Arquivo do Autor: Lisandro Gaertner

Sobre Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

O Bolão

Como tudo que dá errado, ou certo, essa história também começou de forma inocente. Nas quintas, uns três caras da controladoria, no caminho pra tomar um chope no bar do Gaúcho depois do expediente, começaram a fazer uma fezinha da Megasena.

A princípio ninguém sabia o que estava rolando, ou, se sabia, preferia ignorar. Era aquele tipo de coisa que passava abaixo do radar da rádio corredor. O gerente deles, um estatístico frustrado, quando ficou sabendo, inclusive, quis dar lição de moral dizendo que loteria era imposto dos pobres e que a chance de ganhar era ridícula. Não deu outra. Logo após o pito do chefe, eles ganharam uma quadra.

Tá, o dinheiro foi pouco, mas deu pra um deles botar aparelho nos dentes e pra outro fazer um transplante capilar. A tentativa de embelezamento, mesmo mal-sucedida, chamou a atenção do resto da firma que começou a se interessar pela atividade pós expediente dos sortudos.

O primeiro que quis fazer parte do rateio foi o Zé Márcio, funcionário antigo e caprichoso que cuidava da Copa. Como quem não quer nada, ele começou a assuntar:

– Quadra, né?
– É.
– Legal. Foi jogo simples?
– Simples. 6 dezenas. Na bucha.
– Sorte, hein? Sabia que jogando mais dezenas tem mais chances?
– É?
– É. De quanto é a cota?
– Cota?
– É, quanto cada um coloca em cada aposta?
– Tem isso não. A gente aposta o que tiver de trocado.
– Pois devia ter. Se incomodam se eu organizar o Bolão?
– O Bolão?
– É. O Bolão. Deixa comigo. Eu mantenho vocês informados.

Sem ninguém para impedi-lo, Zé Márcio cumpriu sua promessa. Criou um grupo de whatsapp pros apostadores; escolheu a imagem de um trevo de quatro folhas em cima de uma pilha de dinheiro como avatar para dar sorte; estabeleceu um valor mínimo de cota, e um dia e horário pra encerrar os depósitos; compartilhou o seu pix para recolher as apostas; e decidiu, sozinho, que a partir de então apostariam nos dois sorteios semanais, tanto no de quarta quanto no de sábado.

Com essa “profissionalização”, o Zé Márcio acabou afastando os sortudos originais, que só queriam ter algo que os unisse pra conversar a respeito no chope de quinta, mas conseguiu até trazer mais alguns novos apostadores, na maioria os habitués da Copa que matavam as oito horas regulamentares de serviço se enchendo de café. Mesmo com o aumento de participantes, o bolo, ainda pequeno, não tinha virado o Bolão que ele esperava criar.

Tudo mudou com a entrada da Cláudia.

Cláudia era a nova coordenadora de comunicação digital. Nova de empresa e idade, costumava usar uns camisões xadrez compridos com umas bermudas cargo que lhe davam um ar ainda mais jovial. Além disso, adorava e sabia contar histórias. Quando ficou sabendo do Bolão já se adiantou pra apostar e, óbvio, tinha até um causo pra justificar a sua pressa.

– Cês lembram daquele restaurante onde todo mundo ganhou na Mega, menos um cara?
– Lembramos.
– Pois, é, esse cara foi ex-sogro da minha prima de consideração. Quando ele ficou sabendo que a galera tinha levado a bolada e ele não tinha sido incluído, até infartou.
– Sério? E morreu?
– Não, pior: melhorou e teve que voltar a trabalhar todo dia num lugar que o lembrava que ele podia nunca mais ter que trabalhar.

O povo chegou até a rebolar sentindo o frio percorrer as suas espinhas.

A história de terror de Cláudia pelo jeito deu resultado e logo o Bolão lotou. Era só a Mega acumular ou prometer um prêmio acima de 10 milhões que o povo todo corria pra participar. Ninguém queria ficar sozinho no trabalho enquanto o resto dos colegas estariam curtindo aposentadorias precoces na praia. Ninguém queria ter o funesto destino do ex-sogro da prima de Cláudia.

Na verdade, o que realmente motivava a maioria não era a vontade de ficar rica, mas o medo de ser abandonada eternamente num trabalho do qual precisavam, mas que preferiam não fazer. Essa sensação era tão explícita que no grupo do Whats a discussão pré sorteio não era sobre a compra de propriedades, carros ou viagens. Eles só conversavam sobre não ter que precisar ir pro serviço depois de ganharem a bolada.

