Arquivo do Autor: Lisandro Gaertner

Sobre Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

(as)sintomático

O telefone toca no meio da tarde. É o fixo. A filha se adianta:

– Vou atender, papai.
– Atende. Deve ser robô.

Não é. É a mulher. Ela quer falar com você.

– Deu positivo- ela disse.
– Positivo o que? Ah, entendi.

O dia meio que acaba e outro começa. Ela estava com febre, mas passou. A menina ainda está. Mas é uma febre baixa. Fora isso, sintomas de uma gripe bem leve. Você se assusta. E se piorar? O que vão fazer? Como coordenar a casa com isso no meio do home office? E, o mais estranho, por que diabos você não tem sintoma algum?

Você mede a sua temperatura, a da menina, usam o oxímetro, tudo ok. Engole em seco. Será um começo de dor de garganta? E essa sensação estranha? É medo ou dor de cabeça?

Você deixa a menina na aula online e volta pras suas reuniões fingindo que nada aconteceu. A mulher chega da rua.

– Por que você não tirou a máscara, mamãe? – a menina pergunta.

Como explicar? Não tem jeito fácil. Explicam. A menina entende. Melhor do que vocês.

Começam o processo de preparar a casa. Kits de pratos, talheres e copos exclusivos; trocam as toalhas de rosto; separam os cômodos onde cada um vai ficar.

– A gente não vai poder mais se ver?- a menina pergunta.
– Vai, mas menos, e sempre de máscara
– Então eu quero ficar na sala com a TV grande- ela decide.

Bom ter gente pragmática na família.

A noite chega. Jantam separados; assistem tv juntos por uns momentos, mas distantes; e vão dormir sem beijos ou abraços de boa noite.

Por incrível que pareça, apesar do medo, você dorme bem. Ainda sem sintomas.

Acorda antes do sol nascer; sente a testa da menina, ainda quentinha; mede a sua temperatura e usa o oxímetro, tudo normal. A mulher chama seu nome:

– Ela tá bem?
– Meio quentinha, mas parece bem. E você?
– Que nem ontem. E você?
– Sem sintomas.

Ainda.

Ainda é o dia 2 do isolamento . Quantos mais precisarão esperar até se sentirem seguros, quer dizer, mais seguros? Afinal, mesmo que não possam se tocar, vocês estão juntos, e, nessas horas, essa é toda a segurança de que precisam; esse é o sintoma do amor que irá lhes proteger.

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O Guia de Retorno à Normalidade para Antissociais

Eu sei que ainda falta um pouco(?) mas é importante estar preparado.

A pandemia, especialmente no Brasil, foi algo terrível, mas, dentro de toda essa tragédia, algumas coisas acabaram sendo corrigidas. Descobrimos e descartamos de nossas relações aqueles que não tem compaixão ou humanidade, a.k.a., eleitores da besta-fera; revimos os nossos hábitos, ou, pelo menos, pudemos encarar com mais clareza aqueles que nos prejudicam e tentar recuperar os que nos fazem bem; e nos permitimos viver um processo de recolhimento e autorreflexão com aqueles que nos são mais caros.

Para nós, os antissociais, foi, sim, uma oportunidade única: diminuir nosso círculo social, nos aprofundar em nossas obsessões solitárias, e conviver com as pessoas com quem realmente nos sentimos à vontade, nós mesmos. Quando em condições normais isso seria possível sem sermos vítimas da censura dessa sociedade excessivamente gregária?

Porém, agora que a vacina vai, graças a Deus, diminuindo o risco de contágio e de morte, os instintos primais de aglomeração do ser humano começam(?) a renascer ou, pior, se intensificar nos colocando no imenso risco de, não só voltarmos à normalidade do convívio social, mas de sermos obrigados a experienciar uma versão exacerbada desse hábito deplorável.

Então, a pergunta é: depois de nos livrarmos da pandemia, como podemos manter o lado bom do isolamento social?

Seguem cinco dicas que poderão nos auxiliar nessa transição.

1. Não aceite desculpas e não perdoe

Quando a poeira baixar e finalmente estivermos perto de nos livrarmos do projeto de genocida do Vivendas da Barra, aqueles que apoiam esses proto machos desde Fernando Collor voltarão com o rabo entre as pernas pedindo perdão pelo que fizeram. Dirão que estavam vivendo em bolhas que distribuíam informações erradas ou sofrendo de stress pós traumático por conta da crise sanitária e econômica. Não acreditem, não é de coração.

E mesmo se for, quem liga? Você não precisa devotar seu tempo a quem o aborrece, ou mesmo o aborreceu apenas uma vez.

Como proceder? Ignore seus contatos ou, ao menos, seja lacônico em suas respostas, contando os emojis e caracteres de suas mensagens.

