Arquivo do Autor: Lisandro Gaertner

Sobre Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

O (des)encontro com o escritor

Quando eu tinha o sebo a gente atendia muitos escritores, por isso, quando vejo entrevistas com autores, eu sempre sinto que o livro virou menos do que é. Virou só um pretexto para um pitch de vendas.

Os entrevistadores e jornalistas, geralmente serem terem lido o livro e informados apenas pelos seus press releases, focam suas perguntas no processo de escrita, na rotina dos autores, na mística “de onde vêm as ideias”, nas ambições do livro (que não tem nenhuma), em como lidam com o sucesso (futuro ou presente) e em tudo mais que não se seja o tema do livro.

O livro não é a vida do autor. O livro é uma conversa, uma isca do autor para que o leitor, e o entrevistador, fazendo esse papel simulado, discuta o seu tema ou estética. Não é isso que vejo nas entrevistas. Vejo pessoas entrevistando celebridades cujo sustento virá da compra do livro. “Gostou dessa pessoa? Ela é legal e interessante, né? Inteligente também, não? Então compre o seu livro para que ela continue viva, mas não se preocupe, você não precisa lê-lo. No máximo postar uma foto dele no Instagram pra dar uma força”.

Isso me lembra do livro do Mamet, Teatro, onde ele afirma, com muita propriedade, que o papel do teatro é entreter o público. O livro tem também esse papel. Ele foi feito para ser lido e experienciado, mas, como o próprio teatro, hoje virou apenas um símbolo de ostentação intelectual, um fiapo de ligação com uma pessoa de aparente poder que irá imbuí-lo de um pedaço de identidade. Em suma, anexos de personalidade via poder de compra.

Quando eu tinha sebo a gente atendia muitos escritores e o papo era diferente. O papo era sobre o livro. O que os autores pensavam sobre o tema que tinham escrito a respeito, sobre as escolhas que fizeram na narração, nas personagens, na linguagem. Sobre o que poderia ser melhor, sobre o que ficou bom no livro e para ouvi-los ler. Isso faz diferença: ouvir a autora ler o seu livro. Mas, pelas regras do mundo, estabelecidas pelos nerds dos filmes de super herói e séries, tudo isso é proibido. É spoiler. Num mundo onde tudo é “porn”, a aferição de valor vem da (falsa) sensação de novidade e da possibilidade de repetição de consumo; mesmo numa atividade que sempre termina do mesmo jeito.

Eu não ligo pra isso. Sempre fui o louco que lia o livro depois de ver o filme. Se saber algo sobre a história lhe impede de ler o livro, cá entre nós, você nunca iria lê-lo mesmo. E provavelmente nunca irá ao teatro, afinal Hamlet, Romeu e Julieta, só pra dar um exemplo, morrem no final. Você não sabia? Desculpa o spoiler.

Depois me perguntam se o mercado editorial vai sobreviver depois dessa crise. Não vai. Dessa forma não vai. E não por conta de CoVid e afins. Vai perecer de amnésia. Vai passar boas dificuldades pois esqueceu o seu propósito.

Parece até que as editoras têm vergonha de vender livros, e viraram uma espécie de bar onde o mais importante é o guarda chuva do drinque e não o seu sabor. Ok, o público não é dos melhores, mas está no seu papel educá-lo e não enganá-lo vendendo culto a celebridade para empurrar papel encadernado com sinais de tinta no seu miolo.

Tá, talvez seja só, mais uma vez, chatice da minha parte. Talvez a falta que sinto de boas entrevistas com escritores seja só um reflexo da falta de bons livros, e, quando eles existem, de boas pessoas pra conversar a respeito deles.  Por falar nisso, me diz aí, o que você leu de bom atualmente?

O Tarot Musical

Eu aperto o Shuffle da minha única playlist como quem tira Tarot.