Há um ano, não sei se vocês lembram, rolou aquela estiagem de prêmios da Mega quando ela ficou acumulando várias vezes até ao ponto de chegar no valor recorde do prêmio. Lembram? Pois, é. Nesse período, eles começaram apostando timidamente, porém, a cada novo sorteio sem ganhador, a excitação aumentava. Pra piorar, no terceiro ou quarto sorteio da série, eles levaram uma boa quadra que deu pra todo mundo recuperar o que já tinha apostado e ainda sobrou um troco pra custear novas apostas.

Quando chegou no décimo sorteio acumulado, o Zé Márcio sentindo que todos estavam começando a ficar nervosos demais convocou uma reunião para traçarem uma estratégia para escolher os jogos que com certeza seriam sorteados. O gerente da Controladoria achou uma besteira, mas, como parte do Bolão, acabou participando pra poder prestar a sua consultoria estatística.

No encontro que quase envolveu toda a empresa, discutiram se deviam repetir os números, excluir os últimos que já tinham saído, deixar eles serem escolhidos na surpresinha, ou pedir pra que os filhos dos funcionários marcassem os números pra dar mais sorte. Teve até um cara que ofereceu uma galinha do sítio da avó pra bicar uma tábua com os números da Mega e escolher pelo grupo. Quando questionado como isso iria ajudar, ele explicou:

– De todas as galinhas da minha avó, essa sempre escapou da panela. Sorte ela tem. Sorte ela tem.

A discussão não foi pra lugar nenhum e começou a gerar rusgas entre os funcionários que já estavam ansiosos esperando que os seus sonhos de nunca mais trabalhar se concretizassem logo. Quando o vozerio se tornou incompreensível e a confusão não conseguia mais ser desatada, Cláudia bateu na mesa e pediu a palavra:

– Aí, gente, e os sortudos originais? Eles estão apostando?

Zé Márcio foi até conferir a sua planilha, mas tinha certeza que não.

– O problema talvez esteja aí. Cadê a galera que começou o movimento? Tá faltando eles pra juntar as nossas sortes e fechar esse prêmio- Cláudia decretou.

Criaram um petit comitê pra convencer os sortudos originais a apostar com o restante da empresa. Dois não queriam alegando que o que importava era só o chope de quinta, e o terceiro, como tinha virado evangélico, não queria mais saber de bebida, nem de jogo. Apesar das negativas iniciais, Zé Márcio estava determinado e disse que não arredaria pé da controladoria até convencê-los a participar desse Bolão.

– Esse vai ser o último, eu prometo. Vamos ganhar dessa vez e nunca mais iremos precisar trabalhar ou apostar em loteria.

A verve, ou quem sabe, a aporrinhação funcionou e todos apostaram. Inclusive o convertido que pediu 10% do prêmio do Zé Márcio pra uma obra de caridade da qual ninguém tinha ouvido falar.

Bom, boletos finais gerados, apostas compartilhadas, a sorte estava lançada. Até os números da galinha entraram num dos cartões. Afinal, dessa vez valia tudo. Era vai ou racha. Ou eles venciam como grupo, ou morriam como empresa.

Deu o dia derradeiro e todos, de suas casas estavam acompanhando o sorteio, esperando que seus sonhos se tornassem realidade. Zé Márcio, Cláudia, os sortudos do chope, o sortudo convertido, e até o cara da galinha que, pra dar mais sorte, foi pro sítio da avó, assistir ao sorteio junto com a galinha. Todos vidrados na TV, acompanhando número a número a virada do destino.

O fim da história vocês lembram. Deu em todos os jornais. Não sei se foi sorte, ou se foi azar, ou, quem sabe, um misto dos dois. Mas, enfim, deu no que deu, e todos tiveram o que mereceram. Como normalmente acabam todas as histórias onde a gente confia na aleatoriedade do destino. E, cá entre nós, tem outra coisa na qual podemos confiar?

De Altos da 3ª Guerra Mundial

Tudo na vida devia ter um limite. Quer dizer, se a vida fosse justa.

Por exemplo, o ser humano não deveria passar por mais que duas ditaduras na vida. O seu Fred, que morava aqui no 703, quase passou por 3.

Eu normalmente o encontrava no fim de tarde no Salvatore para a cerveja de início dos trabalhos. Do alto dos seus 88 anos, ele contava histórias bizarras dos seus mais de 50 anos trabalhando no INSS, ou nas instituições que o precederam, durante os governos do Getúlio e durante a ditadura militar. Quando elegeram o biltre que ocupa o Palácio do Planalto, pegamos no pé dele:

– Aí, seu Fred, terceira ditadura. Pode pedir música no Fantástico.

Não pôde. Morreu dois dias antes da posse.

