Arquivo do Autor: Lisandro Gaertner

Sobre Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

Vale Tudo e as origens do bolsonarismo

Só pra começo de conversa, bolsonarismo não existe, pois bolsonaro (em minúsculo) é minúsculo e não tem ideias. São as ideias que têm bolsonaro. Ele simplesmente se tornou o receptáculo de uma série de preconceitos, discursos de ódios e conceitos retrógrados. Como um ralo sujo reuniu e consolidou um rio de esgoto respeitando simplesmente a lei da gravidade. Mas, por fins de simplificação, vou chamar esse esgoto represado de bolsonarismo. Dito isso vamos ao tema em si.

Semana passada comecei a reassistir Vale Tudo. Foi uma novela que acompanhei quando tinha 12 anos e que até hoje lembro de muitos momentos. Guardo um em especial na memória: quando Marco Aurélio derruba a porta do filho pois acha que ele é gay por estar ouvindo música clássica. “Que imbecil” me lembro de ter pensado na época e comecei a ficar com uma raiva eterna de gente rica preconceituosa e de mau gosto que só dá valor a dinheiro. Quem disse que novela não tem caráter educacional?

Mas óbvio, rever não é ver, e 32 anos criaram uma super sensação de estranheza com a obra. Fora a enorme quantidade de fumantes, a fixação nas cenas de Antônio Fagundes de cueca e o excesso de tempo perdido em cenas longas sem diálogo ou sentido pra vender trilha sonora, algumas coisas parecem realmente exageradas. Uma delas é o grupo de personagens.

Ao contrário das novelas atuais que seguem a linha do maniqueísmo soft onde os bons são sofridos e cometem o mal por vingança, e os maus não são tão ruins pois tem suas razões para terem ficado assim; em Vale Tudo todo mundo, com o perdão da palavra, é filho da puta. Todo mundo precisa e dá suas voltinhas, afinal o Brasil, como a novela preconiza, é assim. Não escapa ninguém. Seja em pequenos ou grandes atos todos estão a fim de se locupletar. Até mesmo a musa do bolsonarismo: Regina Duarte, a Raquel.

É, a Raquel. A otária que tomou uma super manta da filha e vem ao Rio de Janeiro pois está “preocupada com ela”; a reacionária que se aproveita da bondade alheia e gosta de dar lição de moral nos outros; a mulher que acha que todo mundo está errado e só ela está certa. A epítome do passivo agressivo, uma filhote da ditadura em plena nova república.

Imagino bolsonaro, ostracizado do exército depois de conspirar em busca de aumento de salário, assistindo essa novela, enquanto concorria para vereador em 1988, pensando: “A Raquel tem razão, esses filhos da puta desonestos, ricos e pobres, acabaram com o Brasil”. Ou como Raquel diz num dos primeiros capítulos da trama “Me recuso a acreditar que o Brasil não tenha jeito”. Mas o que ele e Raquel não sabem é que o Brasil não precisa ter jeito, pois ele não é um carro que precisa de conserto, mas sim uma ideia e uma comunidade que precisa de acordo e diálogo. O que Raquel nunca teve com seu marido, um artista que ela odeia, e nem com a sua filha, que, sim, deu a volta na mãe. mas teve a coragem e o desejo que sua mãe sempre evitou. 

Assim, ignorante da sua própria mediocridade, como Raquel vendendo sanduíches na praia, bolsonaro se tornou vereador, acreditando ser possuidor de uma moral superior ao resto do mundo, montando a sua banquinha de “venda” de salários na câmara municipal com Fabrício Queiroz, o seu “Poliana”, com o único propósito de se vingar do mundo. Sim, pois em Vale Tudo todo mundo é filho da puta, especialmente a Raquel.

E agora, 32 anos depois, somos governados por uma sensação de ranço feita em carne, por uma Raquel hiper-realista: uma hipócrita, corrupta, vingativa e ignorante, metida a moralista. O que fazer?

Talvez a resposta esteja num exemplo no próprio Vale Tudo. Minto quando digo que todo mundo é filho da puta em Vale Tudo. Há pelo menos um ser humano decente lá: Eugênio, o mordomo. Empático, culto, dedicado e humano. Um homem de gostos simples mas refinados, sempre pronto a proteger Heleninha. Um exemplo pra todos nós. Mas vive numa caverna. Como todos nós. E talvez isso o faça um filho da puta também. Afinal, “Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados”.

E é essa omissão da qual Eugênio e nós somos culpados que tornou o Brasil esse Vale Tudo da vida real. É, Cazuza, qual é o nosso negócio? Por que a gente é assim?

O escritor carioca confinado

Toda vez que compartilho algum texto meu com colegas que não moram no Rio, recebo sempre a mesma crítica: “Pra que diabos você precisa ficar dando nome e endereço de tudo?”.