Aguardo com ansiedade qual é a mensagem que a primeira música irá me passar. Terei um dia bom? Não que isso seja ligado à qualidade da música, pois se está na minha playlist ela é boa, pelo menos pra mim. A pergunta é: o tema, o feeling da música vai bater com o meu estado de espírito? Música, como o destino, é uma questão de harmonização e sinastria. Tudo é bom no seu momento certo.

E a segunda música? Vai confirmar a mensagem da primeira ou gerar mais complexidade? Teremos aprofundamentos ou dissonâncias? A mensagem da playlist vai se tornando cada vez mais complexa a cada nova virada.

Os tons e as melodias revelam personagens, obstáculos, sonhos, medos e aspirações, e em cada música tento buscar o que há de mim nela e o que ela projeta em mim. Assim da Tiragem de Péladan, chegamos a uma Cruz Celta e avançamos sem limite ao que o futuro pode ser. Como num tarot de 754 músicas, tenho um batalhão de arquétipos particulares para me surpreender.

Cada música é um pedaço de mim, da minha história. Há uma razão para ela estar na playlist, e, acredito, há uma razão para que ela tenha sido escolhida para tocar randomicamente agora pra mim.

À falta de sentido imanente do mundo respondo com a fantasia mística de que a playlist conversa comigo sobre o futuro que vamos construir. Tão fantasioso como fazer planos de carreira, ler reports financeiros ou análises políticas, mas definitivamente muito mais gostoso e particular.

Mas uma hora a vida, ou a filha, ou o gato, me chamam e, como o pintor obrigado a abandonar seu quadro para a Vernissage, deixo a construção desse futuro imaginário com a fé de que sei onde vou chegar. A última pergunta é: o tarot musical me revelou um futuro fora de mim ou imprimiu em mim um futuro já feito da interpretação da minhas próprias histórias?

Essa pergunta eu deixo pra próxima sessão de Tarot Musical.

O Último Aniversário

Desde os meus 13 anos eu tinha um ritual que cumpria fielmente no dia do meu aniversário: reler Watchmen. Naquele 11 de setembro de 2001 não foi diferente.

Na época eu gerenciava o turno da manhã no sebo Baratos da Ribeiro e como já ia sair de noite, para não correr o risco de não cumprir a tradição, troquei de turno com o pessoal da tarde. Acordei, como de costume, bem cedo; fiz um café da manhã não memorável;  levei minha namorada no ponto de ônibus; e voltei pra casa pra cumprir o meu dever.

Separei as seis edições de Watchmen da Abril, aquelas originais do lançamento no Brasil; botei o cinzeiro e o maço de cigarros ao lado da cama; e liguei a TV baixinho na Bandeirantes para acompanhar as notícias do dia. Entre um cigarro e outro, ia revisitando o universo alternativo de Alan Moore, onde um bando de heróis impotentes tentavam inutilmente frear os impulsos autodestrutivos da humanidade. Lá pelo meio da história da captura do Rorschach, entrou um plantão da TV: um avião, aparentemente um monomotor, colidiu com o World Trade Center.

Parei a leitura e comecei a zapear pela curta lista de canais da época. Mesmo com TV a cabo foi rápido. A maioria dos canais exibiam as mesmas imagens e diziam algo que o jornalismo de hoje deveria dizer mais: “Não sabemos do que se trata. Ainda estamos apurando”. Só o SBT se mantinha firme na sua missão de alienação e continuava a transmitir desenhos animados durante o seu Bom Dia & Cia. 

Tentei retomar a leitura, mas um dos funcionários do sebo ligou de um orelhão avisando que o sócio que ia me substituir não tinha chegado. Comentei sobre a colisão do avião e pedi que esperasse uns 15 minutos antes de me ligar de novo. Ele me ligou em menos de 10 pra avisar que o sócio tinha chegado.

Liberado da função, voltei pra frente da TV, ainda com esperanças de terminar de reler o Watchmen. Consegui avançar até as sessões de psicoterapia do Rorschach, mas, em breve, ao vivo, logo veio a notícia da colisão do segundo avião. Agora, as dúvidas se tornaram certezas. Não poderia ser uma simples coincidência. Pra fazer sentido, tudo tinha que ter sido orquestrado. Era um ataque terrorista.

