, tudo bem? Podia fazer o meu crachá de novo? É que o meu nome tá errado. Onde? Aqui, ó. É LisanDRO e não LisanDRA. OK. OK. Sem problemas. É um erro comum. Não é a primeira nem a última vez que vai acontecer comigo. Também, cheio de Lisandra por aí e quase nenhum Lisandro. A não ser na Argentina. Lá o nome é bem mais comum. 

E o pior, sabia?, é que Lisandra não faz o menor sentido. Sério. Afinal, ANDRO é homem. É, não tem ANDRA. Meu nome, por exemplo, é LIS-ANDRO. Lis, flor; andro, homem; Homem Flor em grego. De onde? Coisas da minha mãe. Ela queria botar em grego: Lysander. Sei lá por quê. Tinha uma história que o Lisandro grego, o original, foi um espartano que, cheio de esquemas, conseguiu dominar Atenas. Lisandro, o tirano de Atenas. Doido, né? 

Uma vez li um artigo de um psicanalista italiano falando que a escolha do nome tem a maior implicação no nosso comportamento, porque é o indicativo das expectativas dos pais. E eles tendem a te criar tentando cumprir essas expectativas. Aí eu fico pensando: qual era a expectativa da minha mãe? Que eu dominasse através da astúcia uma comunidade rival que se gabava justamente da sua inteligência? Expectativa nada difícil de cumprir, né? 

O meu sobrenome? Pra quê? Ah, pro crachá novo. Se prepara: Gaertner. Deixa eu soletrar. G-A-E-R-T-N-E-R. Complicado, né? Com primeiro e último nomes desse jeito, não tem como acertarem. A pronúncia ainda é complicada: Guértiner. O pessoal lê e diz Gaértiner. Mas eu nem ligo. Tem um tio da minha mulher que eu conheço há 20 anos e me chama de Leandro até hoje. Vou me ligar com o sobrenome? 

Não, o sobrenome não é alemão. Na época que a minha família veio pra cá nem tinha Alemanha ainda. No máximo é Austro-Húngaro. É nome de cristão novo, sabe? Os judeus pra fugir das perseguições trocavam seus nomes pra nome de árvore ou de profissão. Gaertner, por exemplo, é Jardineiro. E eu ainda sou Oliveira, da parte da minha mãe. Dupla ascendência judaica. Pra complicar a minha vida um pouco mais, estudei num colégio católico mega rígido e na adolescência era apaixonado por uma judia. Vivia falando que ia me converter, mas, cá entre nós, não ia ter coragem de passar pela circuncisão já adolescente. Imagina só. Punk.

Como? É, traduzindo o meu nome é Homem Flor Jardineiro. Não, não foi pensado. Mas a coincidência é legal. Será que sou o jardineiro de mim mesmo? Acho que todo mundo tem essa função de se regar e se alimentar, como se fôssemos plantas conscientes. Engraçado, nunca tinha pensado nisso. É uma maneira interessante de ver a vida.

Bom, o crachá tá pronto? Obrigado, querida. Pera ai. Acho que você errou de novo. É LISANdro, e não LISSANdro. Desculpe pedir pra corrigir de novo, mas você sabe como é… Não vai dar trabalho? Que bom. Obrigado.

Calma aí. Escrever CHATO é sacanagem. Pô, a culpa não é minha. Preciso te lembrar que não fui eu que escolhi meu nome? Eu sei que é complicado mas não fui eu que escolhi. Ei, ei, não precisa me chamar de Tirano. Tá bom, eu levo esse crachá com LisANDRA mesmo. Pô, por que tanta complicação só por conta de um nome e de um sobrenome? Onde já se viu? Por falar nisso, qual é o teu nome?

Por que precisamos de Picard

Quando Star Trek foi criado a comoção foi grande. Num mundo extremamente polarizado e a beira da extinção nuclear, éramos confrontados e desafiados por uma série de TV a imaginar um futuro bem diferente. Um futuro sem dinheiro, sem preconceitos, onde a maior força militar da Galáxia era voltada a exploração de novos mundos e civilizações. Exploração, não. O duplo sentido não favorece a explicação da sua missão. Busca ou, melhor, encontro são palavras mais adequadas. Seu propósito era propiciar o encontro entre entes diferentes em busca pela paz.