Entendo a crítica, compreendo a irritação, mas, sorry, não posso fazer nada.

É a sina do escritor carioca trampar de guia turístico. Machado de Assis fez isso, Joaquim Manuel de Macedo fez isso, João do Rio inclusive, olha a bandeira, tem um livro chamado A Alma Encantadora das Ruas. Avançando pelo século XX, Stanislaw Ponte Preta, e até os estrangeiros, como Nelson Rodrigues e os Rubens, Fonseca e Braga, se renderam a essa literatura de Guia Rex. O escritor carioca precisa mostrar de onde e a que veio. Afinal, pré pandemia, era um prazer flanar por essa cidade.

Por isso escrevo que os personagens avançaram a pé pela Tonelero ao invés de pegar a Barata Ribeiro. Isso é importante pra história e nos fala das escolhas que os personagens fazem e do que eles são feitos. Quem escolhe atravessar o Túnel Velho a pé pra chegar em Botafogo é diferente, e muito, daquele que pega um táxi e segue pela Lagoa subindo o corte do Cantagalo. O sujeito que chega no Méier de lotação é de outra espécie do que aquele que vai de trem e cruza a linha pra chegar do outro lado.

O escritor e o personagem cariocas são feitos de escolhas de onde ir e como chegar. Não tem grandiosidade, só pequenos dramas exagerados. Por isso a literatura do Rio é feita de gente discretamente escandalosa e de esquinas e lugarezinhos. Por isso não há literatura na Barra da Tijuca, lugar que nem deveria fazer parte dessa terra. Por isso, a literatura carioca não foi feita só pra se ler, mas para se andar.

Hoje, tentando terminar um conto que protelo desde meados de junho, esbarro num desses dramas. Os personagens deveriam ir pelo Joá ou pela Lagoa Barra? Como esse é um ponto central na história, confesso, fico paralisado. Sem poder botar os dois caminhos à prova, me pergunto o que será da literatura carioca sem o flânerie. Mas lembro da elite ignara que enche as ruas do Leblon durante a pandemia e tenho certeza: graças a esses miseráveis, caminhar pelo Rio nunca mais terá graça.

O Rio de Janeiro pode voltar a ser uma cidade turística?

O novo secretário do turismo, empossado ontem, aposta que dessa vez que o Rio voltará a ser um destino turístico.

Tentando apagar as duas décadas de estigma, após a terrível pandemia dos CoVid-19/20/21 que matou 93% da população e transformou o Rio de Janeiro numa grande cova coletiva, o novo secretário do turismo, Benício Huck, empresário e filho do ex-presidente Luciano Huck, garante que a proclamada cidade da morte do século XXI voltará a ser conhecida como uma cidade maravilhosa, assim como no século XX.

– A pandemia já está controlada há 7 anos e aprendemos a lição. A população que permaneceu é bem consciente e nossas belezas naturais estão em plena recuperação- declara Benício.

Com apoio da iniciativa privada, nos últimos anos a prefeitura reformou o centro histórico e recuperou o Aterro do Flamengo, destruídos pelos incêndios gerados pela população para se desfazer dos corpos que se amontoavam pelas ruas. Nos próximos dois anos ainda estão previstas a recuperação da orla, onde ainda se descobrem ocasionalmente corpos infectados tanto no mar como na areia, e da Floresta da Tijuca, destruída a mando do ex-presidente Jair Bolsonaro por um bombardeio de Napalm como uma tentativa de incendiar a cidade inteira e impedir a propagação das mutações do CoVid aqui surgidas.

– Sim, a população da época foi criminosamente negligente e por quebrar as regras de isolamento social transformou a cidade num símbolo da peste, mas isso vai mudar- garante o secretário.

Organizações que representam os cariocas sobreviventes da pandemia não apoiam esse plano. Joana Carvana, presidente da Funera-RIO, reforça que o plano do secretário além de desrespeitoso pode repetir um erro:

– O secretário precisa recordar que seu próprio pai numa atitude de populismo midiático tentou um plano parecido e gerou uma nova onda de CoVid que colocou a cidade em lockdown por dois anos e matou 400 mil pessoas. Uma nova tentativa frustrada pode condenar o secretário ao mesmo destino do presidente que não ouso dizer o nome.

Joana Carvana se refere ao ex-presidente Jair Bolsonaro que, após ser condenado por genocídio pelo tribunal de Haia, se encontra escondido com seus familiares no território das guerrilhas milicianas que tomaram o centro-oeste brasileiro.

O secretário rebate as declarações de Joana e das demais organizações de cariocas sobreviventes:

– Esse alarmismo nos impede de recuperar a cidade. Uma vida com medo paralisante é pior que tomar riscos controlados.