Enquanto os jornais começavam a enumerar os possíveis suspeitos, liguei pra loja e comecei a dar ordens, como se numa guerra. Ligar a TV na sala dos fundos; informar aos clientes que a sala estava disponível para quem quisesse acompanhar as notícias; trocar os livros da vitrine por tudo que tivéssemos sobre Oriente Médio, terrorismo e história americana recente; e aumentar o preço de todos os Alcorões que tivéssemos em estoque. Em frenesi, eu gritava no telefone pra motivar a equipe:

– Roma está caindo! Roma está caindo!

Fiquei em pé em frente a TV, dividido entre voltar a reler Watchmen e ir logo pra loja. Afinal, todos precisam assumir seus postos durante uma emergência. Para resolver o meu dilema, a torre atingida pelos aviões não resistiu e caiu. Vi e revi aquela cena por minutos na TV e ainda a vejo na minha mente. Atingido emocionalmente por aquela nuvem de poeira e pelas toneladas de aço de concreto do World Trade Center, não pensei duas vezes.Tomei um banho, botei os volumes de Watchmen que faltavam ler numa mochila, e parti pro trabalho.

A loja estava lotada. Na sala dos fundos as pessoas se espremiam para acompanhar o que acontecia no mundo, mesmo que agora fossem só replays e comentários. Todos tinham teorias e opiniões. Graças a Deus ainda não existiam redes sociais.

O sócio que me substituiu me lembrou que um dos outros sócios estava visitando a irmã em Washington. Comentou que tentaram falar com ele mas não conseguiram completar a ligação. Agora já era público o ataque ao Pentágono e que as comunicações nos e com os Estados Unidos estavam suspensas ou bloqueadas. Lembrei de alguns amigos que estavam por Nova York. Fiquei com vontade de ligar para eles, mas pelo jeito só nos restava rezar para que estivessem bem. 

Liguei pra minha mãe pra comentar sobre o ataque e ela aproveitou para confirmar o meu jantar de aniversário no mexicano da Cobal assim que a loja fechasse. Liguei pra minha namorada pra saber como ela estava e ficamos durante um bom tempo discutindo o que estávamos fazendo quando ficamos sabendo dos ataques e planejando o que faríamos depois do jantar. O turno da manhã acabou e precisei assumir a loja. 

O movimento continuou firme e forte. Quando começaram a anunciar os rumores sobre o envolvimento de Osama bin Laden, já tínhamos vendido quase tudo relacionado ao tema, desde os Alcorões majorados até aquelas besteiras sobre a Guerra do Afeganistão da Bibliex. O mundo como o conhecíamos estava ruindo, mas ainda havia gente no Rio de Janeiro disposta a tentar entender o que estava acontecendo. Era um mundo diferente. Um mundo que acabou naquele dia.

Quando anoiteceu, as pessoas, ainda aturdidas, começaram a se recolher. A sala de TV ficou vazia e alguns poucos clientes regulares vindos do trabalho apareceram na loja para saber como estávamos. Era como se todos nós estivéssemos em Nova York naquele dia. Era como se todos nós fôssemos vítimas daquele ataque. O que não deixava de ser verdade.

Minha namorada chegou do trabalho, esperei a saída dos últimos clientes, fechei a loja e fomos pra Cobal, encontrar a minha mãe. Quando chegamos no mexicano, Bush filho dizia na TV, sem meias palavras, que o mundo ia se tornar um estado global totalitarista mas, abalados com a queda do World Trade Center, não prestamos atenção. E olha só onde fomos parar por esse momento de distração.

Tentando ignorar o avião na torre, passamos a noite comendo tortillas, bebendo micheladas e discutindo como seria o mundo no dia seguinte. Ninguém tinha ideia, nem cantaram parabéns para mim.

