Arquivo do Autor: Lisandro Gaertner

Sobre Lisandro Gaertner

Escritor, roteirista, game designer e especialista em aprendizagem. Mais informações na BIO.

A Branquinha de Paquetá

Não é de se espantar que uma noite fria de quinta feira em Paquetá tenha poucas opções de jantar, mas surpreende que elas, ou, no caso, essa tenha sido tão ruim.

A Barca chegou na estação às 19:30 e, no centrinho da ilha, o que não estava fechando já estava fechado. Com fome, paramos no único lugar que prometia uma sobrevida: o Bibi Lanches, na Pinheiro Freire.

Poucas mesas ao ar livre, dois cachorros de rua brigando por território, e apenas um garçom distraído, que podia muito bem dar conta da clientela pequena que só tomava cerveja e assistia ao Fluminense apanhar do Juventude. Com fome, com frio, e com pressa, pedimos logo as bebidas e a pizza, uma meia quatro queijos, meia calabresa, que esperávamos, fosse forrar o nosso estômago aquela noite. A bebida demorou um pouco a chegar e, enquanto o Juventude virava o jogo sobre o Fluminense, algumas outras almas famintas se achegaram a que parecia ser a única opção de jantar na ilha.

Dava pra notar que o movimento de delivery estava forte, e, por isso, imaginamos que haveria alguma demora no atendimento, porém não esperávamos que fosse tanta. Com 40 minutos no restaurante, uma das mesas que tinha chegado depois da nossa começou a ser atendida. Mas foi de um jeito tão rústico que beirava o desrespeitoso, que nem deu muita inveja. A pizza vinha servida numa embalagem de papelão destinada a entregas; os pratos e talheres, um luxo, pelo jeito, demoravam a aparecer; e o garçom fazia o maior esforço possível para ignorar os pedidos dos clientes que demandavam o mínimo de atenção.

Ansiosos, e famintos, desviando dos cachorros em briga, fomos atrás do garçom que deliberadamente, como os jogadores do Juventude, tentava nos driblar. Quando finalmente o encurralamos na rua para a qual tinha escapado e o questionamos a respeito do atraso e por que a outra mesa tinha sido servida antes da nossa, ele sem a menor cerimônia negou a realidade e disse que a gente tinha se enganado e que eles já estavam lá há muito tempo. Botamos na conta dos clientes serem locais e provavelmente amigos. Se faziam isso com os amigos, imagina com os inimigos.

Sem ter o que fazer, a não ser esperar, começamos a improvisar um bolão na mesa sobre quanto tempo demoraria para a pizza aparecer na mesa. Mais 15, mais 30, mais 45 minutos; mais uma hora; nunca? Tentando invocar a pizza, íamos ao banheiro, por acaso, sujo e mal localizado, na esperança de que, ao voltarmos à mesa, ela estaria servida. Nem preciso dizer que, como a torcida do Fluminense, sempre nos decepcionávamos.

Quando deu uma hora e 15 de espera, novamente fomos ao garçom questionar o atraso e ele informou que a pizza sairia em no máximo 5 minutos. Na esportiva, ainda brincamos que, pela demora, a pizza tinha que vir bem Moreninha, aos moldes do famoso personagem literário de Paquetá que dá nome a metade de seus comércios. O garçom, tentando expulsar os cachorros que corriam entre as mesas do restaurante, riu de uma forma que não nos passou a menor confiança que isso se concretizaria.

Quando já tinha atrasado 5 minutos dos 5 minutos prometidos, para tentar criar uma ilusão de que a pizza seria servida, o garçom trouxe os pratos e os talheres, o que já nos colocou num patamar de atendimento melhor do que o dos vizinhos que tiveram que comer com as mãos. Quando a pizza finalmente chegou, depois de 20 minutos de prorrogação, já imaginam, ela veio tão branca embaixo que suspeitávamos que estivesse crua. Como não tínhamos mais nada a perder, pedimos para que a pizza Branquinha, e não Moreninha, voltasse um pouco ao forno para dar uma dourada na massa, mas ele se negou a levá-la de volta:

-Como a pizza é feita em cima de uma tela(?), não vai adiantar levar de volta. Se não fica branca, ela fica queimada.