Óbvio que havia ranços do passado. O conflito com os Klingons e o caráter belicista da Frota Estelar estavam sempre lá para nos lembrar que, embora estivéssemos no caminho certo, não podíamos nos descuidar.

O mundo mudou e Star Trek mudou junto. Nos anos 80, com o fim da Guerra Fria, 25 anos após o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, parecíamos mais próximos desse mundo ideal. Por isso foi tão providencial termos a Nova Geração. E Jean Luc Picard.

Picard, ao contrário de Kirk, sempre propenso a lutar e deixar seus instintos tomarem decisões precipitadas, era ponderado e sábio. Um líder e ao mesmo tempo um team player. Um humanista. Enquanto na Geração Clássica, o mundo ainda meio que buscava ser a utopia que ele era destinado a se tornar, em a Nova Geração assim já o éramos e o desafio era manter esse sonho. Vivíamos numa versão fantasiosa do que os anos 90, com seus mercados comuns, liberação dos costumes, internet e livre expressão, diziam ser.

Os anos passaram. O mundo mudou, assim como Star Trek.

Como qualquer ficção científica, ela espelhou o nosso mundo atual, mas aos poucos foi esquecendo a sua missão de nos fazer olhar pra frente. Esqueceu que seu destino era servir de exemplo e não exaltar o Status Quo. Esqueceu que seu destino não era glorificar as desventuras de um Kirk adolescente ouvindo Beastie Boys, nem transformar Kahn num terrorista sem charme ou sexualizar e imbecilizar Spock. Seu destino não era a comédia, nem a ação. Seu destino ainda era a reflexão. Por isso, precisamos de Picard.

Num mundo novamente polarizado, onde a caricatura se tornou a realidade e a ignorância é exaltada, precisamos lembrar. Precisamos lembrar que o mundo de paz e união que sonhamos é possível, mesmo que a Frota Estelar tenha se tornado populista e corrupta. Precisamos lembrar que todos são iguais, inclusive as formas de vida sintéticas. Que os nossos inimigos, como os Romulanos, podem dormir sob o nosso teto em paz. Que o mundo, que hoje parece tão confuso e ameaçador, pode ser, sim, melhor. E que a Terra é azul e não é plana.

Por isso é tão providencial que Picard e suas Lembranças, no primeiro episódio dessa nova série, venham nos resgatar e ensinar. Ensinar que só com respeito aos antepassados e com amor aos descendentes conseguiremos reconstruir a Utopia perdida dos anos 90 e da Nova Geração. E, assim, entre sonhos e memórias nos vinhedos Picard ouviremos o chamado que nos permitirá “ir aonde nenhum ser humano jamais esteve”. Mais uma vez.

A invasão dos críticos amadores

Hoje em dia, para evitar qualquer papo político, a única opção que resta em conversas com pessoas com as quais temos pouca intimidade é falar de filmes e séries. Mesmo assim, não conseguimos escapar do conflito gerado por posições engessadas e estanques. Sim, é triste, mas não podemos nos esconder dessa realidade. Na política e no entretenimento: somos fãs de polarização.

Enquanto alguns tentam falar da qualidade ou da sua apreciação pessoal dos filmes, outros insistem em evocar a fidedignidade, seja a conceitos, personagens, obras em que foram baseadas, estruturas narrativas e/ou estéticas. Enfim, Fidedignidade. Assunto complexo. Quero dizer, vai ser fidedigno a que?

Se pegar os personagens de filmes de super herói, já dá pra ver como o pessoal complica essa questão. Batman, por exemplo, do trabalho inicial do Bob Kane, que dizem não foi tão original assim; passando pela fase do Bat-Mite, alguém lembra dele?, dos anos 60; e avançando por Neil Adams, Frank Miller e as abominações dos anos 90 provocadas pelo inexplicável sucesso da Image, você tem uma tonelada de referências para se basear. E olha que nem mencionei a fase do Grant Morrison. Ops, tarde demais…

Se nem histórias em quadrinhos conseguem manter essa tal fidedignidade a supostos conceitos originais dos personagens, por que cobramos perfeição de qualquer outra obra de arte? Acho que isso tem um pouco a ver com uma virada de chave que rolou em diversas relações humanas e institucionais causada pelo mito de “O Cliente tem sempre razão”.