Cansado, suspendi os planos pós jantar, me despedi da minha mãe, e fui pra casa com a minha namorada. Quando me deitei, lembrei dos Watchmen lidos pela metade. Deixei minha namorada cair no sono e fui pra sala retomar a leitura. Tudo parecia diferente. Sem gosto. As conspirações imaginárias e filosóficas do Alan Moore não conseguiam mais competir com a realidade brutal do instinto de morte e desejo de poder do Dick Cheney.

Deixei as revistas não lidas sobre o sofá, deitei na cama e abracei minha namorada rezando para que o amanhã fosse melhor. Fui parcialmente atendido. Nos casamos, temos uma filha maravilhosa e vivemos com muito amor e harmonia. Já o mundo… vocês sabem como está.

Quanto à tradição ela morreu. Nunca mais reli Watchmen e, também, nunca mais tive um aniversário só meu. E Roma? Ao contrário da minha previsão, Roma não caiu; ainda. Ainda.

Como não domar um gato

Mugshot do Criminoso

Hoje, mais de um ano e meio desde que chegou a essa casa, ele finalmente se mostrou domado. Ao contrário da mãe que, apesar de arranhões e mordidas ocasionais, rapidamente encontrou onde se aninhar nos nossos corpos, o filhote resistiu bravamente.

Ele fez de tudo para mostrar a sua insatisfação. Comia plantas; virava o lixo; cagava e mijava na pia; dormia no varal; e aparecia misteriosamente com uma série de pequenos e grandes ferimentos que nos faziam intuir que ele tentava repetidamente fugir da casa. Mas hoje, não. Hoje ele se mostrou diferente.

Ainda sem jeito, aprendendo a manifestar seu afeto, ele caminhou na nossa direção, se esfregou nas nossas pernas e se aninhou colado nas nossas costas. Levantou e subiu em cima de nós sem medo, afofou nossas barrigas e ofereceu as próprias costas para um carinho, o qual recebeu desajeitadamente. Até parecia igual mas ele estava diferente. Amoroso e confiante de não iríamos lhe fazer mal, muito pelo contrário, iríamos lhe dar carinho. Por isso ele estava finalmente relaxado, assim como nós.

Quando ia me congratular por ter finalmente dobrado esse felino safado, me caiu a ficha que a doma não é um movimento numa só direção. Não domamos os outros, não os tornamos dóceis pois eles são errados. Nós conseguimos domar o outro pois também somos domados.

Aprendemos a gerar a confiança no outro de maneira que haja tranquilidade e previsibilidade na relação. Encontramos a linguagem comum de amor e respeito que não irá gerar subjugação mas, sim, parceria. Como nos ensinou Shakespeare, A Megera não precisava ser domada, Catarina só precisava ser amada.

Hoje, não, ele não foi domado, mas, sim, demos um novo passo nessa parceria, E assim como donos e propriedades uns dos outros, nos permitimos curtir esse momento de confiança e…

——CRAAASH—–

Ai, ai. Parece que falei cedo demais. ASTRO! Que diabos você fez AGORA?!!!

Essa dependência é de morte

Meu pai costumava contar uma piada besta sobre como a independência do Brasil foi um erro. Na verdade Dom Pedro, depois de se aliviar nas margens do Ypiranga, teria gritado:

– Essa incontinência é de morte

Mal entendido feito, o Brasil se libertou de Portugal. Ou quase.

O problema do Brasil é que nunca tivemos uma revolução de fato. Tivemos revoltas. Muitas. Mas revolução, onde o povo se levanta e muda a forma de governo? Longe disso. A história do Brasil se move em golpes que gostam de se chamar de revolução: a independência, a república, o estado novo, a “gloriosa”, e, o distanciamento histórico nos dirá, se estamos num novo desses golpes disfarçados de revolução.

É sempre a história de uma briga de poder nos bastidores que chega numa resolução quase sempre pacífica mas ao mesmo tempo teatral. Alguns se revoltam e há mortes e tortura, mas pra maioria da população é business as usual. Não sei pra vocês, mas isso me dá uma certa vergonha. Fazer parte de uma nação de servos acomodados que, rapidamente, se acostumam a qualquer alma sebosa que tenha dois dedos de ambição e meia dúzia de imbecis para fazer coro é constrangedor.