Confesso que fiquei na dúvida se queimada não seria melhor. Resignados, resolvemos comer a Branquinha que estava na nossa frente. Uma massa mole e leitosa, quase crua, e sem sal. Pra piorar, a pizza quatro queijos, que no cardápio prometia catupiry, provolone e parmesão, era só muçarela, orégano e um queijo cheddar industrializado e líquido que pingava como uma goteira em qualquer garfada. Quando questionado a respeito do erro na pizza, o garçom deu de ombros e disse que a 4 queijos era assim mesmo.

-Mas não é o que está escrito no cardápio- apontamos.

-Fazer o quê?

-É, fazer o quê?

Comemos a calabresa, que estava insossa e sem graça, e até provamos a de cheddar, quer dizer, a de 4 queijos que só tinha 2 queijos, mas não aguentamos comer nem um pedaço, pela quantidade de sal no queijo industrializado que usaram.

Congelados, ainda com fome, e derrotados, como o Fluminense, resolvemos pagar a conta, mas até isso foi difícil. Depois de 10 minutos pedindo por nossa libertação, tivemos que ir até o balcão para pagar a nossa alforria. Pelo menos não tiveram a audácia de cobrar 10% pelo (não) atendimento. Quem disse que não há pelo menos algo de positivo em todas as experiências ruins? Até pensamos em levar a metade da pizza que restou, e deixá-la num lixo no caminho para o airbnb, mas ficamos com medo de que os cachorros briguentos, ou alguma pessoa fosse se intoxicar com aquilo.

Fica, então, a dica, numa noite de quinta feira em Paquetá, fique em casa. Ou saia, quando finalmente abrirem uma outra opção que não tenha tanto desrespeito com os seus clientes como o Bibi Lanches. Até então não tenham esperança que Mano Menezes vai dar jeito no Fluminense ou que mais essa, dentre as inúmeras críticas ruins do Bibi, vai resolver a incompetência crônica do restaurante que serve a exclusivíssima e inesquecível Branquinha de Paquetá.

[oei#01] A fugidia identidade óbvia do livro

Pra começarmos esse processo de aprendizado sobre Edição e Gestão Editorial, seria importante, ou pelo menos de bom tom, tentar entender o que significa editar algo. É corrigir? É publicar? É imprimir? É financiar? É compilar? É guiar? Sim, é bem difícil definir, ou, melhor escolher o que seria a atividade do editor. Afinal, editar é tudo isso e muito mais.

Como bem colocado no livro Edição s.f. Um verbete expandido, distribuído gratuitamente pela editora Entretantas, a prática da edição (literária ou não) permite diversas visões e observações. Porém, como a edição cinematográfica ou musical, podemos dizer ela tem como principal função preparar, desenvolver e entregar uma obra para o encontro entre a intenção da pessoa autora e a percepção de seu público. É a edição, através de suas diversas etapas e funções, que viabiliza e permite que esse encontro ocorra. Um encontro que, no caso editorial, se dá no que costumamos chamar de livro. Assim, a pergunta que precisamos nos fazer, antes de definir o que é editar, é: o que é o tal do livro?

Livro, como amor, morte, conhecimento, e tantos outros conceitos claros e ao mesmo tempo fugidios, parece ser algo muito fácil de reconhecer porém quase impossível de definir. Na falta de uma clareza que vá além dos reducionismos dos dicionários, precisamos escolher estratégias de investigação.

Dá pra aceitar essa definição?

Podemos, de início, tentar uma visão histórica e, a partir dos primeiros registros humanos de arte rupestre nas cavernas, buscar o momento em que algo graficamente produzido começou a ser chamado de livro. Passaríamos com transições bastante fluídas do momento do papiro (vegetal) e do pergaminho (de origem animal) em forma de rolos, até os códices (iniciados em pergaminhos e depois finalmente em papel), passando pelos dípticos, com diversas visões discordantes sobre o momento mágico em que o livro nasceu.

Poderíamos também discutir a sacralidade do livro e a sua relação com a compreensão do universo como um livro escrito por Deus, como tratado por Alberto Manguel em O leitor como metáfora, ou tentar traçar a concepção do livro a partir da história do papel, discutida, por exemplo, no evento da Fundação Eva Klabin condensado no livro A Cultura do Papel, e como da devoção ao divino e ao inexplicável, pré prensa, o livro se tornou, pós Gutenberg, uma ferramenta de devoção à ciência e ao conhecimento.

Outra maneira de buscar uma definição seria trilhar os caminhos das boas práticas de mercado, das instruções normativas, por exemplo na NBR 6029:2006, ou legais, na Política Nacional do Livro. Porém, as mesmas não são concordantes entre si, nem suficientes abrangentes, pois atendem a diferentes propósitos que não a conceituação ontológica do livro que buscamos.