Antigamente, a gente, pelo limite de opções, era obrigado a consumir o que estava disponível ou despender energia física e libidinal para conseguir o que buscava. Afinal, ler um livro específico, ver um filme mais difícil de encontrar, ou ter que acompanhar um programa na TV síncrona requeriam planejamento e, algumas vezes, esforço.

Lembro de ter rotina rígida e objetiva de visita a sebos de discos e livros; frequentar cinemas escondidos na Tijuca para assistir a filmes dos anos 30 e 40; e ser sócio de mais de 50 locadoras de vídeo, do Leblon ao centro da cidade, muitas por conta de um só filme. Tanto investimento me fazia aproveitar melhor todas as experiências, de forma existencial e menos crítica. A busca não era pelo melhor, mas pelo mais interessante. E se não fosse interessante, a gente dava um jeito de fazer ficar interessante.

Isso não nos tornava complacentes com a baixa qualidade do entretenimento mas razoavelmente tolerantes e envolvidos. Era como se fosse nossa responsabilidade NOS divertirmos. A pergunta era: o que podíamos tirar de melhor das experiências que vivenciávamos?

Quando a quantidade de conteúdo disponível começou a aumentar e o nível de esforço para encontrar o que queríamos diminuiu, a preocupação e o trabalho passou a ser de curadoria. Atualmente, investimos nosso tempo e dinheiro em buscar as experiências que consideramos melhores, a.k.a. mais adequadas aos nossos gostos.

Nessa loucura de encontrar o entretenimento certo para o momento certo, viramos escravos de listas de 10 mais, 10 menos e 10 mais ou menos. É o inferno particular do protagonista de Alta Fidelidade. Só nos justificamos como seres humanos se provarmos que temos não só bom gosto mas um gosto melhor do que o dos outros. Enfim, tudo tem que ser perfeito, pois, afinal de contas, nós merecemos. Certo?

Nesse cenário, o ônus da diversão passou do espectador para o produtor. Não somos mais capazes de apreciar todas as experiências e dar-lhes significado pessoal. É como se houvesse uma tentativa de mostrar uma verdade oculta em tudo e que é nossa função avaliar se ela foi bem sucedida ou não. Pra isso o produto deve estar completo, posicionamento político, comercial, religioso, espiritual, estético e o escambau, para ser convenientemente consumido. Afinal, não sou eu que estou pagando? Então, divirta-me! Preciso lembrar? O cliente tem sempre razão.

O outro lado da moeda é que isso gera uma ansiedade brutal que te impele a acompanhar o processo de desenvolvimento das obras desde a criação para se assegurar que no fim terá a experiência perfeita e orgiástica que esperava. Buscamos uma originalidade impossível de se atingir; respeito e homenagem a obras que tem tantas interpretações quanto leitores ou espectadores; ousadia e inovação em equilíbrio com o cumprimento estrito das regras do McKee, Monomito, da estrutura de 3 atos e afins. Ficamos chatos pacas. Até nas coisas mais insignificantes. E conversamos sobre isso quando queremos escapar de falar de política?

Me questiono se as futuras gerações perderão a capacidade de experienciar a suspensão de descrença e a substituirão pela crítica imediata e lacradora tornando a obra apenas um pretexto para mostrar sua superioridade intelectual sobre o outro. Talvez a única maneira de evitar esse terrível futuro seja consumir menos, se importar menos com o que está em voga e buscar os seus interesses mais primais. Um belo exercício de humildade. Quase utópico. Melhor ficar vasculhando o Netflix por aquele filme perfeito que mostrará ao mundo como você é mais… mais… você sabe. Não sabe?

Enquanto isso, como continua impossível falar de política, não vamos contradizer os críticos amadores de plantão. Vamos apenas fingir que ouvimos os conhecidos enquanto esperamos sair a próxima alcatra no churrasco.

“Ah, você gosta do Tobey Maguire como Peter Parker mas prefere o Tom Holland como Homem Aranha? Tá, tá. E acha que nos filmes da Marvel o Aranha é coadjuvante, enquanto nos da Sony ele era o protagonista? Sei. Sei. Eu? O que eu acho? Sei lá. Acredita que eu nunca pensei a respeito?”

Assim, sabe?, exatamente como fazemos quando falam de política com a gente.

