Arquivo do Autor: Lisandro Gaertner

Sobre Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

Um gigante de visão

Conheci Marcelo Lachter no dia em que, num momento de desespero, resolvi vender minha biblioteca para pagar uma conta de telefone exorbitante que não era minha culpa. Ele foi à minha casa, comprou meus livros, me deu bons conselhos e 9 meses depois me fez uma proposta que mudou a minha vida: “Quer ser sócio numa livraria?”

Aceitei, sem pensar duas vezes. Me tornei seu sócio na Baratos da Ribeiro, que, para mim, durou apenas 9 meses, mas que existe até hoje, capitaneada por mais um de seus tutelados e meu amigo, Maurício Gouveia.

Marcelo era um gigante em todos os sentidos. Alto, calmo, cheio de sabedoria; juntava hordas de pessoas interessantes ao seu redor. Sempre tinha algo inteligente e cheio de coração a dizer. Apesar de ter um problema físico de visão, que poderia parecer um impeditivo para que trabalhasse com livros, ele tinha o melhor olho que já vi. Sabia escolher pessoas para cargos e amizades, livros para as lojas e em 2000 já tinha visto a possibilidade e tentado criar algo bem melhor do que a Estante Virtual que temos hoje.

Quando a nossa sociedade na Baratos acabou, ficamos afastados por algum tempo, mas logo busquei retomar o contato e as rusgas sumiram rapidamente.

Tentei voltar ao mercado de livros usados 5 anos depois do lançamento da Baratos e ele foi convidado para o lançamento da minha nova loja. Apareceu, analisou as estantes e os livros com seu olho clínico, e me disse: “Você está cobrando muito barato, assim a loja não vai se manter”.

Não deu outra. Fui à falência em menos de um ano e, no fechar das portas, o chamei novamente para comprar todo o meu estoque, que ele levou barato mas com justiça.

Depois de abrir e fechar a minha carreira como livreiro, ele me ofereceu uma carona. “Eu sei que não consigo ver quase nada, mas consegui tirar a carteira. Vamos nessa, pode confiar”. Como fiz antes, confiei. E lá fomos nós de noite, em direção à minha casa, com ele usando as lanternas dos carros da frente como guias.

Quando me deixou na porta do meu prédio, ele me disse: “Comecei a dirigir, pois acho que um adulto que não dirige tem algum problema em tomar o controle da própria vida”. Impactado, um mês depois, tomei controle da minha e comecei a trabalhar de carteira assinada. Quanto a dirigir, ainda não aprendi, mas sempre que entro num carro lembro dele e do seu conselho.

Depois dessas experiências, fomos nos esbarrando pela vida esporadicamente. Fui no lançamento do seu galpão de livros; me envolvi, parcialmente, numa ideia doida que ele teve de criar um curso para executivos baseado na série 24 horas; participei de uma maratona para comemorar o seu aniversário, qual ele mesmo arriou às 11 da manhã; e nos falamos bastante para apoiar um antigo livreiro que estava passando por um momento de dificuldades. No ano passado, lancei um projeto de narrativas sobre o 11 de setembro e pedi o seu depoimento, que ele me enviou com muita generosidade.

Ontem fiquei sabendo do seu falecimento. Nas redes sociais, toda uma geração de livreiros que ele criou fez coro com o que acabei de dizer. Era um cara gigante, de grande visão, com um coração enorme, que mudou a vida de todos que conheceu. Ele, sem fazer esforço, foi responsável por carreiras, empreendimentos, experiências de vida marcantes, e até casamentos e, consequentes, nascimentos.

Marcelo foi uma dessas pessoas que vieram ao mundo para transformar a vida dos outros, e, mesmo não tendo filhos, deu à luz um país mais inteligente, culto, cheio de compaixão e alegria. Que a sua memória seja uma benção a todos nós. Zichrono livrachah.

Smart City Gulliver

Ele gostava de se considerar um sujeito normal, e até seria, não fosse a sua altura. Quando chegava em qualquer ambiente, sempre tímido e discreto, imediatamente se destacava: era maior que os outros; muito maior que os outros. Em todos os sentidos.

