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“Minha vida dava uma peça” NOT!

Assisti a mais uma produção do grupo mineiro Galpão. Não esperava pouco. Depois de assistir a Till, uma farsa medieval, na Fundição Progresso, e a Moliére Imaginário, em pleno parque do Arpoador, fiquei maravilhado com a atuação do grupo. É claro que, quando surgiu a oportunidade de assistir ao grupo em sua terra natal, não resisti. Infelizmente, a decepção foi grande.

Pequenos Milagres é um peça surgida de uma idéia perigosa: a vida é facilmente traduzida pra ficção. Através de uma campanha chamada Conte sua História realizada em 2006, o grupo Galpão recolheu 600 contribuições das quais 50 foram trabalhadas dramaticamente. Dessas 50, 4 foram escolhidas para montar um mosaico do cotidiano brasileiro através da busca por sonhos comuns.

O trabalho de cena em cima das histórias é magistral. Desde a cenografia, passando pela iluminação e o som, tudo se presta a colocar o espectador dentro da realidade daquelas pessoas comuns e seus sonhos ordinários. E é aí que reside o maior erro da peça: as histórias das pessoas são realmente ordinárias. Comuns. Algumas vezes, até bestas. Enfim, não interessam a ninguém.

A maior dificuldade de se transpor a realidade para a ficção é a falta de propósito da vida. As coisas em geral acontecem mas não há um rumo, um grande desejo a ser realizado, uma busca quase impossível que nos comova. A ficção, diferente da vida, precisa de grandes propósitos e objetivos. Para se tornar ficção a vida precisa ser moldada ao ponto de criar um norte (fictício) para onde as pessoas se movam. É preciso objetivos.

Se olharmos para as quatro histórias que compõe a peça os objetivos de seus protagonistas, se não inexistentes, simplesmente não ficam claros. O menino com a cabeça de cachorro, a melhor das quatro, por exemplo, tem uma missão que no final culmina com um desejo nunca expressado. O vestido, a pior das histórias, não passa do relato de uma coincidência, no singular, cheia de personagens desnecessários que nada acrescentam à trama.

É notável o esforço dos atores e do autor de tirar leite da pedra que foram as contribuições do povo. Cacos e monólogos contemplativos tentam dar mais vida às aborrecidas existências dos personagens, mas falham. O que fazer? O material de base é simplesmente muito ruim.

Saí do teatro desanimado, mas ainda crente na excelente qualidade do grupo. Ninguém se presta a um desafio desses e sai vivo se não tiver muito talento. Agora, vou te dizer, quem escolheu as 4 histórias errou e muito a mão ou o povo realmente leva uma vida de bunda mesmo. Conhecendo gente como eu conheço, tenho mais fé na segunda opção.

Buquina, mas não esculacha

Eu já sabia, quando mudei pra cá, que os sebos de BH eram infinitamente mais caros do que os do Rio. Nas minhas garimpagens locais normalmente me assusto um pouco com os preços, mas, mesmo com a possibilidade de comprar no Rio, acabo levando uma coisa ou outra mais difícil de se encontrar. Além disso, pra me facilitar, na grande maioria das vezes, os livreiros belorizontinos sempre dão um bom desconto pra esse ex-colega de profissão. Hoje, tomei mais um susto num sebo, mas foi daqueles dos quais não dá pra se recuperar com facilidade. Continue lendo

God only Knows

Agora, passados 2 meses da volta da minha mulher, revejo as fotos dos 2 meses e meio que ela passou fora. Não as delas. As minhas. As fotos que revelam, de certa maneira, o que sou, o que faço. Quer dizer, quando estou sozinho, sem a supervisão de um adulto responsável.

Achei tão interessante que até gerei um clipe. É verdadeiramente uma viagem pela minha cabeça. Meio triste também, mas bem sincero. Só Deus sabe como sobrevivi. Continue lendo

Volta às aulas

Deve fazer uns 10 anos (ou mais) que não sento em uma sala de aula como aluno. Não, minto. Nos últimos 10 anos entrei e saí de salas de aula com displicência, começando a estudar pra, após devorar as bibliografias recomendadas, fugir como um ladrão no meio da noite. Coisa aparentemente sem explicação, mas justificada pelo asco que sinto pelo ensino tradicional. Adoro aprender, odeio que me ensinem algo num ambiente hierarquizado onde todos são considerados ignorantes. Continue lendo

Abrindo a Bodega

Já estamos sozinhos? OK, acho que podemos falar.

Enquanto todo mundo está ocupado criando memes, virais e conversando em monólogos coletivos nas redes sociais da vida, cá estou eu revivendo pela milésima vez um blog. O que me deu para vir brincar com essa mídia vítima de mortalidade infantil? Não sei se consigo responder a isso claramente; mas toda vez que lembro do início de 2003 quando entrei em contato com a ferramenta e abri o Oto come mocotO, tenho uma sensação boa. Foi realmente uma coisa de louco. Nunca imaginei que aquilo seria possível. Desde então foram mais de 5 encarnações de blog com nomes e domínios diferentes sem chegar efetivamente a lugar nenhum. Produtivo? Provavelmente não, mas foi legal. Até encontrar o jeito de escrever e entender do que se tratava, confesso, demorou, mas foi um bom aprendizado. Continue lendo