Arquivo da categoria: Ensaios

Como vivemos um parto de 30 horas e (agora) amamos isso

(com a participação especial de Gabriela e Alícia Gaertner)

Acho que chegou a hora. Depois de passar meses lendo e ouvindo a relatos de parto de outros, chegou a hora de contar o nosso. E que parto. Teve de tudo. Milhares de emoções, medo, alegria, suspense, surpresas, viradas de roteiro e um climax poderoso, que eu nem te conto.

Claro que conta. O relato é pra contar a experiência toda.

Eu sei. Só tava usando uma figura de linguagem.

Eu não sei. Você tem mania de escrever texto que não termina, começa de trás pra frente. Pelo menos o parto da nossa filha você tem que contar direito. Vim aqui só pra me garantir disso, OK? Continue lendo

As manhãs de domingo

Imagino a tristeza que foi o dia em que inventaram os dias da semana. Como, minha senhora? Se os dias da semana foram inventados? Claro que foram. Não posso dizer que são um embuste, apesar de o serem, mas, colocando de maneira mais polida, vamos dizer que eles são uma convenção. Sábado, domingo, segunda e assim por diante não passam de convenções. Combinadas entre nós e fielmente seguidas como uma religião indiscutível. Precisávamos de um sistema em que as pessoas soubessem o que precisavam fazer pessoal e coletivamente de sete em sete dias e, presto!, os dias da semana foram inventados. Continue lendo

Licença Paternidade

O autor pede licença para paparicar sua melhor criação e informar que está trabalhando no relato do momento mais rico e lindo de toda sua vida: o nascimento dela. Enquanto isso, fique com uma imagem da causadora desse pequeno intervalo sendo o mais coquete possível no seu 3o. dia de vida.

Oxitocina em forma humana

Oxitocina em forma humana

Estarei de volta em breve. Abraços e obrigado a todos que nos ajudaram nessa jornada.

“Três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade.”

Enfim, Alícia chegou!

Você vai receber uma carta

Segunda feira começa o Month of Letters. Não conhece? Explico. É um projeto que estimula que os participantes escrevam uma carta por dia (útil) no mês de fevereiro. E o mais o importante: que as enviem.

Parece simples, não? Mas, vou te falar, já participo desse projeto há dois anos e não é tão mole assim.

Em primeiro lugar as cartas devem ser escritas à mão, algo que, depois da primeira carta descobri, desaprendi. Quando cheguei na 10a. linha da primeira carta minha mão doía tanto que lamentei terrivelmente ter abandonado o hábito de escrever a mão. Além disso, só de olhar a minha letra, tinha cólicas de vergonha. Mas, depois da segunda carta, aceitei as minha limitações e mandava as cartas mesmo se a minha professora da primeira série não me desse uma estrelinha pela minha caligrafia. O mais importante era estar legível.

Lembre sempre da ergonomia quando for escrever suas cartas

O segundo problema é mudar o seu mindset. Estamos acostumados a uma comunicação telegráfica onde um diz “oi” e outro deve responder qualquer coisa para o papo continuar. Para escrever uma carta, se vocês não lembram do processo, é importante simular na sua mente o que o leitor estaria pensando enquanto a lê. Nessas conversas imaginárias, um assunto se liga no outro e precisamos continuar falando (ou escrevendo) sem ter o reforço de alguém estar a todo momento estar lhe dizendo OK ou HUM, HUM. Ao mesmo tempo que é libertador é um aterrorizante salto no escuro da sua própria consciência e do que você imagina sobre o outro.

A terceira coisa que mais me incomodou foi a pertinência. Quando nos comunicamos por IM ou por e-mail, é fácil jogar a isca para o outro e esperar que ele morda. E aí? Tudo bem? Tudo…. Tudo? É, mais ou menos… O QUE VOCÊ QUER DIZER COM ISSO? A pertinência é uma fé que o outro realmente se interessa pelo que você quer dizer. Para ter essa crença, é importante que em primeiro lugar você mesmo se importe pelo que você está passando para só então estar apto à e desejoso de compartilhá-lo com o outro. Logo, é impossível mandar imagens de gatinhos tocando piano ou mensagens de auto ajuda. Só conseguirá aparecer no papel aquilo que realmente fala ao seu coração. Doido, né? Para isso é importante que você esteja disposto a querer também saber dos outros. Afinal, mandar cartas é apenas uma consequência ou causa de recebê-las.

Em quarto lugar, o caminho até os correios. Mandar um e-mail é fácil. Investir a caminhada emocional aos correios é um salto de fé. Esperar que a sua mensagem chegue ao outro e ele, sensibilizado pela sua mensagem, lhe responda… é uma beleza abraçar esse mundo de incertezas. Escrever e esperar são coisas intrínsicas. Assim como escrever e não ser respondido. Acredite em mim, vai acontecer.

Está preparado para essa maratona emocional? Eu estou. Sei que só falei dos problemas, mas os ganhos são muitos.

Você troca a ansiedade pela expectativa. Fica mais aberto às experiências dos outros que deverão ser saboreadas e não imediatamente respondidas. Você cria um tempo diário para refletir sobre o que está vivendo e realmente descobrir aquilo que deseja compartilhar com o outro. Estimula a sua criatividade e reestabelece contato com o desejo de mostrar aos amigos o melhor de si. Enfim, é uma bela experiência fortalece seus laços com aqueles que ama e aumenta a sua percepção de si mesmo. E isso pelo preço de um selo (hoje em dia 1,25 para cartas de menos de 50g).

Então, vamos nessa?

Se quiser embarcar nessa insanidade missivista, mande seu endereço para o e-mail: lgaertner at gmail.com. E se quiser me conceder a graça de receber uma carta sua, aqui está o meu endereço.

Lisandro Gaertner
Caixa Postal 3290
Belo Horizonte – MG
30130-972

Te vejo na minha caixa postal!

Descompromisso com a verdade?

Tava hoje pensando novamente aqui com os meus botões sobre essa febre de cursos de storytelling para executivos. A minha primeira coisa que me pareceu foi que construiram toda uma disciplina em cima daquele conselho mais velho do que andar pra frente:

– Quando for começar uma apresentação, comece com uma piada.

Como perceberam que, como todo senso comum, isso era uma furada, resolveram mudar o adágio:

– Quando for fazer uma apresentação, utilize uma anedota. Continue lendo