O Presidente Pescador

Não sei pra vocês, mas, pra mim, parece que os últimos seis meses estão sendo uma tragédia atrás da outra. Primeiro Brumadinho; depois os atiradores que mataram as crianças na escola em Suzano; some a eles o aumento das mortes de cidadãos por policiais, a estagnação da economia, a decadência do sistema de saúde, a deterioração da infraestrutura do país, o aumento do desemprego, e, presto, todas as distopias, que pagamos pra ver nas plataformas de streaming, estão começando a ter uma versão Live Action no Brasil.

Você pode dizer que é falta de fé ou, bate na madeira, azar, mas não é. Falta de fé só nos deixa sem esperança e sem forças e o, bate na madeira, azar é um evento negativo aleatório pelo qual não temos culpa e sobre o qual não temos controle.

O que vivemos tá mais pra maldição. É, maldição. Um conceito judaico cristão relacionado ao ato de desejar ou receber um infortúnio por algum motivo específico. Ao contrário dos revezes do, bate na madeira, azar, a maldição tem uma relação de culpa e similaridade ao que a motivou.

E o que tem motivado essa maldição? Todos os atos e intenções do governo. Não sacou a ligação? O “governo” diz que as leis ambientais são um estorvo pra nação, Brumadinho; o “governo” afirma que é preciso aumentar a quantidade de armas em circulação, Suzano; o “governo” afirma que é preciso facilitar a vida dos empresários e diminuir direitos dos trabalhadores para aquecer a economia, ela estagna; o “governo” afirma que é preciso endurecer a ação policial, o exército fuzila com 80 tiros um cidadão. Em suma, cada intenção dos poderes estabelecidos é paga com um simples lembrete da ignorância que guia o seu discurso.

Isso só me lembra a história do Rei Pescador.  

Percival, durante a busca do Santo Graal, entra num reino governado por um monarca ferido. Esse rei recebeu uma lançada nas suas entranhas e nada consegue fazer além de ficar sentado num barco, pescando, à espera de alguém que lhe faça a pergunta que irá lhe curar. É nesse barco que Percival vê o rei pela primeira vez.

O rei lhe indica o caminho do seu castelo e lá, Percival assiste a uma estranha procissão. A corte traz ao rei muitos presentes, tentando satisfazer todos os seus desejos, mesmo que, segundo interpretações psicanalíticas, ele seja impotente. Já a sua corte recebe as benesses que são negadas ao rei, o que aumenta a sua dor. Essa tentativa fracassada de agradar ao rei doente torna o próprio reino um reflexo das suas doenças. A terra é amaldiçoada pela impotência de seu rei. 

Percival pensa em fazer uma pergunta ao rei para curar o reino, mas foi educado a não fazer perguntas impertinentes, e desiste, partindo em direção a Camelot. 20 anos se passam. O reino, como o rei, definhou e se tornou esquecido de todos. Um dia, durante as suas peregrinações, Percival vê novamente o rei em seu barco. Finalmente, ele descobre qual é a pergunta que deve ser feita para curar o rei e seu reino.

A pergunta, como a própria lenda, tem muitas versões. Alguns dizem que a pergunta é sobre o Graal e quem o serve, outros sobre como o rei se feriu ou sobre o seu sofrimento. Em todos os casos há sempre um questionamento a respeito da origem da dor e qual é o seu remédio.

Nós temos um Presidente Pescador.


Um homem ferido, sem poder, lutando para satisfazer desejos vis que tornam a sua terra um lugar amaldiçoado. Um homem que odeia os que são diferentes dele, estimula a violência e não consegue se levantar para olhar além das suas professadas ignorâncias. Um homem que precisa responder a uma pergunta:

Qual é a dor que o fez assim?

E essa pergunta não deve ser feita só ao “rei” mas ao seu reino. Qual é a dor que está tornando tantas pessoas intolerantes e mesquinhas? O que está fazendo as pessoas odiarem o conhecimento e a ciência para justificar o extermínio de pessoas e ideias? O que está matando esse reino e o seu povo?

Qual é a dor que nos fez assim?

Enquanto não conseguirmos realizar esse exame de consciência e responder a essa pergunta, nossa terra continuará pagando pela nossa soberba e não poderemos tomar o gole do Santo Graal que irá nos regenerar enquanto povo e seres humanos. Afinal, não há remédio para a nossa dor que não a consciência da nossa responsabilidade frente a comunidade da qual fazemos parte.

Já passou da hora de buscarmos a nossa cura. Precisamos decidir: abandonamos esse barco ou deixamos o presidente voltar a pescar sozinho?