Com pequenos abalos sísmicos, seus passos, mesmo de chinelos, denunciavam a sua entrada; sua cabeça e seus pensamentos, bem mais elevados que os nossos, quase chegavam às nuvens; e suas palavras iniciais, vindas do céu, ressoavam como um trovão inesperado. Era assustador. Até a gente começar a ouvir de verdade.

Seguindo o trovão inicial, daquela figura imponente, vinha uma fala mansa e amiga, tão convidativa, que tornava irresistível o desejo de abraçar as suas pernas como se estivéssemos abraçando uma árvore. Assim, em volta desse sujeito enorme, nos congregávamos ritualmente para celebrar a amizade e a generosidade que ele inspirava em todos nós.

Talvez por isso, quando começaram a discutir como tornar a cidade inteligente e inteligível, ele foi convocado. Ele conhecia a tecnologia, sim, mas também tinha a empatia e a gentileza necessárias para fazer essa transformação na arquitetura e nos processos da cidade, e nas relações e na emoção dos cidadãos.

Como não podia deixar de ser, foi um sucesso. A vida de todos melhorou e ele, que já tinha tantos amigos, se tornou amigo de todos.

Apesar de tanta amizade ao seu redor, ele se sentia sozinho: lhe faltava um amor. E não era por falta de tentativa. Ele tentava, insistia, mas nenhuma das candidatas, estava à sua altura. Sempre faltava algo. Ele até relevava as falhas das pretendentes, mas elas próprias se afastavam, sempre com o mesmo discurso: “Não sou boa o suficiente pra ele”.

O seu sucesso na amizade e o seu fracasso no amor se tornaram tão lendários que ele começou a achar que eram questão de destino. Até conhecer a Pequenina.

Vinda de fora, a Pequenina era também uma especialista em cidades, mas, fora isso, era o seu oposto. Ao contrário dele, nunca usava chinelos, apenas botas; era solitária e feliz com isso; sua voz era baixa, mas incisiva; não conquistava aqueles ao seu redor, mas os dominava. Assim como controlava as pessoas, ela queria controlar as cidades. Enquanto a cidade dele era um encontro prum chopp de fim de tarde, a dela era uma rigorosa função matemática. Inesperadamente, ele se apaixonou.

Os amigos, que raramente faziam objeções aos seus relacionamentos, não se furtaram a dar sua opinião: “Ela é muito dura. Ela é muito mandona. Ela é muito…muito. Enfim, ela não tem nada a ver com você”. E não tinha. Confrontado, ele se explicava: “Vai ver, por isso, eu acho que vai dar certo”. E deu certo. E deu errado, também.

Ele estava nas nuvens. Agora figurativamente. E ela parecia ser, com ele, o oposto do que era com os outros. Em suma, ele estava feliz.

Mas, estranhamente, isso começou a comprometer o seu trabalho. A cidade, sem conseguir competir com esse novo amor, saiu dos trilhos, como uma criança abandonada. E, antes que viessem a questionar a qualidade da sua atuação, ele mesmo abdicou do seu cargo em nome da amada, que também assumiu o seu papel como planejadora da cidade.

No dia em que abriu mão da sua missão em nome do amor, ele e a Pequenina saíram para jantar com os amigos. Dele. Ao invés de choro e lamentos pelo trabalho perdido, ele comemorou como se finalmente estivesse saindo em direção a uma viagem muito esperada. Os amigos, conformados com a sua escolha, se despediram deles e os deixaram sozinhos para celebrar a escolha do amor. Varando a madrugada, depois de consumarem repetidas vezes a sua escolha, dormiram.

Com o sol nascendo, ele acordou feliz e esperançoso, mas não a encontrou na cama. Tentou se mover, mas não conseguiu. Percebeu que, embaixo do lençol, seu corpo estava preso por cordas. Gritou o nome da Pequenina, mas não teve resposta.

