O Brasil não ganhou, nem perdeu; nem quem jogou com (contra?) o Brasil (Marrocos, certo?) perdeu, ou ganhou; mas, de alguma forma, d’après Dilma, ninguém ganhou e todo mundo perdeu (ou vai perder).
Tem anos que não bebo e hoje acordei numa bruta ressaca sóbria. Deve ter sido a excitação e o excesso de contato social concentrado. Não fui feito pra esportes de interesse de massa.
Voltando pra minha zona de conforto e preparando a sessão de RPG da quinzena. Impossível não lembrar da palestra sobre RPG como Design de Experiência que vou dar essa semana. É tão fácil a gente contradizer os nossos posicionamentos com a prática, mas não deveríamos.
As melhores boas notícias são as inesperadas. O mais interessante é que assim que as recebemos, temos completa impressão de já as termos previsto, o que em nada diminui a surpresa e a satisfação de recebê-las.
Infelizmente, o pessimista em mim não deixa de lembrar que não é seguro levar “flores para a cova do inimigo”. Mas posso curtir um pouquinho, não?
Fui almoçar na Leiteria Mineira pra comemorar, meu garçom preferido voltou e quando fui pagar, pulou da minha carteira uma mensagem de um biscoito da sorte. Um prazer viver sob esses auspícios. Pelo menos um pouquinho.
Por outro lado, é um pouquinho triste que precisemos gastar nossos grandes sonhos com respeito e paz de espírito. Isso deveria ser o default, mas, infelizmente, não é.
O que ocorre mesmo depois da morte de César? Preciso reler a peça.
Há 32 anos Celine e Jesse se encontraram em um trem. Espero que estejam bem.. Eu estou. Hoje.
A consciência (aparentemente) é individual e a maior parte das ações voltadas para coesão (ou repressão) social são voltadas à sua obliteração. Num mundo onde ter consciência (no sentido senciente e não moral) se tornou um luxo (e um crime), como lidar com a ansiedade disfarçada de medo dessa construção coletiva mezzo mística mezzo científica de uma consciência artificial? Ninguém tem resposta, nem o Kevin Kelly, mas, como sempre, ele tem excelentes perguntas.
Parece que boa parte das nossas lutas modernas e pós modernas são voltadas à angústia da dúvida se ainda há algo que separe o humano de tudo mais que há ao nosso redor. Não seria melhor, invés de tentar ser, simplesmente brincar que somos? Eu apoio.
Talvez o maior empecilho pra que nossas vidas sejam mais (ou diferentes) do que esperamos é o medo de errar. Tanto no sentido de não atingir o esperado como no de vagar. Se não nos perdemos, nunca nos acharemos.
O que é brincar senão errar de propósito e celebrar esse erro com alegria?
Que tal, ao invés de condenar a tecnologia, pervertê-la para torná-la mais humana ou, pelo menos, human friendly? Taí uma coisa bem humana que fazemos desde a nossa origem. Não foi por uma dessas que fomos expulsos do Éden? Tenho certeza que a zoeira valeu a pena.
“Interested in combining the best of all worlds, The League would like to positively affect the future by close attention to the present, allying technology with humanity and humour.” – The Future (future Human League) Manifesto
Depois de 3 dias de chuva inclemente, tá bom, chata, saímos desconfiados às ruas como se emergindo de uma caverna escura e úmida onde ficamos presos por anos. Eu sei, o carioca é um bicho dramático pacas, mas não é má pessoa. Quer dizer, nem todos. Ou melhor, alguns.
É muito estranho (existir) o centro da cidade do Rio. Uma cidade com vocação tão malandra, não deveria ter espaços devotados ao trabalho. Não podemos terceirizar isso pra SP?
Ontem rolou a oficina de RPG e foi bem legal. Pra variar fui lá ofender a comunidade da qual faço parte, mas com razão: não tem bicho mais chato do que RPGista. Eu sei, eu sou um deles. Imagino que deve ter sido a mesma coisa com a galera que viveu o início do Teatro ou do Romance. Por sermos testemunhas vivas e ativas do nascimento de um novo tipo de mídia, nos consideramos os sumo especialistas e sacerdotes desse culto. Coitada da gente. Não é por acaso que confundiram o RPG com culto satânico no final dos 1970s e início dos 1980s. A gente deu uma certa razão.
Fiquei pensando bastante sobre a quantidade de identidades secretas que eu tenho: escritor, gerente de gestão do conhecimento, rpgista, pai, filho, marido, dentre outras. Só resta me perguntar, aos moldes do Super-Homem, qual delas é a verdadeira ou são todas falsas (ou verdadeiras)?
Li um artigo (quase um conto) incrível, escrito por, pasmem(?), Emily Ratajkowski. Depois de atravessar e me libertar do preconceito automático e besta de “Meu Deus, supermodelos podem escrever bem”, fiquei me perguntando quantas excelentes escritoras e escritores podem estar escondidas em profissões que consideramos, por puro estereótipo, vazias e devotadas a pessoas com uma vida interior pobre. O preconceito realmente corta pra todos os lados. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. Um emocionante misto de Bret Easton Ellis e Sylvia Plath. Eu recomendo.
Será que o sol conseguirá deixar à mostra as nossas verdadeiras faces por trás de todas essas máscaras? Pelo menos, a gente podia usar esse solão pra deixar elas secarem depois de passarem pela máquina de levar.
Infelizmente ainda tenho aquela velha expectativa de ter uma vida integral ou, como na velha piada do cachorro quente do Dalai Lama, só quero que algo make me one with everything. Mas infelizmente, não importa o quanto você pague, nunca tem troco, afinal change comes from within.