Outros caminhos sem saída igualmente reducionistas seriam buscar esse “ser” do livro a partir dos seus temas via a Classificação Decimal de Dewey, ou nos debruçar sobre a economia da sua cadeia produtiva, ou sobre o seu processo de produção industrial ou artesanal, cada vez mais mutante e fluído, ou mesmo sobre a análise e categorização das suas partes constitutivas descritas na NBR 6029, igualmente traiçoeiras e mutáveis.

Frente a tantas dificuldades, talvez, o caminho seja, em vez de buscar uma definição sobre o livro, como num Koan, tentar atingir a sua compreensão sem palavras. Assim, dizer que o livro é um objeto (físico ou não), móvel, mas nem sempre portátil, que se presta a ação da leitura, pelo indivíduo que o porta, ou por outro, no caso dos áudios livros, seria tão (in)adequado quanto dizer que livro é simplesmente um troço feito pra gente ler.

Uma definição tão boa quanto qualquer outra

Especialmente, pois, se precisamos dar toda essa volta e descobrir o que é o livro para definir o que é editar, precisaríamos também entender o que é ler para entender o que é o livro. Ou poderíamos simplesmente deixar tudo de lado e fazer como os chineses que usam a mesma palavra tanto para livro como para ler: SHU.

Melhor relaxar e não nos preocupar, então, com o que livro é ou não é, mas, sim, nos dedicar ao que livro pode ser. Aí, sim, a sua indefinição deixa de ser angustiante para se tornar realmente sedutora. E, talvez, o próprio exercício de editar seja só isso: o constante quebrar e reconstruir as definições do que o livro pode ser.

[oei#00] A presença insofismável da carreira fantasma

Com quinze anos, não sabia o que queria da vida, mas coloquei na cabeça que iria trabalhar com jornalismo, só não sabia exatamente com o quê ou como. Já produzia uns fanzines e a maior parte do meu tempo era devotada a desenhar, ler, e escrever, portanto, a inclinação para a carreira, mesmo que obscura, me parecia simplesmente natural.

Na mesma época, meu colégio nos ofereceu a oportunidade de fazer uma iniciação científica, e, para a minha surpresa, jornalismo era uma das opções. Não estava sozinho em minhas ambições. Alguns amigos também seguiram a minha linha, fazendo pesquisas mais acadêmicas sobre metáforas futebolísticas e técnicas de entrevista. Sem saber a que me devotar escolhi o caminho fácil(?) de participar do processo de edição de um número de um jornal(zinho) cultural. Na primeira entrevista com meu futuro orientador, animado pelas minhas aventuras no mundo dos fanzines, mostrei meus projetos cheio de orgulho. Ele olhou o material já publicado e impresso em xerox, pegou a matriz da capa do Twilight Zone, meu novo projeto ainda em concepção, exibindo uma colagem de uma foto enorme da Deborah Harry cercada de ogivas nucleares e personagens do Watchmen, torceu o nariz e riu baixinho.

-Isso aí não passa de uma fantasia. Agora, isso, sim, é A REALIDADE- sentenciou e me entregou a última cópia do tal jornal(zinho) de sua criação, careta e feio, que eu iria editar.

Não deu outra, peguei ranço.

Passei três meses tétricos, resumindo textos chatos e tentando encaixar as colunas convidadas e mal escritas num arquivo do PageMaker num Macintosh já antigo para o ano de 1991, mas persisti. Depois de muita batalha, finalmente entreguei a edição com louvor, mas, cheio de ódio, prometi que nunca mais iria me dedicar a esse tipo de trabalho.

Óbvio que era mentira.

Traumatizado, escolhi outra carreira na faculdade, me formei, comecei a trabalhar, e, ao contrário do que prometi, não deixei essa linha de trabalho, mas o fazia, como bem definiu o Steven Pressfield em Turning Pro, como uma espécie de carreira fantasma.

Enveredei pela área de educação corporativa, mas, cá entre nós, na verdade trabalhava com edutainment: escrevia e editava livros de negócios e publicações técnicas, algumas em formato de ficção ou quadrinhos; roteirizava e produzia animações para treinamentos gamificados; dava cursos sobre storytelling e desenvolvimento de criatividade; e desenvolvia jogos e material de divulgação para aprendizagem organizacional. Em suma, fingia trabalhar na educação, mas era, pelo menos na minha cabeça, escritor, roteirista, produtor, e editor. Pra piorar, em determinados momentos da minha vida, ainda fui sócio e gerente de duas livrarias.