Importante: evite os contatos presenciais a todo custo, mas, se eles forem inevitáveis, finja ouvi-los falar, responda às suas perguntas com outras perguntas, e corte o papo no meio alegando um compromisso qualquer com pessoas que eles não conhecem para fazer algo que eles não entendem, tipo curso de reiki online ou grupo de leitura virtual das obras de Georges Perec . Isso vai fazer cair a ficha deles.

Se mesmo assim não funcionar, é melhor ser direto. Seguem algumas sugestões de resposta.

2. Faça um compromisso consigo mesmo

E no caso daqueles que não nos incomodam demais, os que chamamos de amigos? Mesmo que a sua presença seja desejada esporadicamente, é sempre importante controlar essa nossa interação.

Para eles, mantenha sua agenda sempre cheia. Cheia de tempo pra você. Sábado de manhã sua agenda está bloqueada para reorganizar a coleção de VHS que achou no armário da despensa. Domingo de tarde? Nem pensar! Você se comprometeu a reler as edições do Novo Universo da Marvel. E nas noites durante a semana, me perdoe, você precisa descansar. A vida não é só diversão.

Lembre-se: se você não controla o seu tempo, alguém vai controlá-lo para você.

3. Prestigie as suas atividades solitárias

Na pandemia você deve ter sentido o gosto de fazer aquelas coisas que ninguém te permitia pois diziam ser chato ou exclusivas demais, tipo pintura em aquarela sobre fotos de jornal ou compilar regras opcionais de livros de RPG dos anos 80. Quando as coisas estiverem normalizando, tenha certeza, esses seus prazeres serão novamente questionados.

Para evitar essa pressão social, transforme as suas atividades em algo maior. Esse povo com dependência social morre de medo de status e trabalho. Então, não diga que vai ficar pintando aquarelas sobre a cara da Anitta na revista Ela de O Globo, diga que está produzindo uma obra de arte utilizando técnicas mistas. E se te questionarem sobre o caderno cheio de pequenas regras malucas de jogos de rpg obscuros, retruque: é pesquisa para um livro sobre game design com foco na experiência dos jogadores.

Seus hobbies são importantes, dê a eles o devido respeito. Afinal, quem esse povo que vai a Micareta e assiste jogo de futebol na TV acha que é pra julgar os seus divertimentos?

4. Aumente a sua presença virtual (nos lugares certos)

Se você caiu nessa falácia de redes sociais, sim, todos caímos em algum momento, e ainda não conseguiu se livrar, não se desespere. Sim, você, no momento, está desprotegido e é um alvo fácil para investida de qualquer um que tenha o seu número de celular ou saiba seu nome completo, mas dá pra resolver.

A primeira providência é mudar a sua “operação” para ferramentas de comunicação menos conhecidas. Porquê? Explique: privacidade, venda de dados, exploração de sua força de trabalho voluntária para venda de propaganda. Tá bom pra você? Assim, você pode alegar que só usa Whatsapp pro trabalho e que as pessoas vão poder encontrar você com facilidade no Signal, Skype ou Google Hangouts.

Para as redes sociais, o ideal seria abandonar tudo, mas isso provoca uma aporrinhação contínua. Por que você não está no instagram? Já leu isso no twitter? Por que você não entra n@ [insira o nome da rede social]? El@ é tão legal.

Minha recomendação é fazer como eu: criar sua plataforma pessoal onde não vai interagir com ninguém, mas dará a impressão de abertura que acalmará essa gente arroz de festa. Afinal, a melhor maneira de não saberem de você é escrever artigos num site, disponibilizar anotações num microblog exclusivo ou povoar uma versão particular do instagram. Se não vier na colher, o povo não consome.

5. Alegue estar sofrendo de síndrome da caverna

Tem vezes que não dá. Você tentou de tudo e eles continuam pressionando. Aí você tem que apelar pra uma síndrome. E não dá pra ser as de verdade que você tem e ninguém respeita. É preciso usar alguma coisa que esteja na moda, tipo a síndrome da caverna. Sim, depois de tanto tempo isolado, claro que você precisa se reacostumar ao convívio social. Então, se eles puderem respeitar o seu tempo e esperar só um pouquinho, já, já você volta… ou não.


Espero que essas dicas venham a ajudá-los a manter o isolamento social, sem pressões ou questionamentos, após a pandemia. Enquanto isso, e até depois, fiquem em casa, sozinhos, seguros, saudáveis e felizes. E não precisam me mandar mensagens de agradecimento. A sua distância e silêncio já são suficientes. Obrigado.