A gente também não devia ser multado ou extorquido mais de uma vez pela mesma infração no mesmo lugar. Dessa eu escapei.

Nos anos 90 viajei com uns amigos de carro pelo Nordeste e, suprassumo da inconsequência, ninguém tinha carteira. Quer dizer, tinha um cara com carteira, o dono do carro, mas ela estava vencida. Porém ele andava com o exame de vista no bolso com certeza absoluta que isso ia nos livrar de qualquer percalço. Quase funcionou.

Do Rio até Pernambuco não tivemos problemas. Uma noite, rodando em Olinda, fomos parados numa blitz. O policial corretamente ia indicar a apreensão do carro, mas viu pacotes de Lucky Strike no carro e perguntou:

– É cigarro americano?

-É, é- respondemos.

E assim, com duas carteiras de Lucky e mais 10 reais, nos safamos.

No dia seguinte passamos pela mesma blitz e pediram pra gente encostar novamente. Coloquei a cabeça pra fora do carro e, fazendo sinal de positivo, avisei:

– Tá tranquilo. Já paramos ontem.

E seguimos nosso caminho sem nem diminuir a velocidade.

A invasão da Ucrânia me fez pensar que as pessoas também deveriam ter seus limites de quantidade de Guerras, Frias ou Quentes ou mesmo, esperemos que não, Mundiais pelas quais podem passar.

Ninguém merece passar por nenhuma, mas, se formos obrigados, uma já tá de bom tamanho, não?

Então, dito isso, como peguei 15 anos de Guerra Fria com momentos bem marcantes de tensão e expectativa de Guerra Nuclear, aviso pro Putin e demais envolvidos: estou de Altos. Quer dizer, o mundo deveria estar também, mas o que podemos fazer?

O que podemos fazer? Eu te digo. Não eleger machinhos com problemas de afirmação talvez já seja um bom começo.

Cadê Ogum?

Ano passado, no dia de São Jorge, seguindo uma indicação da minha mulher, eu pedi uma feijoada num restaurante da região portuária. A pandemia tinha acabado de completar um ano e a impressão, na época, era que nunca ia terminar. O cenário do país e do Rio, cês lembram?, era pura desolação e a gente tava meio que naquela pilha de manter funcionando, mesmo que à distância, qualquer lugar que a gente curtisse.

Por conta disso, acabou que a gente pedia comida fora toda hora e se justificava dizendo que, mais do que a satisfação de uma gula implacável, era também uma ação social. Mentira, era pura gordice.

Então, naquela sexta-feira, dia de São Jorge, ainda preso no home office e com motivos falsamente altruístas, pedi uma feijoada completa na Casa Porto.

Mandei o pedido por Whatsapp às 8 da manhã, já para garantir o meu prato, e logo recebi a confirmação acompanhada de uma pergunta estranha: “Vai querer a pulseira ou o cordão?”

Não entendi e questionei do que se tratava. Esclareceram: “Hoje, por conta do dia de São Jorge, com a feijoada você ganha uma pulseira ou um cordão. Qual vai querer?”.

Quem me conhece sabe que sou a pessoa menos religiosa que existe, mas, por outro lado, sou ligadão em misticismos e coincidências. Assim, abri meu coração pra curiosidade. Não sou lá de usar símbolos religiosos, mas como não abrir uma exceção para um presente vindo junto com uma feijoada? Quanto às opções, como não curto o visual bicheiro, fiz minha escolha: “Vou de pulseira”.

Meio-dia a feijoada chegou, deliciosíssima por sinal, acompanhada de um saquinho de papel vermelho e branco onde estava a tal pulseira. Confesso que esperava algo diferente. Não sei exatamente o quê, mas diferente. A pulseira era basicamente um fio de nylon prendendo uma série de contas pontiagudas e azuis, com uma imagem de metal pendurada perto do nó que a mantinha inteira.

Botei a pulseira, e, à princípio, ela me incomodou. Óbvio, era para um pulso bem menor que o meu. Na hora lembrei das cordas de oração e achei legal ter um lembrete constante para me manter no presente. Mas, não posso mentir, a pressão no pulso me fez tirá-la várias vezes durante o dia.

De noite, minha mulher chegou em casa e estranhou a pulseira. Eu também estranharia. Expliquei a história toda e ela pediu para ver ela de perto. Analisou-a conta a conta e quando chegou na imagem de metal se surpreendeu: “Olha só, botaram Ogum no lugar de São Jorge”.