Não posso negar, a carreira fantasma me satisfazia e, além do mais, pagava e paga as minhas contas. Mas, nas imortais palavras de Beto Gessinger, “tudo que eu sentia era que algo me faltava e à noite eu acordava encharcado em suor“. Pra aplacar essa falta, acabava que, como hobby, fazia algumas incursões em projetos mais artísticos, mas sempre como brincadeira.

Aí bateu a pandemia.

Estranhamente, sem o trajeto pro trabalho e as atividades sociais, mesmo com o aumento da carga horária, fiquei com uma quantidade de tempo maior que o usual e comecei a me envolver em cursos de literatura, cinema e criatividade. Fui da Literatura Infantil ao Roteiro de Documentário, da Flash Fiction às propostas de Ítalo Calvino para o século XXI. Aos poucos, estimulado por esses novos contatos e iniciativas, assim, organicamente, comecei a conduzir minhas próprias oficinas e projetos colaborativos.

Foi assim que ministrei duas turmas de O Caminho do Artista e uma dos Funambulistas; organizei o micro-conte se e o Da Pupa à Polpa; participei do coletivo Camiinhantes, e da criação do Literoutubro junto com a paulamaria; e, ainda, editei o livro Contos de uma Autoridade Sanitária e liderei a edição da coletânea Meia Dúzia de Natais, além, óbvio, de editar meus próprios livros.

Quando entramos no novo normal, que não passava de uma versão requentada e acelerada do velho, não consegui mais voltar ao modelo de carreira fantasma com a mesma tranquilidade. Ainda curtia o que fazia no meu trabalho, mas, sentindo os 50 anos batendo à minha porta, não podia deixar o desejo abafado por ranço há 35 anos continuar enclausurado. Estranhamente o meu próprio trabalho começou a me requisitar as habilidades que eu exercitava na minha “vida paralela”, incluindo, pasmem, criar uma editora técnica, e tudo começou a ficar cada vez mais alinhado.

Assim, seguindo a velha máxima de que pra virar mito é preciso cumprir o rito, resolvi me dar o direito que nunca tinha me permitido e oficialmente me dedicar a me tornar o editor que, bem ou mal, de certa forma, desde os fanzines da minha adolescência, sempre fui ou ambicionei ser.

Hoje, às 9 da manhã do dia 27 de julho de 2024, dei então inicialmente início ao meu aprendizado formal na pós em Edição e Gestão Editorial do NESPE. O que sairá desse novo caminho, na boa, não tenho ideia, mas, seguindo os preceitos do Personal Knowledge Management, vou registrar os aprendizados e descobertas por aqui.

Convido você a abandonar o futuro do pretérito e fazer esse caminho em direção ao futuro do presente junto comigo. Não sei o destino, mas não tenho dúvida que o caminho será divertido e surpreendente.

Boas vindas a esse novo momento da minha, e, por que não?, também da sua vida. 😉

Segure-se na cadeira, essa viagem promete grandes emoções.

Glória Maria na montanha russa na Jamaica

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Como lidar com a aparente revolução permanente

Lendo a newsletter do Warren Ellis, não lê ainda? Leia!, esbarrei com essa indicação de livro sobre a revolução inglesa.

Comprei, mas, confesso, que o que mais me impactou na capa foi a informação que ela durou, segundo os historiadores, oitenta e três anos, o que seria naquela época mais do que 2 gerações. Se não conseguimos sobreviver a duas semanas de crise sem pedir pra morrer, imaginem herdar dos avôs problemas aparentemente insolúveis

Com essa perspectiva, impossível não rir da gente mesmo, agora, tentando resolver em apenas 8, 10 anos a crise climática, o fim das relações trabalhistas de longo prazo, e o retorno do fascismo. Revoluções, precisamos lembrar, não são vencidas, mas suportadas. E seus resultados tendem a privilegiar os que tem mais paciência, afinal, num jogo desses morrem primeiro os ansiosos. Os apressadinhos se tornam churrasco ou os seus vilões. Mas, calma, ainda tem muita história pra rolar.