Quer dizer, ouviu algo, mas era apenas um zumbido. Seguiu o som quase inaudível com os olhos e a viu: a Pequenina. Ela, muito menor do que já era, quase do tamanho do seu dedo polegar, caminhava, nua, vestindo apenas as suas botas, sobre a sua barriga amarrada. Sob o seu olhar de surpresa, ela lentamente se aproximou do seu queixo, beijou sua boca caída com seus lábios diminutos e sorriu maquiavélica: “Bem-vindo a Lilliput, Gulliver”.

Labirintos e labirintos

Sou um colecionador de técnicas criativas e, nessa busca incessante por novas ferramentas e experiências, ontem comecei a fazer a oficina gratuita da Sheyla Smanioto, O Caderno como um Jardim. Não consegui assistir a aula ao vivo, nem antes de dormir, para fazer o exercício proposto, mas hoje de manhã rolou.

Na primeira aula, Sheyla trouxe a ideia do labirinto como uma metáfora para a encontrar uma saída dos bloqueios criativos e dos vieses inconscientes que te impedem de criar. É uma metáfora forte e esperta, pois, ao invés de olhar para os obstáculos como paredes intransponíveis, os transforma em caminhos, às vezes tortuosos e dolorosos, mas que sugerem a esperança de uma saída. Foi nesse ponto em que o curso me perdeu. Nos labirintos.

Em inglês, o que chamamos de labirinto tem duas palavras para designá-lo: Maze e Labyrinth. Apesar de terem características em comum- caminhos misteriosos, sem um fim à vista, que precisam ser desvendados- há uma diferença fundamental entre os dois. O Maze é um caminho com múltiplas escolhas, algumas certas, outras erradas, que irão levá-la, ou não, à sua saída ou ao seu centro. O Labyrinth, por outro lado, é um caminho único, sem saída, mas também sem rotas erradas, cujo trilhar leva apenas ao seu centro.

Do site https://sketchplanations.com/maze-labyrinth

Quando usou a metáfora, Sheyla se referiu muito ao primeiro, ao Maze, trabalhando como saímos deste labirinto ou sobre as escolhas de caminho que precisamos fazer. É uma visão pragmática e de iniciação mística que implica numa resolução: siga o mapa e não ficará perdida; e, pior, que o labirinto é transponível. Aí está o meu maior ponto de discordância. Pra mim, esse labirinto, entendido como Labyrinth e não Maze, não é um obstáculo a ser vencido. Pra mim, pior, o labirinto é tudo o que há.

Na minha opinião, sendo brutalmente taoísta, estamos sempre no caminho. Podemos ficar cansadas, com medo, frustradas e até sentarmos no chão para chorar em alguns momentos, mas esse é o caminho a se seguir. O obstáculo, na verdade inexistente, é o que faz a nossa vida. Portanto, em vez de tentar encontrar uma saída ou um caminho mais rápido, precisamos mudar a nossa forma de lidar com o labirinto e abraçá-lo, entendendo as suas voltas como reencontros com nós mesmos, e as suas repetições como pistas do que encontraremos em seu centro.

Claro que dizer às que sofrem com bloqueios criativos que esses percalços são inevitáveis e que deveriam, inclusive, ser celebrados não é muito reconfortante. Porém não me vejo seguindo mapas quando o caminho, por mais doloroso que seja, é o que faz o encontro com o meu centro realmente valer a pena. Enfim, o que me falta não é um mapa, mas uma mudança de consciência. E para atingí-la não preciso vencer o labirinto, mas simplesmente aceitá-lo.

Revisitando Hogwarts

Graças à Alícia, estou assistindo em ordem e religiosamente aos Harry Potter. Lembro de ter lido o primeiro livro em 2001 e achado legal, mas nada de espetacular. Na época, inclusive, a minha impressão foi que até Os Olhos do Dragão do Stephen King, uma fantasia Young Adult bem rasteira, tinha me parecido mais imaginativo. Porém, passada toda a loucura midiática e com a perspectiva da série inteira, consigo ver alguns pontos positivos bem interessantes na obra da J.K. Rowling.