Eu não tinha olhado para a pulseira com toda essa atenção, mas ela tinha razão. Ao invés da imagem de um homem de lança e a cavalo, era a de um homem a pé partindo para o ataque com uma espada. Na verdade, não fazia muita diferença já que o Santo e o Orixá são comemorados no mesmo dia e, segundo alguns sincretistas, representam o mesmo princípio divino. A pulseira continuava lá pressionando meu pulso para me lembrar da luta.

O tempo passou, a pulseira foi alargando, mas Ogum começou a se comportar de uma maneira esquisita. A imagem de metal ficava presa ao fio de nylon por uma argolinha que, vez ou outra, se abria. Assim, se a espada de Ogum prendesse na minha roupa ou num travesseiro, ele e a argolinha acabavam se separando do fio de nylon.

De vez em quando eu conseguia pegar Ogum no ato, tentando fugir do meu pulso. Outras vezes, eu acordava e ele estava escondido entre as cobertas ou se esgueirando pelo chão. Sem saber como lidar com aquilo, todas as tentativas de fechar mais a argola ou bloquear o vão do elo se provavam inúteis, passei a considerar essas fugas como um sinal.

Ogum sumiu, estou dando mole em algo. Bebi demais na noite anterior, falei o que não devia, deixei algum compromisso de lado. Ogum sumia para me lembrar que se eu abandonasse o meu caminho, não poderia mais contar com ele do meu lado. Uma boa explicação mística para quem não se considera religioso.

Hoje pela manhã, no caminho do trabalho, não senti a pulseira me apertando e notei que ela não estava no meu pulso. Ogum já tinha tentado escapar muitas vezes, mas nunca a pulseira inteira tinha sumido. Pensei onde ela poderia ter caído e, mais importante, se conseguiria recuperá-la. Pensei em voltar para casa e procurá-la, mas não teria tempo.

Me questionei o que isso significaria. Qual era o recado de Ogum ao fugir arrastando a pulseira inteira por aí? Então me lembrei que estava devendo escrever esse texto sobre o nosso encontro e assim o fiz, cheio de fé de que a pulseira estaria me esperando quando retornasse ao lar.

UPDATE: Cheguei em casa e a pulseira estava me aguardando, bem visível, para eu sempre lembrar de não a esquecer mais.

O quinto pé

Último pênalti
da grande final.
Você não pode vacilar

Habilidade você tem,
mas pênalti
também é sorte,
e é dela que vai precisar

Então você pede,
pela quinta vez,
na
sua vida,
ajuda à sorte.
Ela não vai lhe negar

Como não negou
da primeira vez
em que esfregou seu pé de coelho
para ser escolhido
pelo olheiro
do time mirim
para jogar

Como não negou
da segunda vez
em que esfregou seu pé de coelho
para o prêmio
de melhor jogador
poder
comemorar

Como não negou
da terceira vez
em que esfregou seu pé de coelho
para ser contratado
por um time rico
de uma outra
nação

Como não negou
da quarta vez
em que esfregou seu pé de coelho
para ser convocado
para fazer parte
da grande
seleção

Agora,
no último pênalti
da grande final,
você precisa da sorte,
mais uma vez,
mas não tem mais
pés de coelho
para esfregar

Para a sua surpresa,
surge um coelho
vivo e inteiro
no meio do campo
para lhe visitar

Antes que peça
ajuda à sorte
mais uma vez,
o coelho
se põe a falar:

“Quatro vezes me pediu
quatro vezes lhe atendi.
Agora é minha vez de cobrar

“Se antes teve sorte
foi às custas
das patas que uso
para saltitar

“Vá agora,
faça o gol,
e mostre a sorte
que parece lhe
privilegiar

“Vá agora,
sem demora,
faça o gol,
e me dê
seu sortudo
pé de humano
para esfregar”

Exercício inspirado pela imagem de Moni Port e realizado no curso LITERATURA INFANTIL: O QUE, POR QUE E COMO ESCREVER? do Instituto Estação das Letras? ministrado pelo genial Léo Cunha.

micro conte se: desafio 22

Acordo na hora de sempre, mas não há desafio a enviar. Acabou. Depois de 21 dias de loucura, minha missão foi cumprida.

Eu me levantaria para fazer um café para espantar o cansaço, mas me lembro que não tomo café e tento, inutilmente, descansar.

Ansioso e paralisado, continuo deitado ruminando tudo o que aconteceu. As surpresas com os textos dos participantes, os aprendizados que eu tive, o vazio de não ter mais uma rotina a cumprir.

Mas quem disse que a rotina acabou? Não, ela não acabou; ela apenas mudou. Não aprendi nada nesses últimos 21 dias? Não estabeleci um compromisso comigo mesmo e com quem vai me ler? Aí percebo que já estou atrasado para escrever. Melhor começar.