Não pense em elefantes

Tarde demais. Pro inconsciente não existe negação. Quando você não quer pensar em algo, pronto!, já pensou. Um, dois, uma manada de elefantes. Melhor pensar em outra coisa, mas no quê? Elefantes? Ai, meu Deus! Aí é autossabotagem demais. Melhor tentar não “não pensar”, mas me afastar lentamente do tema. Isso, assim, vou tentar gastar todas as minhas lembranças de elefantes pra não conseguir mais pensar em nenhum deles. Como se estivesse remando de uma margem de um rio à outra. Devagar. Só esperando não encontrar nada no caminho. Encontrei. O quê? Preciso dizer? Você sabe… Mas, relaxa, é um processo. Vamos devagar. Lembra do primeiro? É, do primeiro elefante. Será o Dumbo? Provavelmente. Se você não vive na África, esse deve ser o primeiro elefante que todo mundo lembra. Ou seria na Ásia? Segundo esse artigo na wikipedia tem nos dois continentes. Que doido. E ainda teve o Aníbal que atravessou os Alpes com elefantes de guerra. Elefantes de guerra, que conceito… Mas teve algo parecido no Senhor dos Anéis, não? É, o Legolas inclusive matou um enorme. Mas não chamava elefante. Como era o nome mesmo? Olifante? Acho que era isso. Olifante. Por isso é que não dá pra parar de pensar neles. Tem elefante em tudo o que é lugar.  Mas estou desviando da minha missão. Estou aqui tentando não pensar sobre elefantes. Certo? Vamos manter o foco, então. E depois? Que outro elefante? Deve ter sido no zoológico, mas não lembro de nada em particular. Quando era pequeno só me interessavam os grandes felinos e o macaco Tião. O zoológico não vai me ajudar. Elefantes, elefantes… Sei lá, lembro do clipe do Duran Duran, o Save a Prayer. Esse tinha um bando de elefantes. E, ah, o homem elefante. Que de elefante não tinha nada. Um cavaleiro, obrigado a pensar em elefantes a toda hora, pois o povo o comparava com um. Imagina só: ser obrigado a pensar em elefantes o tempo inteiro. Que terror. Então, foi isso. Acho que foram essas as minhas “interações” com elefantes. Ufa, até estou me sentindo melhor. Não estou pensando tanto em… neles, você sabe. Mas, engraçado, agora uma coisa me veio à cabeça. Tem aquele filme com o Will Smith, o Seis Graus de Separação, onde a Stockard Channing fala várias vezes sobre esse conceito, o de não conseguir parar de pensar em elefantes. O quanto das nossas mentes é de fato controlada pela gente? Será que não precisamos começar a considerar que a mente, a memória, e tal, por mais que façam parte da gente, não são A gente? Talvez assim fique mais fácil conviver com os elefantes que surgem na nossa imaginação e tanto nos angustiam. Sim, como se estivéssemos num carro percorrendo uma estrada, quando, de repente, uma pequena manada de elefante passa na nossa frente. Adianta torcer pra que eles não existam? Não, é inútil. Deixa eles passarem. Como é melhor deixar passar os elefantes que atravessam sua mente, sem ansiedade, sem medo. Uma hora, tenha fé, a gente nem vai lembrar deles. Assim como não vou lembrar da Stockard Channing. Ela tava nesse filme, mas ela fez um outro filme famoso. Qual foi ele mesmo? Ah, foi o Grease, mas, caramba, ela fazia papel de adolescente e já devia ter uns 30 anos. Deixa eu ver aqui na Wikipedia. Jesus, 34. Tinha 34 e se passava por 18.  Ai, ai, por que essa Stockard Channing não sai da minha cabeça. Vamos lá. Como faço mesmo pra parar de pensar num negócio? Pensei nisso exatamente agora. Tinha a ver com a… Stockard Channing. Ai, Deus, e lá vamos nós de novo. Não pensar na Stockard Channing me lembrando pra não pensar em elefantes.  Bom, em que filmes ela atuou mesmo? Deixa eu lembrar… tinha um que falava de elefantes. Você lembra desse? Vamos com calma, o primeiro filme que vi com ela foi…

Não pense em elefantes… ou em mim.

Duas segundas

Uma segunda qualquer em 2015. Eu acordava cedo com uma leve ressaca. Tinha fome mas a guardava para um momento especial. Tomava um banho quente e demorado, me vestia, e pegava o 434 pra ir pro trabalho.

Saltava na Mem de Sá e, ao invés de seguir pela Rua dos Inválidos, eu rumava pela Ubaldino do Amaral que me levaria mais próximo do meu destino. Ao lado da Caixa Econômica da Henrique Valadares numa rua quase de pedestres, lá estava ela: a padaria.

Era cedo, mais cedo do que meu horário de entrada no trabalho, mas ela já estava cheia. As pessoas se moviam freneticamente pelo espaço restrito, esbarrando entre si e com produtos velhos que ficavam em gôndolas esquecidas. O que as pessoas queriam de verdade estava do outro lado do balcão.