Vamos a eles: os temas e os personagens envelhecem com o público; se impõe uma pausa de consumo da mídia, seja cinema ou livro, de pelo menos um ano entre idades, o que não sobrecarrega o público; há uma clara diferença de profundidade nos temas abordados de acordo com a idade dos personagens e do público ao qual ele se destina; e os personagens não simplesmente mudam e evoluem, como toda obra aumenta a sua complexidade paulatinamente. Tudo isso denota um grande esmero, esforço no planejamento e cuidado na execução. E, além disso, consegue escapar do risco de parecer uma obra corporativa sem coração, feita mecanicamente para maximizar vendas de bonequinhos e brinquedos, como Star Wars se tornou.

Mas isso não muda a minha impressão original: Harry Potter continua não sendo super imaginativo. No filme, parece que a tecnologia bruxesca mais ubíqua é a aplicação de GIF animado em tudo. Porém, não dá pra negar que é cativante e simpático.

Lembro do que a gente tinha de fantasia/fc na minha infância e, cá entre nós, Harry Potter parece uma opção bem melhor. Comparando com os filmes B de Espada e Feitiçaria, os clones de Star Wars, as revistas em quadrinhos do Conan e raras edições de obras excessivamente preocupadas com detalhes e autocentradas nas obsessões dos autores, como Elric, O Senhor do Anéis, Gor, Duna e A Fundação, Harry Potter é uma série respeitosa e comprometida com o crescimento e entretenimento do seu público. Mas, confesso, prefiro obras mais estranhas e difíceis de consumir. Deve ser o costume.

O DJ Fascista versus o Povo Brasileiro

7 de setembro de 2021

9:57 AM

No bloco C do Edifício JK, de um apartamento não identificado, começa a tocar, num volume acima do esperado, o hino nacional. Dada a atual situação política, os demais condôminos ficam incomodados. Mas não fazem nada.

10:08 AM

Depois de 2 versões remix do hino nacional e de uma versão à capela do hino da bandeira, Matilde Rocha, professora de Yoga sexagenária, decide se manifestar:

– Desliga essa porra, filho da puta.

O DJ aumenta o volume.

10:16 AM

Num volume insuportável, o hino do exército entra no terceiro repeat e um coro se forma:

– Fora, Bolsonaro! Fora, Bolsonaro!

O DJ aumenta o volume novamente, mas, logo após o quarto repeat do hino, entra a propaganda do plano gratuito do Deezer. O som é desligado no meio do reclame digital, sob as risadas dos demais condôminos.

10:33 AM

Depois de um breve período de paz, o DJ Fascista volta a atacar, agora com uma playlist temática sobre o Brasil. Toca “Brasileiro com muito orgulho” do Timbalada e “Aquarela Brasileira”, na versão do Emílio Santiago. O restante do prédio faz até vista grossa. Quando Caetano Veloso começa a cantar “Aquarela do Brasil”, um engraçadinho do quinto andar grita:

– Vai pra Cuba, comunista!

10:52 AM

O DJ se irrita e retoma a playlist dos hinos. O povo, já sem paciência, rebate com gritos e até com uma Vuvuzela, resgatada da copa de 2014. Acuado o DJ contra-ataca gritando numa voz esganiçada quase infantil:

– A nossa bandeira jamais será vermelha!

Seu Luís, nonagenário, morador do 803 e calejado da ditadura do Estado Novo e do golpe militar de 1964, encerra a discussão:

– Ô, Mariozinho, para com essa merda de bolsonarista, menino, senão eu vou falar com o síndico e com o seu pai. Ah, e já que tá nas carrapetas, vê se toca uma do Raul.

Sob vaias e risos ensurdecedores, Mariozinho desliga o som e vai pro quarto reclamar no twitter da censura e da falta de liberdade de expressão.