Por isso, toda vez que vejo a direita bradando que a nossa bandeira nunca será vermelha e a esquerda se calando intimidada, eu penso: “Seria bom pacas que a nossa bandeira fosse vermelha”. Claro, afinal o vermelho na bandeira não significa comunismo, coisa que só se leva a sério no Brasil, como dizia Paulo Francis. Vermelho na bandeira significa derramamento de sangue em uma revolução popular. Algo que nunca tivemos e bem precisamos.

Por isso a direita, óbvio, não quer a bandeira vermelha, e a esquerda, por omissão, concorda. O que as “zelites” querem é a passagem de poder pacífica e teatral de sempre pra chamar de revolução ou, como dizem desde 1985, Nova qualquer coisa, república, política e o que seja.

Mas, nesse dia da in(hum-hum)dependência, confortavelmente deitado sob um cobertor, escrevendo sobre revolução, me questiono se realmente queremos, quer dizer, quero fazer parte dessa história. Seria muito mais confortável que alguém tivesse feito a revolução pra gente há 198 anos. Agora, com boletos, trabalho, etc e tal, será que podemos deixar essa revolução pro dia 8? Afinal de contas hoje, esqueceu?, é feriado.

Dá uma super vergonha da gente ser assim, mas, talvez, quem sabe, essa propensão a inércia seja uma vantagem evolutiva e quando formos atacados por ETs só os brasileiros sobrevivam por essa espetacular e vergonhosa capacidade de não se revoltar. Um povo único que só se move em casos extremos, como Dom Pedro com a sua incontinência.

O que conversar em aglomerações

Estou há quase seis meses em quarentena e, sim, sinto saudades de pessoas. De certas pessoas. De algumas, durante essa pandemia, descobri, até quero distância. Por diversas razões. Quem disse que não há males que vem para o bem?

Mas, na boa, muito me espanta esse povo que fura quarentena pra ficar aglomerado nas ruas do Leblon. Não acho possível que sejam movidos por uma irresistível saudade de alguém ou pela falta de contato humano. Pra mim é só o capricho básico de se achar melhor e mais protegido por Deus do que os outros.

Uma outra coisa que me intriga é o que diabos esse povo conversa nessas aglomerações. Durante a pandemia eu comecei a exercitar um grande diálogo interno e muitas vezes, quando sinto vontade de expressar algo, descubro que só ter pensado é suficiente. Afinal quem precisa saber que amei aprender a fazer crepioca, que o livro da Aline Valek reforçou a minha convicção num processo gradual e consciente de extinção da raça humana, ou que estou cheio de saudades de ir na Baratos da Ribeiro? Óbvio, ninguém.

A maioria das coisas que pensamos, aprendi, não merecem expressão e boa parte das coisas que expressamos mereciam ter sido repensadas. Por isso, o mistério. O que diabos esse povo fala nessas aglomerações?

Tenho minhas apostas. Devem elogiar a cloroquina; fazer elegias do em breve extinto Paulo Guedes; babar pela Micheque e pela suposta virilidade do coiso; contar das vezes que ralaram e rolaram com a Flordelis; discutir o quanto pagam a milicianos ou a ALERJ para conduzirem negócios escusos em seus currais; debater quem seria melhor presidente, o Dória ou o Huck; perguntar em qual candidato do partido Novo o colega vai votar; comentar o quanto acreditam que Damares é bem intencionada; e reforçar que, apesar dos pesares, ainda preferem o Crivella ao Freixo. Será que esse papo vale o risco de morrer (e matar) de CoVid? Eu acho que não e por isso vou aqui exercitando o meu diálogo interno enquanto o povo bebe em pé na Dias Ferreira e revela a sua soberba mediocridade.

Mas não vamos culpá-los. Infelizmente pensar não é pré requisito para falar, mas, pra manter o distanciamento social, é.