Havia várias tribos: o pessoal do suco de goiaba e sanduíche natural; os que queriam um salgado, ou dois; os que enfiavam o pé na jaca e já pediam um chessburger com coca; e o meu povo, o do misto com ovo. Buscando um alívio físico para a ressaca de domingo, e um suporte espiritual para aguentar a semana, o nosso pedido era sempre o mesmo:

– Um suco de laranja, um misto quente com ovo no pão francês e 100… não, 200 gramas de pão de queijo.

Com o adendo:

– Pra viagem. Aceitam ticket?

Pedido feito, era hora de navegar pelo mar de corpos que me impediam de chegar ao balcão e entregar a notinha ao chapeiro.

– Posso botar manteiga?- ele sempre perguntava.

– Capricha- a gente sempre respondia.

Ansiosos, esperávamos pela vez que o nosso sanduíche fosse pra chapa. Depois desse… será que… agora vai. E ia. Eventualmente. Não demorava nada, mas parecia uma eternidade. Sanduíche pronto, suco no copo para viagem e o saquinho de pão de queijo.

– Olha o misto com ovo do amigo! – ele avisava que estava na minha hora de ir trabalhar.

Equilibrando meu café da manhã, eu passava pelas catracas, chamava o elevador e chegava até a minha mesa. Ninguém ao meu redor. Ligava o computador e, enquanto ele zunia baixinho iniciando seus sistemas e ventoinhas, eu abria meu banquete. Beliscava um pão de queijo, dava um gole no suco e uma generosa mordida no misto com ovo. Ele descia quente até a minha barriga e me dava uma sensação gostosa de voltar para casa. Abria o e-mail, e, entre uma mordida e outra, eu começava a trabalhar. Estava tudo bem.

Hoje, uma segunda feira em 2021. Acordei cedo. Uma ressaca similar a de 6 anos atrás, mas, ao mesmo tempo, completamente diferente. Não tenho pra onde ir. Me arrisco a fazer um misto com ovo, eu mesmo. Não fica ruim, mas não é a mesma coisa que o da padaria. Não falta só habilidade, falta contexto.

Na despensa que transformei em armário office, ligo o computador, que inicia muito mais rapidamente do que há seis anos, e começo a trabalhar. Entre uma mordida e outra, sou transportado para a padaria. Seus cheiros e sons, suas emoções e sensações. Sinto saudades. Me pergunto se a padaria ainda está aberta após todas as crises que vivemos, incluindo a pandemia. Recorro ao Google Maps. Diz que está aberta, mas a foto, de 2019, mostra uma porta fechada com uma placa de aluga-se.

Eu me atrevo a ligar para o número que consta ao lado do endereço:

– Não foi possível completar sua ligação. Por favor, verifique o número e tente novamente.

Será que depois de tudo o que passamos, não teremos mais um lar pra voltar? Dou uma outra mordida no misto, já frio, e ele desce com um gosto amargo. Ainda há trabalho a se fazer, graças a Deus, mas não há mais o sabor de tempos atrás. Será que se eu fizer um pão de queijo, as coisas vão melhorar? Claro, pão de queijo sempre torna tudo melhor.

Ad Infinitum

Você se lembra do que fez? Lembro. E aí? Desculpa. Me diz por que você fez isso. Desculpa. Responde a minha pergunta. Não sei. Não sabe o quê? Não sei a razão. Então você faz as coisas sem razão? As vezes, eu acho. Eu fiquei muito magoada, sabia? Imagino. Imagina nada. E agora? E agora, o quê? Tá tudo bem? Tudo bem, nada! Mas já passou. Passou, mas eu não estou conseguindo me sentir melhor. O que você quer que eu faça? Fica quieto e me deixa pensar.

(….)

Vai fazer de novo? Claro que não. Então, promete. Eu prometo. Promete o quê? Prometo que não vou mais fazer isso. Hump. O que houve? Acho que você não prometeu com sinceridade. Prometi, sim, eu juro. Tá jurando que prometeu? Tô, ué. Quem jura mente. Ah, não vamos começar de novo. Começar de novo? É, vamos parar com essa discussão. Quem é que está errado aqui, hein? Sou eu, desculpa. Tá bom, agora fica quieto.

(…)

Ok, tá desculpado. Ah, que bom. Vai fazer de novo? Não, eu ju… Você o quê? Nada, deixa pra lá. E, agora, o que vamos fazer? Não sei, o que você quer fazer? Você está fazendo de novo. De novo o quê? Aquilo. Ah, meu Deus. Vai dizer que não fez? Tá, eu fiz, desculpa. Desculpa? É, desculpa. Parece que você não lembra do que fez. Eu lembro, sim. E aí? Desculpa. Você não tem jeito mesmo. Eu sei, eu sei.

(ad infinitum)