11:26 AM

Alguém coloca “Apesar de Você” alto para todo mundo ouvir. Mariozinho continua de castigo auto imposto. Enquanto isso, as instituições lançam mais uma nota pedindo a paz entre os poderes e respeito à constituição. Em Brasília tudo continua igual. Até quando?

Patriotite

Imagino que o patriotismo, como o apêndice, já pode ter tido uma função. Numa época mais primitiva, quando os recursos eram escassos, e as pessoas viviam com medo constante, prontas a matar seus vizinhos por qualquer coisa, o patriotismo devia funcionar como uma ferramenta de coesão grupal.

– Por que eu não posso matar o meu vizinho, mesmo?
– Ué, ele é seu compatriota. Vocês são da mesma pátria.
– Tá bom. E por que eu devo ajudar ele a construir aquele poço, mesmo?
– Pela mesma razão, pois isso vai engrandecer a nossa pátria.
– OK. Entendi. Mas o que é pátria, mesmo?
– Como assim? Você não sabe o que é pátria? Você não é um patriota?
– Sou, sim. Sou, sim. Desculpe perguntar.

Assim o patriotismo foi se enraizando na nossa cultura e, como toda fantasia fabricada, necessitava de ferramentas cognitivas para perpetuar a sua ilusão. Ele precisava de fronteiras artificiais para “impedir” o uso dos recursos naturais da pátria por “terceiros”; de um modelo de governança que dêsse vantagens aos “articuladores” do patriotismo; de uma moeda que só eles pudessem imprimir para controlar a circulação de valores; e de símbolos, como uma fantasia romântica de origem, uma bandeira pouca imaginativa, e uma marchinha megalômana e autoindulgente, para incutir uma sensação de orgulho artificial em pessoas que só compartilhavam o mesmo local de nascimento.

O tempo passou, o mundo mudou e o patriotismo, aos poucos, foi deixando de ser útil, como rodinhas de bicicleta, ou superstições alimentares. Ficamos mais inteligentes e empáticos, pelo menos parte de nós, e começamos a trocar o medo pelo amor como tônica das nossas relações. Para que, então, nos aferrar a algo que não existe se já temos maturidade suficiente para tomarmos decisões sozinhos?

Sem respeitar esse nosso amadurecimento, o patriotismo não foi embora, e, como um órgão vestigial, um apêndice, ele permaneceu na nossa cultura, sem servir para nada a não ser perpetuar os modos e meios de opressão criados em seu próprio nome. E, hoje, no Brasil de 2021, estamos sofrendo de patriotite.

Invadido por más intenções metidas a valorosas e enganos propositais, este apêndice está sendo usado para defender os meios de opressão de uma parte da população sobre a outra, e para perpetuar uma cultura escravocrata, misógina, preconceituosa e ao mesmo tempo suicida e assassina. Como numa doença auto-imune, a inflamação desse órgão, aparentemente sem propósito, criado para nos impedir de cair no barbarismo, está nos tornando cada vez mais primitivos, e atacando o corpo que deveria defender.

E, hoje, no 7 de setembro, mais uma data fantasiosa, inventada para promover o mito de grandeza de um “país” que há 200 anos passou de pai pra filho e continua funcionando aos trancos e barrancos, sofrendo sucessivos golpes de estado capitaneados por forças armadas ociosas e com fantasias de poder, os agentes patogênicos dessa patriotite vão sair às ruas de camisa do brasil, fazendo arminha com a mão, para apoiar um genocida que se autoproclama um Messias com o único propósito de se apropriar do erário nacional e favorecer sua família de incompetentes e seus amigos milicianos. O patriotismo no Brasil está prestes a supurar.

Mas há esperança. Em 2007, cientistas da Universidade Duke descobriram que o apêndice, o do nosso corpo, fabrica e serve como depósito de bactérias que auxiliam na digestão, além de produzir anticorpos que ajudam na defesa do organismo. Talvez o apêndice do patriotismo possa também ter um uso e nos defender da própria inflamação que ele sofre e provoca.

Convocar o próprio patriotismo contra a doença que se apossou dele mesmo talvez seja a nossa última saída.