O excesso de previsões antes, superstições durante e análises depois dos jogos da Copa, só mostram que não gostamos de esportes, mas de tentar prever o futuro, controlar o presente e nos explicar em detalhes por que ele não ocorreu como o esperado. Dá meio uma impressão que tudo só depende sobrenaturalmente da gente ou de quem prevê, reza ou lamenta por essas fantasias de futuro.
Isso fica claro na forma pela qual subestimam a inteligência dos jogadores de futebol. Todas as perguntas que lhes são feitas podem ser (e, muitas vezes, são) respondidas com um robótico “acreditamos” antes e “com certeza” depois. Eles que deveriam ser os principais agentes dos resultados são tratados apenas como joguetes do destino que falam de si mesmos na terceira pessoa do singular.
O Futebol Brasileiro pode estar em queda, mas a vontade de colecionar e trocar figurinhas tá na crista da onda! Deveriam fazer um álbum de True Crime Brasil ou do Congresso Brasileiro, o que quase dá no mesmo. Aposto que faria sucesso… quer dizer, se eu pudesse prever alguma coisa.
Definitivamente, algo que eu já devia ter previsto era ficar ressaqueado no dia seguinte ao jogo do Brasil. Dessa vez nem teve aglomeração ou contatos sociais em excesso, mas acordei cansado e meio zonzo. Será que tem a ver com a mobilização emocional e a ansiedade ao meu redor? Ou pode ser o esforço de manter minhas barreiras emocionais levantadas? Deve ter alguma explicação. Ou previsão.
E a mensagem hackeada da Defesa Civil? Quem pode tirar a razão do/a hacker querer expressar seu desprezo por essa espécie vil da qual fazemos parte? Imagina o que essa pessoa passou pra querer nos acordar a 1 da matina só pra expressar seu ódio. Te entendo, amigo/a/ue, mensagem recebida.
A não ser que seja uma reação da IA ao que está experienciando de nós através do nossos prompts. Quem diria o que uniria as inteligências humana e artificial seria a constatação de que, como o Ed Motta, “o ser humano é que não é legal“?
O Anti-intelectualismo e reduzir o motivo de tudo a fama e dinheiro andam de mãos dadas. Por isso há tanto ódio à arte moderna. As pessoas obcecadas por recompensas externas não conseguem entender trabalhos complexos que são executados de maneira elegante e aparentemente simples pois consideram que tudo que não envolva esforço excessivo ou enorme gasto de recursos faz parte de um golpe comercial. Para quem só vê grana como motivação, realmente é impossível perceber que é possível fazer algo simplesmente para abrir caminhos na mente ou por simples experimentação. O que as suas mentes dominadas pela ganância e narcisismo não veem é que podemos ter vidas internas sem esperar que o mundo se debulhe em aplausos por nós.
A impressão é que a história humana (ou pelo menos do que chamamos civilização) é calcada numa série interminável de iterações de sistemas de escravidão. Um pior ou, se você for o opressor, melhor que o outro. Talvez por isso o pessoal ache mais fácil ser o opressor do que lutar contra a opressão que, com razão, parece inescapável.
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Sorry, I think I ate them all. What should a cookie monster do?
Comecei a assistir a “The Studio” e estou mesmerizado. A estratégia de transformar a forma em tema dá o troco no meio ser a mensagem, e transforma a mensagem em meio. Apesar dessa estratégia esperta, há uma clara tentativa em não ser “inteligente demais”. O roteiro acaba sendo humilde e verdadeiramente devotado ao cinema e às brechas em que se consegue fazer arte numa atividade (quase que) totalmente dominada pelo propósito comercial. Os estúdios e seus executivos são ao mesmo tempo vilões e vítimas do próprio poder que parecem ter. E, sabemos: quanto menos poder parecemos ter, mais possibilidades podemos nos permitir. Como viver com tantas restrições, sejam elas de recursos ou dos acordos que nos concederam os recursos dos quais precisávamos? É aí que criatividade aflora. Seth Rogen sabe do riscado: é no que nos negamos a fazer que estabelecemos o que iremos criar.
Outra escolha acertada é se voltar ao modelo episódico clássico e há muito abandonado, se recusando a usar o arco longo como uma camisa de força que se tornou padrão nos últimos anos. Enfim, tudo que era clichê um dia volta como inovação. O valor da obra não está nos momentos de ruptura conceitual, mas em saber escolher o funciona para ela.
Engraçado que ao contrário do cinema, a literatura ainda tem esse espaço de experimentação. Porém , mesmo com os baixos custos de produção, o espaço de experimentação da literatura está diminuindo pelo viés cada vez mais comercial e pela competição pela atenção dos leitores, tanto entre títulos como com outras mídias. Como encontrar um meio de caminho onde a sustentabilidade financeira encontre a arte, sem se oferecer como holocausto à ganância?
“There is only one opportunity to write in complete darkness: when you are at the beginning. Use it. Use it well.” – Dani Shapiro
O exercício do desapegar e nada esperar é que te permite criar sem restrições. Afinal, a arte não é uma solução para um problema, mas um problema insolúvel. O valor está em tentar, sem a ambição de conseguir resolver aquilo que não tem jeito. Em resumo: Zen Mind, Beginner’s Mind.
Acabei de ler o conto(?) Eupompus Gave Splendour To Art By Numbers de Aldous Huxley que só comprova a minha opinião acima: criar como equação é como receber um abraço frio depois de um banho quente. Seja com motivos comerciais ou acadêmicos.