O fato é que o forte cheiro de carniça ainda se mantém na cidade e é comum os moradores sobreviventes declararem ver os fantasmas de antigos cidadãos, tanto os mortos pela pandemia e como os assassinados pelo governo Bolsonaro.

– Os mortos não descansaram. Continuam por aí. Pela culpa de terem votado errado ou minimizado a pandemia- declara Walter Chaves, um famoso autodeclarado médium. – Os erros terrenos de duas décadas vão demorar centenas de anos para serem revertidos espiritualmente. Se apenas soubéssemos onde iríamos parar talvez o povo tivesse sido mais consciente. Infelizmente agora é tarde demais.

O plano do secretário dará resultado? Só o tempo dirá. Ou será que Walter Chaves tem razão e já é tarde demais?

Extinção

Naquele último domingo todo mundo acordou cedo. Era um dia frio, frio mesmo, no mundo todo. E não choveu. Em lugar algum. Do mundo inteiro.

As pessoas, após acordarem, olharam pelas suas janelas e não se entristeceram com o céu cinza chumbo que circundava a Terra. Apenas sorriram e resolveram fazer as coisas que mais gostavam. Algumas foram trabalhar, mesmo sem precisar; outras visitaram parentes ou amigos; e muitas, mas muitas mesmo, foram pros parques e orlas passear e estar com pessoas que não conheciam.

E todos ficaram calados. Os trabalhadores se concentraram nas suas tarefas; os que visitaram outros apenas os abraçaram cheios de amor; e os que saíram às ruas simplesmente sorriam uns para os outros. E todos, mas todos mesmo, vez ou outra paravam o que estavam fazendo para olhar o céu. Aquele céu cinza chumbo. E sorriam, sentindo que o céu, como uma camada de proteção contra algo muito ruim, os defenderia o máximo possível contra qualquer mal.

Quando começou a anoitecer, as pessoas deixaram o trabalho, as famílias, os amigos, os parques e as orlas com uma sensação de dever cumprido, e se despediram umas das outras com acenos de cabeça discretos e sinceros. A hora, todos sabiam, tinha chegado.

Naquele último domingo, todo mundo foi dormir cedo. Tomaram banhos quentes e longos, botaram pijamas confortáveis e se esconderam do frio sob pilhas de cobertores aconchegantes. Quando todos, mas todos mesmo, já estavam sonhando, o céu cinza chumbo também resolveu partir e deu lugar a um incrível azul que ninguém pôde ver. Aos poucos, tudo, como o céu, também começou a ficar azul. As ruas, as florestas, as fábricas, as máquinas, os prédios, as casas, as pessoas. E esse azul, aos poucos, grau a grau, abaixou a temperatura com muita gentileza e cuidado até que todos, mesmo embaixo de seus grossos cobertores, estivessem congelados e preservados para as futuras gerações que não viriam.

E, assim, o dia e o mundo acabou.

Dezenas, centenas, milhares de anos passaram e todas as construções humanas ruíram. Nada que evidenciasse a nossa presença sobrou. Como uma piscadela do universo, sumimos no tempo.

Mas foi bom, bom mesmo, pois naquele último domingo tudo foi perfeito. Em 30 mil anos de consciência, naquele último momento, por pelo menos um dia, soubemos viver.

A humanidade, como um sonho de uma noite de verão cheio de som e fúria, veio e foi sem alarde, retornando a ser o pó de estrelas que nunca deixou de ser. Sem orgulho ou vergonha simplesmente fomos, simplesmente nos fomos. E nada ficou, pois nada fica. A não ser os céus azul e cinza chumbo que com carinho nos colocaram pra dormir.

Ninguém sabe mais pedir desculpas

Mais do que os abusos que são cometidos por pessoas sem noção, o que parece mais nos deixar revoltados são os seus pedidos de desculpas. Quer dizer, as tentativas de pedidos de desculpas, pois, sinceramente, não há o menor pingo de verdade em nenhuma delas.

Ao invés do famoso “eu estou/estava/agi errado, me desculpe/perdoe” que denota a passagem de poder do lado agressor para o agredido ao outorgar-lhe a habilidade de absolver seus pecados ou aliviar a sua culpa, o que esse pessoal normalmente diz é: “lamento/sinto muito se eu ofendi alguém/você, não foi a minha intenção/propósito”.

Segundo Análise do discurso 101, eles não acham que estão errados. E isso é o que mais nos enfurece. Eles “estavam” certos, e você, burro, não entendeu as suas intenções ou, pior, floquinho de neve, se ofendeu sem motivo. E, por isso, eles lamentam. Muito. De coração.

Quando vejo esses tipos tentando botar panos quentes nas besteiras que fizeram, enquanto choram que suas vidas acabaram ou que foram cancelados no twitter ou coisa que o valha, só consigo botar a culpa de tudo isso no “Gratidão”.