Da Pupa à Polpa – edição 2024

Como pai de uma pré-pré-adolescente, acaba que sempre tiro férias durante o recesso escolar. Quando ela era menor, a gente fazia vários programas, mas, hoje,  sou obrigado a passar longos tempos em salas de espera de colônias de férias, espaços de co-working em shoppings, ou cafeterias, aguardando a minha filha terminar os seus próprios programas, para que eu cuide da principal atribuição de um pai nos anos 2020: a logística. Por essas e outras, eu, em vez de usar o tempo pra descansar, algo que ainda não entendi exatamente como funciona, normalmente utilizo o período para fazer outras coisas, coisas mais divertidas, que não poderia fazer no dia a dia.

Dessa vez, resolvi, nessas curtas férias de inverno, escrever um conto Pulp em 14 dias, e convido você a fazer isso comigo. Essa é a oficina “Da Pupa à Polpa”!

Aqui um banner se vc quiser divulgar no seu blog. As pessoas ainda tem blogs? Quer dizer, além de mim?

Me baseando na fórmula de Plot do Lester Dent, criador do Doc Savage, e nas clássicas dicas para escrever um livro em 3 dias de Michael Moorcock, autor de tantos livros de ficção científica e fantasia, que nem o ChatGPT se arrisca a contar, vou conduzir um grupo de escrita onde iremos preparar, escrever e finalizar um conto Pulp em 14 dias. Ou seja, iremos passar de uma ideia em pupa, em seus estágios iniciais de metamorfose, até ela estar pronta pra ser impressa em papel de Polpa, como todo romance barato e escrito com rapidez merece.

O ChatGPT não me deixa mentir. Moorcock escreveu pacas!

Interessou? Segue a pauta dos 3 encontros dessa oficina:

  1. Mise en Place (20/07/2024)
    1. Preparando os ingredientes
    2. Escrevendo a receita
    3. Planejando o trabalho
  2. Preparo (27/07/2024)
    1. Desafios da escrita rápida
    2. Lidando com bloqueios e desvios
    3. Corrigindo rotas e evitando acidentes
  3. Empratamento (03/08/2024)
    1. Revisão e Edição
    2. Opções Gráficas e Capa
    3. Servindo o Livro física e digitalmente

Se esse desafio te animou, e quer encarar essa jornada junto comigo, clica aqui e faça seu cadastro!

Nos vemos dentro da Polpa!

PS: Ah, como a maioria das coisas que eu faço, essa oficina é de graça por três razões:

  • eu não sei botar preço nesses cursos,
  • tenho vergonha de agir como vendedor,
  • e, todo mundo sabe, vou fazer de qualquer jeito.

Mas, se quiser dar uma força com uma doação, a minha pré-pré-adolescente vai agradecer por poder comer mais pipocas em múltiplas sessões de Divertidamente 2, enquanto o pai escreve histórias de vigilantes mascarados viajantes do tempo lutando contra magos malignos e alienígenas antropófagos, a esperando no foyer do cinema.

E se conhecer alguma pessoa que possa se interessar por essa loucura, repasse o link desse post, com um dos cards  abaixo (escolha a sua versão, feed ou story) pra ela.

Ah, e boas férias para todos nós!

O nome do elefantinho

Uma função do nome que a gente costuma esquecer é servir de escudo. En geral, o que tem nome está protegido. Dentro da granja, todas as galinhas são potencial canja; menos a Giselda, que você cuidou quando nasceu fraca e, um dia, por esse apego, acabou dando um nome pra ela. Por isso há uma diferença entre os animais domésticos, que servem à, e são servidos na casa, e os animais de estimação, que você ama e, notem, sempre tem um nome.

O mesmo serve pras pessoas. Quando elas tem nome, matá-las se torna assassinato; quando elas são uma categoria, apenas baixas de guerra. Racistas e homofóbicos; intolerantes e preconceituosos; militares e militaristas se apropriam dessa tática cognitiva não só ignorando o nome dos outros, mas tirando os nomes que os outros tem, e os substituindo por alcunhas. Assim matam as pessoas incluídas nas categorias que acham diferir deles sem nenhum peso nas consciências que fingem ter.

Agora descobriram que os elefantes tem nomes que eles mesmos dão uns ao outros. Quando descobrirmos que todos os animais tem nomes, será impossível não se render ao vegetarianismo, a não ser, óbvio, aos sociopatas. Afinal, toda sociopatia começa quando negamos ao outro o direito a um nome.

Dessa forma, toda a generalização seria um ato de guerra; e toda a particularização, um ato de misericórdia. Talvez, quando Deus disse ao homem, no Éden, para dar nome aos animais, o propósito não era dominá-los, mas torná-los objetos da sua estima. Fica a dica: nomeie algo e o ame, hoje.