Assim, mezzo resignado, mezzo resoluto, ligo o computador e, mesmo sem inspiração, me preparo para escrever. Mas sobre o quê? Sobre o que escrever quando não há um desafio pra me direcionar?

Que tal falar do Micro Conte Se? É, taí, é uma boa opção. Acho que tenho muito a dizer sobre essa experiência.

Abro um novo diretório, crio um arquivo de texto e digito o título:

micro conte se: Desafio 22…mil..hões

Estamos prontos pra continuar? Sim, agora, sim. Vamos lá.

*

O desafio micro conte se foi uma experiência literária de 21 dias, onde os participantes eram provocados a redigir um texto de até 250 palavras todos os dias sobre uma questão pessoal ou uma história de suas vidas. Começamos no dia, pasmem, 25 de dezembro e terminamos a jornada em 14 de janeiro. Para conhecer melhor o chamamento aos participantes, clique aqui.

Nessa edição de 2021/2022, contamos com 13 heroicos participantes que escreveram em sábados, domingos e feriados, incluindo os dias 31 de dezembro e 1° de janeiro.

Esse projeto piloto, que já queria desenvolver há tempos, foi inspirado pelo evento Mundial de Escritura, pelo curso Drive do Edu Valladares, pela metodologia de aprendizagem Working Out Loud, e pelos livros O Caminho do Artista e Literacura.

Pessoalmente, pra mim, na minha opinião, desculpem os pleonasmos em série, foi uma super experiência. Ainda me questiono ainda se eu deveria ter divulgado os meus textos, por estar no papel de coordenador do processo, ou se não deveria ter insistido mais pra galera compartilhar os seus textos, mas, acredito, foi proveitoso para todos os envolvidos.

Mas, quem sou eu pra falar? Vamos deixar aqui com vocês os depoimentos dos participantes:

Agradeço a oportunidade de participar desse evento. Para mim, foi uma viagem ao que gosto de fazer, com a vantagem de ter uma visão mais ampla do que é a escrita, e de poder vivenciar as experiências e expectativas dos outros participantes. Acho que vamos trilhar novos rumos. Agradeço a acolhida de todos e sobretudo, estou feliz porque estou em um grupo em que todos nós estamos procurando nosso estilo próprio.Gracia Circunde

Professor, gostaria de reiterar que a oportunidade me enriqueceu bastante, sou muito grata por ter lembrado de mim, de coração. Foi muito bom só escrever, escrever sem precisar estar certa, escrever pela disciplina, escrever até sem vontade de escrever, furar o bloqueio do tempo, das impossibilidades, das dificuldades diárias e se sentar e escrever, deixar os dedos colocarem pra fora. Obrigada pela escritaterapia. Obrigada porque se não fosse isso talvez eu nunca iniciasse o blog, iria sempre protelar. Por favor, compartilhe com meus colegas de desafio minha gratidão e meu apoio a eles, por esse momento.Rebecka Cerqueira

Lisandro, já tinha te adiantado: adorei o desafio e as provocações para os textos. Acho que está maduro para ser um produto, e tem tudo para agradar pessoas que precisam criar o hábito de escrever e querem fazer isso de forma inteligente e divertida.Corélio M.S.

Legal, né? Provavelmente irei realizar uma nova edição ainda em 2022. Se tiver o interesse de participar, me envie um e-mail. Será um prazer ter você nessa jornada.

Inté e boa escrita!

Bifurcações

A carta do poeta indiano parecia enganação,
o contrato de edição da Sete Letras não cheirava bem,
a proposta de estágio com o Wilson Cunha era irreal

Desprezei as parcerias
não remuneradas
com várias pessoas maneiras,
assim como aquela fila de trabalhos legais,
mas estranhos,
que nem cheguei a
pleitear

Não fiz vestibular de cinema pois a prova era longe,
abandonei a Darcy Ribeiro pois já tinha lido toda a
bibliografia
antes do curso
e achava os colegas
subpar

Nem comecei aquela pós
pois
os alunos usavam um texto meu
de humor
em seus trabalhos de fim de curso
como se fosse real

Não corri riscos que pudessem me prejudicar
As vantagens que poderia ter
sempre foram menores que os medos
que nunca deixei de
sentir

Todas as vezes que
a estrada divergiu,
eu segui,
sem fé,
pela rota que parecia mais segura,
mas
mais infeliz,
e não fez
a menor diferença
no final,
pois ainda estou
onde deveria estar
Aqui, ou lá
Depende de onde você
o-
lhar

Mas sempre dá pra mudar,
não dá?

Todo dia
é dia
de bifurcar