É, você já deve ter notado ou mesmo aderido ao termo. Nos últimos anos, ao invés de falar obrigado, muita gente começou a usar “Gratidão”. Eu até entendo a lógica por trás disso, mas os efeitos colaterais são nefastos, como vemos na popularização do “sinto muito”, que era um termo que se usava basicamente em inglês.

Tanto “sinto muito” como “gratidão” denotam como o emissor da comunicação se sente. “Obrigado” e “me desculpe” são sobre laços. Se você faz algo legal pra mim e eu respondo “obrigado”, estou estabelecendo um compromisso (estou obrigado ou “a la orden”, em espanhol) a retribuir o favor ou gentileza. Com “Gratidão” eu simplesmente informo como me sinto e te deixo a ver navios. Se vira, malandro.

Mas, pensando bem, num mundo onde todo mundo tem a sua voz e desaprendeu como escutar os outros, não existem termos mais adequados. Sinto muito se o ofendi com esse texto e gratidão por tê-lo lido até o final. 😉

Primeiro Ato

Olho para o que restou de 3 anos e 9 meses de trabalho: alguns livros, cds, crachás de eventos, contracheques e uma papelada terrivelmente inidentificável. Encaro a derradeira decisão: o que levar, o que deixar? Mais da metade disso, é óbvio, vai pro lixo. O resto coloco na minha mochila, presumindo que terá serventia. É um engano. Não terá.

Vou pra reunião em que anunciarão a minha despedida. Depois dos assuntos de praxe, o chefe pede a palavra:

– Agora um assunto fora da agenda- limpa a gargante. – Um dos caras mais criativos com quem trabalhei, não, na verdade, sem dúvida, o cara mais criativo com quem trabalhei está nos deixando.

O grupo não reage. Na minha fantasia teria gente rasgando as vestes. Sou criativo demais pro meu próprio bem.

– Esse cara,- o chefe continua- para quem a gente apresentava os problemas mais insolúveis e que, em dez minutos, arrumava uma solução para eles está indo embora.

O chefe bate no peito para representar que está com a voz embargada. É teatro, mas aprecio o esforço.

– Vai lá, cara- alguns se manifestam.- Fala alguma coisa.

Me levanto constrangido e vou para a frente do grupo. Olho a cara de cada um. Alguns amigos, muitos conhecidos, poucos, graças a Deus, desafetos.

– Vai, fala- clamam.- Tu vai pra onde?

Todo os meus planos de manter em segredo a maior parte do que iria fazer vão por água abaixo. Conto a empresa para onde vou, o cargo que vou assumir, a gerência em que vou trabalhar e a cidade onde vou morar.

– BH? -se espantam.
– É, BH.

A reunião termina e as pessoas, como num casamento, fazem fila para me cumprimentar. Parabéns, boa sorte, é uma perda, sei que vai se dar bem lá. Obrigado, valeu, eu sei, espero que sim. Algumas pessoas me abraçam, outras oferecem um aperto de mão, poucas me surpreendem e choram. É estranho descobrir que você vai fazer falta.

– E aí? Onde você vai pagar o almoço?

Rio amarelo e vamos prum galeto daqueles clássicos do centro da cidade. Linguiça, pão de alho, lembranças e cerveja. Bebemos e comemos o suficiente para não dormir sobre as mesas e voltamos pro trabalho.

Envio o e-mail de praxe avisando aos que não trabalham diretamente comigo que estou deixando a companhia. As respostas chegam rapidamente. Alguns vem a pé de suas estações de trabalho. Outros respondem à mensagem eletronicamente com ironias e deboches amigáveis. Algumas hipocrisias. Algumas sinceridades surpreendentes. A melhor de todas foi um cara que, ao saber, olhou para mim assustado e disse “Fudeu!”. A pior foi a minha desafeta número um batendo no meu ombro e desejando sucesso, longe dela.

Enrolo até o final do expediente e depois parto para o chopp regulamentar. Poucos e bons me acompanham. Livre das amarras da necessidade de manter o emprego, falo o que penso. Livres por estarem falando com alguém não poderá deixar escapar verdades inconvenientes, eles falam o que pensam.

O álcool sobe às cabeças e um a um os últimos companheiros vão abandonando o bar. De repente me encontro sozinho. Pago a conta como prometi e pego um taxi. No caminho o taxista pergunta:

– Pra onde?
– Pra BH.
– BH? Essa corrida vai ficar cara pra caralho.
– Botafogo, botafogo.
– Ah, tá.

O centro do Rio se afasta fisicamente de mim, o prédio onde trabalhei por tanto tempo começa a se desvanecer da minha memória e sinto uma certa inquietude. Estarei fazendo a coisa certa? Sim, sim. Não há dúvida. Nada reflete melhor o futuro do que o que acontece na despedida do passado.

Fim do Primeiro Ato. Plot Point.