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Roteiro Terminável e Interminável

Amanhã começa o Script Frenzy, uma maratona de um mês para escrever um ou vários roteiros que somem 100 páginas. Ao contrário do NaNoWriMo que visa a construção do primeiro draft de um romance- não vale reunião de contos, poemas épicos e tal- o Script Frenzy é mais democrático e permite cinema, teatro, quadrinhos e o que mais você imaginar que seja roteirizável. Como não podia deixar de ser, já me inscrevi na maratona.

É claro que estou com um certo receio de fazer feio, como aconteceu no NaNo do ano passado, mas, quando falo de roteiros, sinto que estou mais no meu ambiente. Além disso, já tive a experiência de escrever, e reescrever, vários roteiros- esse foi o meu ganha pão por 5 anos- e se o processo de criação e filmagem do meu curta Salvação me ensinou algo foi que um roteiro nunca está pronto. Por isso, há menos culpa envolvida no seu resultado final. Um first draft ou mesmo um último draft nunca está terminado até alguém estragá-lo, quer dizer, filmá-lo.

Digo isso de cadeira. Os parcos 5 minutos (tirando créditos finais e iniciais) do Salvação foram do drama à comédia e sofreram vários revezes por motivos alheios aos meus interesses. No início, o roteiro era bem mais soturno. Aos poucos foi ganhando ares mais humorísticos. Por restrições de produção, cenas foram cortadas, recursos retirados, personagens apagados. Quando estávamos prontos para filmar, o sotaque de uns dos atores me obrigou a incluir algumas piadas meio sem graça, para justificar a sua dicção. Pra piorar, quando foi filmado, os diretores entenderam mal o texto e transformaram uma figura de linguagem num momento constrangedor. É isso aí, escrever roteiro pra outros filmarem é como doar esperma: você nunca sabe como o seu filho vai sair.

Beleza, mesmo assim ficou legal. Agradeço aos realizadores, mas bem que vocês podiam ter me ligado para acompanhar a filmagem. Seja como for, ele está por aí e você pode conferir o resultado aqui embaixo.

Agora, vou te dizer, lendo os roteiros antigos, ainda acho que o primeiro draft foi o melhor…

Salvação – versão original

Salvação – segunda versão

Salvação – terceira versão

Salvação – quarta versão

Salvação – quinta versão

Salvação – sexta versão

Salvação – versão filmada

Você discorda?

SSH! Não conte pra ninguém, mas acabei de criar um RPG

O pessoal da Secular Games convocou e eu aceitei o desafio. Desenvolver um RPG com cenário em 15 dias.  A idéia era usar o Carnaval, para, numa maratona frenética, criar um RPG independente do nada.

Assim que fiquei sabendo me empolguei, mas, confesso, só comecei a trabalhar no sábado de manhã, véspera do prazo final. É claro que durante os 13 dias antes de me sentar pra escrever fiquei remoendo velhas idéias e buscando torná-las um jogo simples e fiel ao que realmente me interessava ver num RPG. Acho que consegui. Eis o SSH – Sistema de Simulação Heróica. Continue lendo

De quantos aplicativos você precisa pra viver?

Semana passada resolvi acabar com os problemas de informática daqui de casa e troquei tanto o meu laptop como o desktop. Achei uma boa promoção, fiz a compra e, antes de receber as novas máquinas, parti pra realizar o back up. Fiquei até triste. Enquanto vejo tanta gente reclamando que um Tera não dá pra guardar tudo o que tem em seus HDs; dividido entre meus arquivos e os da minha mulher, tínhamos para transferir às novas máquinas apenas 16GB, sendo 13 deles só de fotos dela (a maioria já no Picasa).

Quanto a software, tirando o sistema operacional, descobri que tudo, mas tudo mesmo, que eu uso está em cloud ou de graça na internet. Do que estava instalado, o total não soma nem 400MB. Incrível, não?

Segue a pequena lista de todos os aplicativos que dão contam de tudo o que preciso fazer na internet e pras minhas produções individuais: Continue lendo

“Minha vida dava uma peça” NOT!

Assisti a mais uma produção do grupo mineiro Galpão. Não esperava pouco. Depois de assistir a Till, uma farsa medieval, na Fundição Progresso, e a Moliére Imaginário, em pleno parque do Arpoador, fiquei maravilhado com a atuação do grupo. É claro que, quando surgiu a oportunidade de assistir ao grupo em sua terra natal, não resisti. Infelizmente, a decepção foi grande.

Pequenos Milagres é um peça surgida de uma idéia perigosa: a vida é facilmente traduzida pra ficção. Através de uma campanha chamada Conte sua História realizada em 2006, o grupo Galpão recolheu 600 contribuições das quais 50 foram trabalhadas dramaticamente. Dessas 50, 4 foram escolhidas para montar um mosaico do cotidiano brasileiro através da busca por sonhos comuns.

O trabalho de cena em cima das histórias é magistral. Desde a cenografia, passando pela iluminação e o som, tudo se presta a colocar o espectador dentro da realidade daquelas pessoas comuns e seus sonhos ordinários. E é aí que reside o maior erro da peça: as histórias das pessoas são realmente ordinárias. Comuns. Algumas vezes, até bestas. Enfim, não interessam a ninguém.

A maior dificuldade de se transpor a realidade para a ficção é a falta de propósito da vida. As coisas em geral acontecem mas não há um rumo, um grande desejo a ser realizado, uma busca quase impossível que nos comova. A ficção, diferente da vida, precisa de grandes propósitos e objetivos. Para se tornar ficção a vida precisa ser moldada ao ponto de criar um norte (fictício) para onde as pessoas se movam. É preciso objetivos.

Se olharmos para as quatro histórias que compõe a peça os objetivos de seus protagonistas, se não inexistentes, simplesmente não ficam claros. O menino com a cabeça de cachorro, a melhor das quatro, por exemplo, tem uma missão que no final culmina com um desejo nunca expressado. O vestido, a pior das histórias, não passa do relato de uma coincidência, no singular, cheia de personagens desnecessários que nada acrescentam à trama.

É notável o esforço dos atores e do autor de tirar leite da pedra que foram as contribuições do povo. Cacos e monólogos contemplativos tentam dar mais vida às aborrecidas existências dos personagens, mas falham. O que fazer? O material de base é simplesmente muito ruim.

Saí do teatro desanimado, mas ainda crente na excelente qualidade do grupo. Ninguém se presta a um desafio desses e sai vivo se não tiver muito talento. Agora, vou te dizer, quem escolheu as 4 histórias errou e muito a mão ou o povo realmente leva uma vida de bunda mesmo. Conhecendo gente como eu conheço, tenho mais fé na segunda opção.

Buquina, mas não esculacha

Eu já sabia, quando mudei pra cá, que os sebos de BH eram infinitamente mais caros do que os do Rio. Nas minhas garimpagens locais normalmente me assusto um pouco com os preços, mas, mesmo com a possibilidade de comprar no Rio, acabo levando uma coisa ou outra mais difícil de se encontrar. Além disso, pra me facilitar, na grande maioria das vezes, os livreiros belorizontinos sempre dão um bom desconto pra esse ex-colega de profissão. Hoje, tomei mais um susto num sebo, mas foi daqueles dos quais não dá pra se recuperar com facilidade. Continue lendo